Crise no Oriente Médio derruba o Bitcoin: vale a pena investir agora?
O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mundo, não resistiu à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã. Após o país norte-americano anunciar ações militares no Oriente Médio, o mercado financeiro global reagiu com forte aversão ao risco — e o BTC não ficou de fora.
Destaques:
Crise entre EUA e Irã derruba o Bitcoin, que perde suporte e pressiona o mercado. Entenda impactos e projeções para criptoativos e investidores.
No domingo (22), o preço do Bitcoin despencou para US$ 98.200, seu menor valor desde o início de maio. A queda contraria a visão de que o ativo funcionaria como reserva de valor em momentos de crise. Na manhã desta segunda-feira (23), a moeda digital recuperou parte das perdas e voltou a ser negociada próxima dos US$ 101 mil, mas ainda permanece distante da máxima histórica de US$ 111 mil.
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Fuga para ativos tradicionais e pressão sobre o BTC

Investidores buscam refúgio em dólar e títulos públicos
Segundo analistas, o movimento de queda do Bitcoin está diretamente ligado à migração de capital para ativos mais seguros, como o dólar e os Treasuries (títulos da dívida pública dos EUA).
“A intensificação das tensões geopolíticas elevou a aversão ao risco nos mercados, gerando uma forte migração de capital para ativos tradicionais de refúgio, como dólar e Treasuries, o que tem afetado diretamente o Bitcoin’’, explica André Franco, CEO da Boost Research.
Suporte técnico pode ser testado em US$ 94.700
A tendência é que o BTC siga pressionado no curto prazo. A analista Ana de Mattos, da Ripio, alerta que ainda há um “vácuo de liquidez” na região de preço atual, indicando que a criptomoeda pode testar novos suportes em torno dos US$ 94.700.
Bitcoin perde fôlego, mas fundos institucionais seguem comprando
Gestoras como BlackRock e Fidelity seguem investindo
Apesar do desempenho fraco no mercado à vista, os fundos institucionais continuam apostando nos criptoativos. Somente na última semana, fundos regulados por gigantes como BlackRock, Fidelity, Grayscale, Bitwise, ProShares e 21Shares captaram US$ 1,24 bilhão.
Acúmulo de entradas líquidas bate recorde anual
Com esse volume, os fundos de cripto somam dez semanas consecutivas de entradas líquidas, acumulando US$ 14,1 bilhões. No ano, o total já chega a US$ 15,1 bilhões — um recorde histórico. Os ativos sob gestão desses produtos alcançam US$ 176 bilhões.
“Apesar do ambiente desafiador no curto prazo, o fluxo positivo de 10% nos ETFs de Bitcoin sinaliza que parte do mercado institucional ainda vê valor no ativo como proteção e oportunidade de longo prazo’’, avalia Guilherme Prado, country manager da Bitget.
Projeções para o preço do BTC continuam otimistas
Analistas enxergam potencial de alta expressiva
Mesmo diante das turbulências, analistas de casas renomadas como VanEck, Standard Chartered e Fundstrat continuam otimistas em relação ao desempenho do Bitcoin ao longo de 2025.
BTC pode chegar a US$ 250.000 ainda este ano
As projeções apontam que o BTC pode alcançar valores entre US$ 180.000 e US$ 250.000 até o final do ano, impulsionado por fatores como:
- Halving recente (redução da recompensa por bloco minerado);
- Consolidação dos ETFs nos EUA;
- Crescimento da adoção institucional;
- Possível redução das taxas de juros globais.
Exposição limitada é recomendada
“A exposição a criptoativos pode fazer sentido dentro de uma carteira diversificada, desde que respeitado o limite de risco. A recomendação comum é alocar até 5% do portfólio nesse tipo de ativo’’, destaca Prado.
Altcoins também sofrem com cenário geopolítico
Ethereum e Solana registram perdas significativas
A queda do Bitcoin não veio sozinha. Altcoins como Ethereum (ETH) e Solana (SOL) também registraram fortes perdas nos últimos dias, refletindo a cautela dos investidores em meio à tensão entre EUA e Irã.
Na mínima do fim de semana, o Ethereum caiu para US$ 2.111, seu menor nível desde o início de maio. A Solana chegou a tocar US$ 126, patamar não visto desde abril.
ETH e SOL: análise técnica e possíveis suportes
ETH pode recuar até US$ 1.620
Segundo Ana de Mattos, analista técnica, o ETH poderá buscar suportes em US$ 1.860 e US$ 1.620 caso a pressão de venda continue. As resistências mais relevantes estão nas faixas de US$ 2.400 e US$ 2.520.
Região atual da Solana é considerada zona de compra
Para a Solana, a região de US$ 126 é considerada uma zona de compra importante, com possibilidade de recuperação até os US$ 138 e US$ 147. No entanto, a analista também alerta para riscos adicionais:
“Se houver uma nova pernada de baixa, o preço da Solana poderá buscar os suportes das regiões de liquidez dos US$ 118 e US$ 105.”
Geopolítica: o fator decisivo de curto prazo
Bitcoin ainda responde a estresse externo como ativos tradicionais
Com os mercados altamente sensíveis ao conflito entre EUA e Irã, as criptomoedas mostram que, pelo menos no curto prazo, ainda não cumprem com firmeza o papel de refúgio em momentos de instabilidade.
“Apesar de toda a narrativa construída nos últimos anos, o mercado ainda responde à geopolítica com movimentos semelhantes aos ativos tradicionais, principalmente quando o risco atinge níveis extremos”, explica André Franco.
Ainda vale comprar Bitcoin na baixa?
Investidor deve considerar seu perfil de risco
A famosa frase “buy the dip” (compre na baixa) voltou ao debate entre os investidores. A resposta, no entanto, depende do perfil de risco e da estratégia de cada um.
Para quem acredita no potencial de valorização do Bitcoin no longo prazo, as quedas podem ser vistas como oportunidades. Mas é preciso estar preparado para a volatilidade extrema, característica do setor cripto.
Riscos e recompensas: um balanço necessário
Criptomoedas exigem cuidado e gestão de carteira
Investir em criptomoedas exige atenção redobrada a alguns pontos-chave:
- Liquidez: ativos cripto podem ter volatilidade severa e liquidez reduzida em momentos de estresse;
- Segurança: armazenar os ativos em carteiras seguras é essencial para evitar perdas por hacks ou erros;
- Regulação: mudanças regulatórias em países como EUA e Brasil podem impactar preços e acessibilidade;
- Psicologia de mercado: a euforia e o medo costumam amplificar os movimentos, criando ciclos intensos de alta e queda.
Conclusão: cautela com o curto prazo, otimismo no longo
O atual momento do mercado cripto é marcado por incertezas no curtíssimo prazo e otimismo cauteloso no longo. A tensão geopolítica está derrubando o Bitcoin, mas o crescimento do interesse institucional e as projeções ambiciosas de preço sugerem que o ativo pode continuar relevante nas próximas décadas.
Para o investidor, a chave é ter estratégia, gestão de risco e foco no longo prazo.