Na terça-feira, 20 de maio de 2025, o mercado de criptomoedas testemunhou um novo marco: o Bitcoin (BTC) atingiu um valor histórico de US$ 111.816, superando o recorde anterior de US$ 109.000, registrado em janeiro deste ano.
Bitcoin quebra recorde histórico com impulso da regulamentação das stablecoins nos EUA e alívio sobre tarifas
Bitcoin atinge valor recorde com otimismo sobre a regulamentação das stablecoins nos EUA e alívio nas tensões comerciais.
A disparada foi impulsionada por dois fatores centrais: o progresso de uma proposta legislativa no Congresso dos Estados Unidos voltada para a regulamentação das stablecoins e o arrefecimento de tensões comerciais provocadas pela política tarifária da administração Trump.
Essa combinação de ambiente regulatório mais previsível e alívio macroeconômico reacendeu o otimismo dos investidores institucionais e de varejo, resultando em um fluxo robusto de capital para o mercado cripto, especialmente para produtos como ETFs (fundos negociados em bolsa) de Bitcoin.
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Genius Act: marco regulatório para stablecoins ganha força no Congresso
O principal catalisador da nova alta do Bitcoin está relacionado ao Genius Act, um projeto de lei que está em tramitação no Senado e na Câmara dos Representantes dos EUA. O texto propõe a criação de um marco regulatório abrangente para as stablecoins, um segmento essencial da infraestrutura do ecossistema cripto.
O que são stablecoins e por que são importantes?
As stablecoins são criptomoedas cujo valor está atrelado a um ativo de referência, como:
- Moedas fiduciárias (ex: dólar americano, euro)
- Metais preciosos (ex: ouro, prata)
- Outras criptomoedas (ex: Bitcoin, Ethereum)
- Commodities (ex: petróleo, gás natural)
O objetivo dessas moedas estáveis é fornecer uma alternativa de baixo risco à volatilidade das criptos tradicionais, além de funcionarem como ponte para operações em DeFi (finanças descentralizadas), remessas internacionais, pagamentos e negociações em exchanges.
A resposta do Congresso
Apesar das objeções de parlamentares como a senadora democrata Elizabeth Warren, que alertou sobre riscos sistêmicos à estabilidade financeira e lacunas na proteção ao consumidor, o projeto recebeu apoio majoritário dos senadores.
A proposta agora aguarda votação na Câmara dos Representantes e, em caso de aprovação, segue para sanção presidencial por parte de Donald Trump, que ocupa atualmente seu segundo mandato.
Impacto projetado: mercado de stablecoins pode crescer para US$ 2 trilhões
Segundo análise do banco de investimentos Standard Chartered, caso o Genius Act seja aprovado e implementado, o setor de stablecoins poderá saltar dos atuais US$ 240 bilhões para US$ 2 trilhões em até três anos.
Esse crescimento se deve à possibilidade de que as reservas de lastro das stablecoins passem a ser majoritariamente compostas por títulos do Tesouro americano, reforçando a segurança e a credibilidade desses ativos.
“Se houver um quadro legal claro, as stablecoins deixarão de ser vistas como ameaça e passarão a ser adotadas por grandes instituições, bancos e governos”, afirmou um analista da Standard Chartered ao Financial Times.
Trump e o “tarifaço”: nova postura contribui para otimismo no mercado

Além da questão regulatória, outro fator que tem sustentado o rali do Bitcoin é a diminuição dos receios em torno do “tarifaço” promovido pela administração Trump nos primeiros meses do ano.
Medidas protecionistas adotadas pelo presidente causaram incerteza nos mercados, especialmente no comércio com a China e União Europeia, mas recentes declarações sinalizam uma flexibilização do tom.
Essa nova abordagem tem sido bem recebida por investidores, que voltaram a apostar em ativos de risco, como criptomoedas, ações e commodities emergentes.
ETF de Bitcoin atrai US$ 3,6 bilhões em maio e supera entradas de janeiro
Segundo dados da plataforma SoSoValue.com, os ETFs de Bitcoin nos EUA receberam US$ 3,6 bilhões em aportes durante o mês de maio — o maior volume desde janeiro, quando o BTC havia atingido sua máxima anterior.
Esse movimento demonstra a confiança crescente dos investidores institucionais, que veem o Bitcoin como uma reserva de valor legítima, especialmente diante de:
- Propostas regulatórias claras nos EUA
- Taxas de juros em possível fase de estabilização
- Adoção crescente por parte de grandes empresas
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O efeito dominó nas altcoins
A valorização do Bitcoin tem impulsionado outras criptomoedas relevantes. No mesmo período:
- Ethereum (ETH) teve alta de +4,5%
- Solana (SOL) avançou +1,9%
Esses ganhos reforçam a percepção de que o momento é de tendência positiva generalizada para o setor, especialmente em projetos com fundamentos sólidos e ecossistemas robustos.
Perspectivas futuras: para onde vai o Bitcoin agora?
Com o rompimento da resistência histórica dos US$ 110 mil, analistas de mercado já começam a projetar os próximos passos da criptomoeda. Há duas leituras predominantes:
1. Continuação da alta: US$ 120 mil no radar
Especialistas mais otimistas, como os da Galaxy Digital, acreditam que o Bitcoin pode chegar a US$ 120 mil ainda no primeiro semestre, caso o Genius Act avance rapidamente no Congresso e Trump mantenha a postura menos agressiva na política externa.
2. Possível correção técnica
Outros analistas alertam para o risco de uma correção de curto prazo, especialmente se o volume de negociações diminuir ou se houver realização de lucros por parte de baleias e fundos institucionais.
A regulamentação cripto nos EUA: um divisor de águas global?
Caso os Estados Unidos aprovem oficialmente uma regulação clara e funcional para as stablecoins, isso pode gerar um efeito cascata em outras jurisdições. Países como Reino Unido, Alemanha, Japão e Brasil observam com atenção o desenrolar do Genius Act.
“Uma legislação sólida nos EUA funcionaria como modelo global. Seria o início de uma nova era de legitimidade para ativos digitais”, disse Mariana Cortez, especialista em regulação financeira do Brookings Institution.
Conclusão: novo ciclo de alta do Bitcoin se fortalece com pilares institucionais

A valorização recente do Bitcoin não é fruto apenas de especulação. Trata-se de um movimento ancorado em avanços institucionais concretos, como a regulamentação iminente das stablecoins e a reconfiguração da política econômica americana.
Com um mercado em expansão, fluxo crescente de capitais institucionais e melhora no ambiente regulatório, o Bitcoin se posiciona como um dos principais ativos do novo ciclo macroeconômico global.
