Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bitcoin sofre queda e gera US$ 500 milhões em liquidações: o que esperar do mercado diante das decisões do Fed e tensões geopolíticas

Bitcoin caiu para US$ 115 mil e gerou US$ 500 milhões em liquidações. Analistas apontam que corte de juros do Fed e tensões geopolíticas definirão próximos passos.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
bitcoin

O mercado de criptomoedas voltou a enfrentar turbulências nesta segunda-feira (18), após o Bitcoin (BTC) registrar uma queda de 2,6% em 24 horas, arrastando consigo milhares de contratos de derivativos. A principal criptomoeda do mundo foi negociada a US$ 115.192, após ter atingido uma máxima histórica de US$ 122.882 poucos dias antes.

Segundo dados da CoinGlass, o movimento resultou em mais de US$ 500 milhões em liquidações, sendo a maior parte delas de posições longas, em um claro sinal de realização de lucros.

Ainda assim, analistas defendem que a retração não deve ser interpretada como reversão de tendência, mas sim como uma pausa técnica em meio à expectativa de eventos macroeconômicos cruciais nesta semana.

Leia mais:

Block, de Jack Dorsey, lança máquina modular de mineração de Bitcoin com vida útil de 10 anos

Bitcoin cai após realização de lucros

Pressão de derivativos acelera a queda

De acordo com analistas, o declínio do Bitcoin foi amplamente impulsionado por movimentos no mercado de derivativos.

A realização de lucros levou a uma queda de US$ 350 milhões nos contratos em aberto, acompanhada por uma retração no delta de volume, confirmando que os traders estavam fechando posições vencedoras após a recente alta.

Comportamento histórico em agosto

Outro ponto relevante é o desempenho histórico do BTC no mês de agosto. Nos últimos 12 anos, o retorno médio da criptomoeda nesse período foi próximo de zero, o que aumenta a cautela entre investidores.

O aumento da compra de opções de venda (puts) nas últimas semanas também reforça a leitura de que o mercado adotou uma postura defensiva.

Liquidações em massa: US$ 500 milhões evaporam

bitcoin
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A volatilidade do fim de semana gerou mais de US$ 550 milhões em liquidações de posições em criptomoedas. A maior parte dessas perdas ocorreu entre traders que mantinham posições alavancadas na expectativa de novas máximas do Bitcoin.

De acordo com Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, o recuo não representa necessariamente uma guinada para o pessimismo, mas sim a consequência natural do fechamento de contratos lucrativos.

“Os traders estão adotando uma abordagem cautelosa, mas isso não significa que a tendência de alta tenha se esgotado”, afirmou Moreno.

Impacto da geopolítica: Rússia e Ucrânia no radar

Conflito sem solução

Além da dinâmica de mercado, fatores externos também pesaram na queda do Bitcoin. A recente cúpula de paz entre Rússia e Ucrânia terminou sem avanços concretos, mantendo a incerteza no cenário geopolítico global.

Segundo Sean Dawson, chefe de pesquisa da plataforma de derivativos Derive, essa indefinição tem contribuído para aumentar a volatilidade e reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco em curto prazo.

Reflexo nos investidores institucionais

A instabilidade geopolítica impacta especialmente os grandes fundos, que tendem a reduzir exposição em momentos de risco elevado. Isso explica parte da desaceleração observada nos fluxos de entrada em Bitcoin e Ethereum nas últimas semanas.

O que esperar agora? Olhos no Fed e em Jerome Powell

Powell em foco

O próximo grande catalisador para o mercado será o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, programado para sexta-feira. Analistas acreditam que suas declarações terão impacto direto sobre o rumo do Bitcoin nos próximos três meses.

Se Powell sinalizar cortes de juros em setembro, como grande parte do mercado espera, isso pode renovar o apetite por ativos de risco e reaquecer a alta das criptomoedas. Por outro lado, se ele reforçar a necessidade de manter taxas elevadas por mais tempo, o movimento pode desencadear uma nova onda de liquidações.

Mudanças no conselho do Fed

Outro ponto que chamou atenção foi a nomeação de Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump, para o conselho administrativo do Fed. Miran substitui Adriana Kugler temporariamente, o que já gerou reavaliações entre bancos de investimento.

Um relatório recente do JPMorgan Global Research prevê agora que o primeiro corte de juros do Fed deve ocorrer em setembro, alinhando-se com a leitura da ferramenta FedWatch da CME, que aponta 83,4% de probabilidade de corte de 25 pontos-base.

Como juros impactam o Bitcoin?

Relação entre taxa de juros e ativos de risco

Taxas de juros mais baixas reduzem a atratividade de ativos de renda fixa, como títulos do governo, incentivando investidores a buscar retornos maiores em mercados de risco — incluindo ações e criptomoedas. Isso explica por que cortes de juros tendem a impulsionar o preço do Bitcoin.

Experiência recente

Na última vez em que o Fed flexibilizou sua política monetária, o Bitcoin registrou altas expressivas, atraindo tanto investidores institucionais quanto varejo. Se o corte esperado em setembro se confirmar, o mercado pode ver uma repetição desse comportamento.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Dados on-chain apontam compra nas quedas

Apesar da correção, alguns indicadores on-chain permanecem positivos. O delta de oferta e demanda à vista em profundidade de 10% mostra que a carteira de ordens está distorcida em favor da oferta, sugerindo que investidores estão aproveitando para comprar durante as quedas.

Na última vez em que essa métrica mostrou tendência semelhante, em 2 de agosto, o Bitcoin subiu quase 12% em 11 dias, alcançando a máxima histórica de US$ 124.545.

Ethereum e o mercado mais amplo também sofrem

ETH segue pressão

Assim como o Bitcoin, o Ethereum (ETH) acompanhou a queda, embora em menor intensidade. A retração reforça a visão de que as principais criptomoedas estão altamente correlacionadas e dependentes do fluxo de liquidez global.

Mercado total em retração

A capitalização de mercado de todas as criptomoedas também sofreu impacto, caindo alguns pontos percentuais após a liquidação em massa. Mesmo assim, o volume de negociações disparou, mostrando que investidores de varejo continuam ativos.

Perspectiva de curto prazo para o Bitcoin

Cenário otimista

  • Corte de juros em setembro pode ser gatilho para retomada da alta;
  • Compras em queda mostram confiança dos investidores em longo prazo;
  • Redistribuição de moedas das mãos de baleias para varejo pode fortalecer o mercado.

Cenário cauteloso

  • Se Powell reforçar juros altos, nova liquidação pode ocorrer;
  • Conflito Rússia-Ucrânia segue sendo risco estrutural;
  • Realização de lucros contínua pode manter pressão até setembro.

Conclusão: correção técnica ou prenúncio de nova queda?

Bitcoin
Imagem: Freepik

O recuo do Bitcoin para US$ 115 mil, acompanhado de US$ 500 milhões em liquidações, reflete tanto fatores técnicos de mercado quanto incertezas externas. Ainda assim, o consenso entre analistas é de que a queda não marca o fim do ciclo de alta, mas sim uma pausa estratégica antes de novos movimentos.

Se confirmada a expectativa de corte de juros do Fed em setembro, somada a uma eventual redução das tensões geopolíticas, o Bitcoin poderá retomar sua trajetória rumo a novos recordes.

Até lá, investidores devem se preparar para mais volatilidade, mas também para oportunidades. Afinal, como aponta a história recente, quedas no Bitcoin muitas vezes se transformam em portas de entrada para a próxima grande alta.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

Topicos relacionados