O mercado de criptomoedas iniciou a quarta-feira (20) em clima de tensão, com o Bitcoin (BTC) recuando mais de 2% nas primeiras horas do dia e perdendo um suporte psicológico importante.
Bitcoin recua e perde suporte-chave: criptomoedas em queda à espera da ata do Fed e do simpósio de Jackson Hole
Bitcoin cai mais de 2% e puxa o mercado de criptomoedas para baixo nesta quarta-feira (20). Investidores aguardam a ata do Fed e o simpósio de Jackson Hole.
A queda acompanha o movimento negativo global nos ativos de risco, em meio à expectativa pela divulgação da ata do Federal Reserve (Fed) e pela abertura do simpósio de Jackson Hole, que reúne presidentes de bancos centrais de todo o mundo.
Enquanto isso, bolsas asiáticas fecharam sem direção definida, o mercado europeu mostrou indefinição e os futuros de Wall Street abriram em queda. Esse ambiente de cautela impactou diretamente o mercado de criptomoedas, que opera em baixa generalizada.
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Bitcoin em queda: panorama do mercado nesta quarta-feira
De acordo com dados do CoinGecko, o Bitcoin era cotado a US$ 113.668,38 pela manhã, acumulando queda de 1,63% nas últimas 24 horas e recuo semanal de 5,71%. Mesmo assim, no acumulado de 2025, a criptomoeda ainda apresenta valorização superior a 21%.
Desempenho das 10 maiores criptomoedas
Além do Bitcoin, outras grandes criptomoedas também operam em queda nesta quarta-feira:
| # | Nome | Preço (US$) | Variação 24h | Variação 7d | Variação YTD |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Bitcoin (BTC) | 113.668,38 | -1,63% | -5,71% | +21,71% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 4.186,40 | -2,85% | -10,86% | +25,67% |
| 3 | XRP (XRP) | 2,89 | -4,13% | -12,15% | +38,96% |
| 4 | Tether (USDT) | 0,9999 | -0,04% | 0,00% | +0,20% |
| 5 | BNB (BNB) | 831,01 | -1,77% | -2,72% | +18,55% |
| 6 | Solana (SOL) | 180,48 | -0,92% | -10,77% | -4,62% |
| 7 | USD Coin (USDC) | 0,9998 | 0,00% | +0,01% | -0,01% |
| 8 | TRON (TRX) | 0,3503 | -0,31% | -2,16% | +37,82% |
| 9 | Dogecoin (DOGE) | 0,2138 | -2,93% | -13,67% | -32,27% |
| 10 | Cardano (ADA) | 0,8553 | -8,11% | -2,78% | -1,37% |
Destaque negativo para a Cardano (ADA), que caiu mais de 8% em 24 horas, e para a Dogecoin (DOGE), que acumula queda de 32% em 2025, consolidando-se como uma das criptos mais pressionadas do ano.
Bitcoin no cenário macroeconômico

Expectativa pela ata do Fed
A grande expectativa do dia é a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, que manteve os juros norte-americanos entre 4,25% e 4,5% ao ano. Embora não sejam esperadas grandes surpresas, investidores aguardam sinais mais claros sobre a visão do Fed a respeito da inflação e da atividade econômica dos EUA.
O documento pode ajudar a calibrar as apostas para os próximos passos da política monetária. Atualmente, parte do mercado ainda acredita que os juros podem cair até o fim do ano, enquanto outra parcela aposta em manutenção prolongada, diante da persistência da inflação acima da meta de 2%.
Críticas de Donald Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar publicamente a política do Fed e o presidente Jerome Powell, defendendo cortes mais agressivos nos juros como forma de estimular a economia doméstica.
As falas de Trump, no entanto, aumentam a percepção de instabilidade política, o que também contribui para o humor negativo nos mercados de risco, incluindo as criptomoedas.
Jackson Hole: o evento que pode mexer com o Bitcoin
O início do simpósio de Jackson Hole, marcado para quinta-feira (21), é outro ponto de atenção para investidores. O evento reúne autoridades monetárias globais e tradicionalmente serve como palco para anúncios ou sinais sobre políticas futuras.
O destaque ficará para o discurso de Jerome Powell na sexta-feira (22), considerado crucial para definir expectativas sobre os rumos dos juros nos EUA.
Por que isso importa para o Bitcoin?
O Bitcoin tem se consolidado como um ativo sensível ao cenário de liquidez global. Juros mais altos tornam investimentos em renda fixa mais atraentes e drenam recursos de ativos de risco.
Por isso, qualquer sinal de que o Fed pode manter juros elevados por mais tempo tende a pressionar o mercado de criptomoedas.
Panorama internacional: China e Europa
China mantém juros no piso histórico
O Banco Popular da China (PBoC) manteve sua taxa básica de empréstimos (LPR) de 1 ano em 3% e a de 5 anos em 3,5%, ambas em níveis mínimos históricos. A decisão reflete a tentativa de sustentar a atividade econômica em meio às dificuldades do setor imobiliário e à desaceleração do consumo interno.
Europa: inflação estável
Na Zona do Euro, os dados de julho mostraram que a inflação anual permaneceu em 2%, exatamente em linha com as projeções do mercado. O dado reforça a percepção de que o Banco Central Europeu (BCE) pode manter uma política monetária mais estável nos próximos meses, reduzindo a pressão global sobre os ativos de risco.
Brasil: audiência discute reserva estratégica de Bitcoin
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No cenário doméstico, a Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (20) uma audiência pública para debater a criação de uma reserva estratégica soberana de Bitcoin.
A proposta sugere que o Brasil poderia destinar parte de suas reservas internacionais à compra de BTC, em um movimento semelhante ao adotado por El Salvador em 2021.
Embora ainda seja apenas uma discussão preliminar, a ideia chama a atenção dos mercados e pode abrir espaço para debates mais amplos sobre o papel das criptomoedas nas políticas econômicas nacionais.
Análise: quais os próximos passos para o Bitcoin?
Curto prazo: pressão permanece
Com a ata do Fed, o simpósio de Jackson Hole e as críticas de Trump em foco, o Bitcoin deve permanecer volátil nos próximos dias. O fortalecimento do dólar e a aversão ao risco tendem a limitar avanços no curto prazo.
Médio prazo: incerteza regulatória
Além do cenário macroeconômico, cresce a preocupação com possíveis novas regulamentações nos EUA e em outras regiões. O setor de mineração e os ETFs seguem no radar de órgãos reguladores, o que adiciona incertezas para os investidores.
Longo prazo: fundamentos seguem sólidos
Apesar das turbulências atuais, o Bitcoin continua sendo visto como um ativo de proteção contra inflação e instabilidade geopolítica. A consolidação institucional e a adoção crescente por países e empresas sustentam a tese de valorização no longo prazo.
Considerações finais

O recuo do Bitcoin nesta quarta-feira (20) reflete não apenas fatores técnicos, mas principalmente o ambiente de cautela global.
A expectativa pela ata do Fed e pelo simpósio de Jackson Hole mantém investidores em compasso de espera, enquanto críticas políticas, dados econômicos internacionais e debates locais sobre o futuro das criptomoedas adicionam camadas de volatilidade ao cenário.
O curto prazo inspira prudência, mas o longo prazo segue marcado por uma narrativa de crescente relevância do Bitcoin e das criptomoedas no sistema financeiro mundial.
