Bitcoin sofre queda e gera US$ 500 milhões em liquidações: o que esperar do mercado diante das decisões do Fed e tensões geopolíticas
O mercado de criptomoedas voltou a enfrentar turbulências nesta segunda-feira (18), após o Bitcoin (BTC) registrar uma queda de 2,6% em 24 horas, arrastando consigo milhares de contratos de derivativos. A principal criptomoeda do mundo foi negociada a US$ 115.192, após ter atingido uma máxima histórica de US$ 122.882 poucos dias antes.
📌 DESTAQUES:
Bitcoin caiu para US$ 115 mil e gerou US$ 500 milhões em liquidações. Analistas apontam que corte de juros do Fed e tensões geopolíticas definirão próximos passos.
Segundo dados da CoinGlass, o movimento resultou em mais de US$ 500 milhões em liquidações, sendo a maior parte delas de posições longas, em um claro sinal de realização de lucros.
Ainda assim, analistas defendem que a retração não deve ser interpretada como reversão de tendência, mas sim como uma pausa técnica em meio à expectativa de eventos macroeconômicos cruciais nesta semana.
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Bitcoin cai após realização de lucros
Pressão de derivativos acelera a queda
De acordo com analistas, o declínio do Bitcoin foi amplamente impulsionado por movimentos no mercado de derivativos.
A realização de lucros levou a uma queda de US$ 350 milhões nos contratos em aberto, acompanhada por uma retração no delta de volume, confirmando que os traders estavam fechando posições vencedoras após a recente alta.
Comportamento histórico em agosto
Outro ponto relevante é o desempenho histórico do BTC no mês de agosto. Nos últimos 12 anos, o retorno médio da criptomoeda nesse período foi próximo de zero, o que aumenta a cautela entre investidores.
O aumento da compra de opções de venda (puts) nas últimas semanas também reforça a leitura de que o mercado adotou uma postura defensiva.
Liquidações em massa: US$ 500 milhões evaporam
A volatilidade do fim de semana gerou mais de US$ 550 milhões em liquidações de posições em criptomoedas. A maior parte dessas perdas ocorreu entre traders que mantinham posições alavancadas na expectativa de novas máximas do Bitcoin.
De acordo com Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, o recuo não representa necessariamente uma guinada para o pessimismo, mas sim a consequência natural do fechamento de contratos lucrativos.
“Os traders estão adotando uma abordagem cautelosa, mas isso não significa que a tendência de alta tenha se esgotado”, afirmou Moreno.
Impacto da geopolítica: Rússia e Ucrânia no radar
Conflito sem solução
Além da dinâmica de mercado, fatores externos também pesaram na queda do Bitcoin. A recente cúpula de paz entre Rússia e Ucrânia terminou sem avanços concretos, mantendo a incerteza no cenário geopolítico global.
Segundo Sean Dawson, chefe de pesquisa da plataforma de derivativos Derive, essa indefinição tem contribuído para aumentar a volatilidade e reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco em curto prazo.
Reflexo nos investidores institucionais
A instabilidade geopolítica impacta especialmente os grandes fundos, que tendem a reduzir exposição em momentos de risco elevado. Isso explica parte da desaceleração observada nos fluxos de entrada em Bitcoin e Ethereum nas últimas semanas.
O que esperar agora? Olhos no Fed e em Jerome Powell
Powell em foco
O próximo grande catalisador para o mercado será o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, programado para sexta-feira. Analistas acreditam que suas declarações terão impacto direto sobre o rumo do Bitcoin nos próximos três meses.
Se Powell sinalizar cortes de juros em setembro, como grande parte do mercado espera, isso pode renovar o apetite por ativos de risco e reaquecer a alta das criptomoedas. Por outro lado, se ele reforçar a necessidade de manter taxas elevadas por mais tempo, o movimento pode desencadear uma nova onda de liquidações.
Mudanças no conselho do Fed
Outro ponto que chamou atenção foi a nomeação de Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump, para o conselho administrativo do Fed. Miran substitui Adriana Kugler temporariamente, o que já gerou reavaliações entre bancos de investimento.
Um relatório recente do JPMorgan Global Research prevê agora que o primeiro corte de juros do Fed deve ocorrer em setembro, alinhando-se com a leitura da ferramenta FedWatch da CME, que aponta 83,4% de probabilidade de corte de 25 pontos-base.
Como juros impactam o Bitcoin?
Relação entre taxa de juros e ativos de risco
Taxas de juros mais baixas reduzem a atratividade de ativos de renda fixa, como títulos do governo, incentivando investidores a buscar retornos maiores em mercados de risco — incluindo ações e criptomoedas. Isso explica por que cortes de juros tendem a impulsionar o preço do Bitcoin.
Experiência recente
Na última vez em que o Fed flexibilizou sua política monetária, o Bitcoin registrou altas expressivas, atraindo tanto investidores institucionais quanto varejo. Se o corte esperado em setembro se confirmar, o mercado pode ver uma repetição desse comportamento.
Dados on-chain apontam compra nas quedas
Apesar da correção, alguns indicadores on-chain permanecem positivos. O delta de oferta e demanda à vista em profundidade de 10% mostra que a carteira de ordens está distorcida em favor da oferta, sugerindo que investidores estão aproveitando para comprar durante as quedas.
Na última vez em que essa métrica mostrou tendência semelhante, em 2 de agosto, o Bitcoin subiu quase 12% em 11 dias, alcançando a máxima histórica de US$ 124.545.
Ethereum e o mercado mais amplo também sofrem
ETH segue pressão
Assim como o Bitcoin, o Ethereum (ETH) acompanhou a queda, embora em menor intensidade. A retração reforça a visão de que as principais criptomoedas estão altamente correlacionadas e dependentes do fluxo de liquidez global.
Mercado total em retração
A capitalização de mercado de todas as criptomoedas também sofreu impacto, caindo alguns pontos percentuais após a liquidação em massa. Mesmo assim, o volume de negociações disparou, mostrando que investidores de varejo continuam ativos.
Perspectiva de curto prazo para o Bitcoin
Cenário otimista
- Corte de juros em setembro pode ser gatilho para retomada da alta;
- Compras em queda mostram confiança dos investidores em longo prazo;
- Redistribuição de moedas das mãos de baleias para varejo pode fortalecer o mercado.
Cenário cauteloso
- Se Powell reforçar juros altos, nova liquidação pode ocorrer;
- Conflito Rússia-Ucrânia segue sendo risco estrutural;
- Realização de lucros contínua pode manter pressão até setembro.
Conclusão: correção técnica ou prenúncio de nova queda?
O recuo do Bitcoin para US$ 115 mil, acompanhado de US$ 500 milhões em liquidações, reflete tanto fatores técnicos de mercado quanto incertezas externas. Ainda assim, o consenso entre analistas é de que a queda não marca o fim do ciclo de alta, mas sim uma pausa estratégica antes de novos movimentos.
Se confirmada a expectativa de corte de juros do Fed em setembro, somada a uma eventual redução das tensões geopolíticas, o Bitcoin poderá retomar sua trajetória rumo a novos recordes.
Até lá, investidores devem se preparar para mais volatilidade, mas também para oportunidades. Afinal, como aponta a história recente, quedas no Bitcoin muitas vezes se transformam em portas de entrada para a próxima grande alta.
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