O Bitcoin (BTC), tradicionalmente visto como um ativo especulativo, tem ganhado nova relevância à medida que organizações financeiras globais começam a reconhecer seu potencial como instrumento de proteção contra moedas fiduciárias instáveis.
Bitcoin se consolida como proteção contra moedas fracas, segundo estudo do BIS
Novo estudo do BIS aponta que o Bitcoin pode servir como proteção contra moedas fiduciárias instáveis. O documento analisa os fluxos transfronteiriços de criptoativos.
Um novo estudo publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido como o “Banco Central dos Bancos Centrais”, aponta que o Bitcoin pode atuar como uma espécie de “porto seguro” para populações expostas à desvalorização cambial e à instabilidade econômica.
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Mudança de posição do BIS
Em 2023, o BIS havia se posicionado de forma crítica em relação às criptomoedas, alegando que ativos como o Bitcoin não cumpriam os requisitos de uma moeda funcional e não traziam benefícios significativos para a sociedade.
No entanto, o novo estudo de 39 páginas divulgado em maio de 2025 sugere uma inflexão nessa postura, ao apontar que criptoativos podem exercer funções econômicas relevantes em cenários de pressão cambial.
Nova perspectiva
O documento intitulado “Desafiando a Gravidade? Uma Análise Empírica dos Fluxos Transfronteiriços de Bitcoin, Ether e Stablecoins” analisa a movimentação global de criptomoedas entre países e conclui que, em alguns contextos, o Bitcoin tem sido utilizado como ferramenta de defesa contra moedas fracas.
Análise dos fluxos transfronteiriços
O BIS mapeou os fluxos de criptomoedas entre vários países, destacando a importância de mercados como Estados Unidos, Reino Unido e economias emergentes, incluindo o Brasil.
Em especial, o estudo revela que o Brasil movimentou mais de US$ 1 bilhão em Bitcoin em relação aos EUA, tanto em envio quanto em recebimento.
Stablecoins e Ethereum

No caso das stablecoins, especialmente o USDT (Tether), os fluxos foram mais distribuídos globalmente. O estudo observa que, diferentemente do BTC, o USDT não é centrado em um núcleo específico, mas sim amplamente negociado em vários países, incluindo Turquia e Rússia, com forte conexão também com o Brasil.
Importância dos dados
Segundo o BIS, quase todos os países apresentam algum nível de envolvimento nas transações com criptomoedas, indicando a expansão dessa infraestrutura financeira paralela.
As setas utilizadas nos mapas do estudo destacam fluxos superiores a um bilhão de dólares, representando cerca de 25% do volume total transfronteiriço.
Fatores que impulsionam o uso do Bitcoin
O estudo destaca que, além da especulação financeira, há um componente funcional no uso do Bitcoin: sua adoção aumenta durante momentos de pressão sobre moedas locais. Isso inclui episódios de inflação elevada, controles de capital ou depreciações abruptas de moedas fiduciárias.
Exemplo da Turquia
A Turquia, que enfrentou uma desvalorização acentuada da lira nos últimos anos, tem se destacado como usuário significativo de stablecoins, especialmente o USDT. A busca por estabilidade cambial tem impulsionado os cidadãos a buscar refúgio em criptoativos.
Casos da Argentina e Venezuela
Outros países latino-americanos, como Argentina e Venezuela, também têm sido citados frequentemente como exemplos onde a população recorre ao Bitcoin como forma de manter o poder de compra.
Evasão de controles de capital
O BIS também aponta que, em países com restrições ao livre movimento de capital, as criptomoedas têm sido utilizadas como um canal alternativo para enviar e receber valores do exterior, funcionando como um sistema de remessas paralelas.
Adoção em mercados emergentes
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+311 mil seguidores
O estudo destaca que o uso de criptoativos pode contribuir para a inclusão financeira, especialmente em regiões com infraestrutura bancária deficiente ou acesso limitado a serviços financeiros tradicionais.
As criptomoedas oferecem uma forma acessível de movimentar valores, inclusive sem intermediação bancária.
Preocupações com estabilidade
Apesar de reconhecer os benefícios pontuais, o BIS alerta para os riscos que o uso generalizado de criptomoedas pode trazer à estabilidade econômica e ao controle monetário.
A desintermediação bancária e a descentralização das transações podem enfraquecer as políticas monetárias tradicionais.
Necessidade de novas pesquisas
O documento termina com uma chamada à continuidade dos estudos sobre o impacto das criptomoedas.
O BIS ressalta que há um vácuo de conhecimento sobre os efeitos de longo prazo da adoção de ativos digitais, principalmente em países em desenvolvimento.
Temas sugeridos pelo BIS para investigação futura:
- Impacto dos criptoativos na inclusão financeira
- Efeitos sobre a estabilidade econômica
- Potencial das criptomoedas como proteção contra choques cambiais
- Interação entre criptomoedas e sistemas bancários tradicionais
Considerações finais

O estudo mais recente do BIS representa uma mudança importante na percepção institucional sobre o papel do Bitcoin e outros criptoativos no sistema financeiro global. De uma visão predominantemente cínica em relação à utilidade das criptomoedas, o BIS agora reconhece seu potencial em contextos reais, especialmente como uma ferramenta de proteção contra moedas fracas.
Essa nova perspectiva pode influenciar o debate regulatório e acadêmico sobre o futuro das moedas digitais, ampliando o espaço para que o Bitcoin seja considerado não apenas um ativo especulativo, mas uma opção viável para milhões de pessoas expostas à instabilidade cambial em todo o mundo.
