O Bitcoin enfrenta um momento de forte correção nesta terça-feira (8), acumulando perdas significativas após semanas de volatilidade extrema. O ativo formou um padrão técnico chamado “cruz da morte” (“death cross”), o que tradicionalmente indica um período prolongado de tendência de baixa.
Bitcoin em queda: Padrão gráfico indica tendência de baixa prolongada
O Bitcoin enfrenta uma queda acentuada e forma um padrão gráfico de "cruz da morte", indicando uma tendência de baixa prolongada. Entenda os impactos.
O sentimento do mercado está sendo impactado pelo aumento da aversão ao risco devido à escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
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Tensões comerciais ampliam perdas do Bitcoin
O início de 2025 foi marcado por um otimismo expressivo no mercado de criptomoedas, levando o Bitcoin a renovar sua máxima histórica em US$ 109.114 em 20 de janeiro. No entanto, a recente escalada das tensões comerciais levou a criptomoeda a recuar até US$ 74.420, acumulando perdas de quase 20%.
“O Bitcoin formou um ‘death cross’ pela primeira vez desde setembro de 2024. Historicamente, esse padrão costuma coincidir com momentos de forte correção”, explica Alfonso Chulla, da Binance.
Christopher Lewis, da FXEmpire, alerta que, caso o ativo perca o suporte de US$ 75.000 com alto volume de negociação, o preço pode testar regiões ainda mais baixas, possivelmente até US$ 60.000.
O que é a “cruz da morte” e por que preocupa?
A “cruz da morte” ocorre quando a média móvel de curto prazo (geralmente a de 50 dias) cruza abaixo da média móvel de longo prazo (como a de 200 dias). Este é um sinal de que a tendência de baixa pode se estender, levando os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa.
Em ciclos passados, esse padrão já antecedeu quedas acentuadas, como aconteceu em 2018 e 2022, anos marcados por mercados baixistas prolongados.
Além disso, a “cruz da morte” muitas vezes leva a liquidações em massa, já que traders institucionais e investidores de curto prazo preferem reduzir sua exposição a ativos de risco.
Impacto das tarifas comerciais e reação global
A volatilidade recente também é impulsionada pelo aumento das tarifas comerciais impostas pelos EUA sobre produtos chineses. A Casa Branca confirmou que as tarifas de 104% entrarão em vigor nesta quarta-feira (9), provocando uma reação imediata de Pequim, que prometeu “lutar até o fim” contra a medida.
Além disso, a Comissão Europeia está prestes a votar contramedidas comerciais, previstas para entrar em vigor no dia 15 de abril. Esse ambiente de incerteza tem impulsionado um movimento de fuga para ativos considerados mais seguros, como ouro e dólar, em detrimento das criptomoedas.
“O cenário macroeconômico atual não é favorável ao Bitcoin. O aumento das tensões comerciais reduz a liquidez global, o que geralmente impacta os ativos de risco”, comenta Sarah Miller, analista da CryptoFund.
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Como o mercado cripto pode reagir?
Apesar do cenário pessimista, alguns especialistas veem oportunidades. A volatilidade do Bitcoin é uma característica inerente ao ativo, e momentos de forte correção já ocorreram diversas vezes ao longo dos últimos anos.
Grandes investidores podem aproveitar os preços mais baixos para acumular BTC, prevendo uma possível recuperação no médio e longo prazo.
Outro fator relevante é o comportamento dos mineradores. Se a queda do Bitcoin se prolongar, algumas operações de mineração podem se tornar insustentáveis, levando a uma possível redução na taxa de hash da rede. Esse fator poderia impactar a segurança e a descentralização da blockchain.
Perspectivas do mercado: queda prolongada ou oportunidade de compra?

Apesar do ambiente desafiador, alguns analistas acreditam que o atual recuo do Bitcoin pode representar uma oportunidade de compra a preços descontados. O CEO da Binance, Richard Teng, comentou em suas redes sociais que o atual cenário de protecionismo pode, no longo prazo, impulsionar o interesse por ativos descentralizados como o Bitcoin.
Além disso, a aproximação do halving do Bitcoin, previsto para abril de 2025, pode ser um fator positivo para a valorização do ativo. Historicamente, os halvings reduzem a oferta de novos BTCs no mercado, criando um ambiente favorável para aumentos de preço no longo prazo.
No curto prazo, o mercado segue atento aos próximos desdobramentos econômicos e políticos que podem continuar impactando o comportamento do ativo. Investidores de criptomoedas devem se preparar para possíveis novos testes de suporte e um cenário de alta volatilidade nos próximos meses.
