O mercado de criptomoedas amanheceu em compasso de espera nesta quarta-feira, 4 de junho de 2025. O Bitcoin (BTC), maior criptoativo em valor de mercado, opera em leve baixa de 0,32%, cotado a US$ 105 mil, conforme dados do CoinMarketCap.
Bitcoin recua com impasse entre EUA e China; tensão comercial afeta criptomoedas e ativos de risco
Bitcoin recua com incertezas nas negociações entre Estados Unidos e China. Tensão comercial, tarifas e política monetária pressionam o mercado de criptomoedas.
A movimentação do preço reflete não apenas a realização parcial de lucros após semanas de valorização, mas também um aumento na cautela dos investidores diante da deterioração nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China.
Ao mesmo tempo, os principais índices futuros das bolsas americanas — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — mostravam estabilidade, com variações inferiores a 0,05%, indicando que o mercado tradicional também se encontra em estado de alerta.
Leia mais:
Tensões geopolíticas dominam o noticiário econômico
A decisão do presidente norte-americano Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio importados, que passou a valer oficialmente nesta quarta-feira, é o principal catalisador da tensão comercial.
A medida foi anunciada durante o fim de semana e já vinha gerando reações entre analistas e governos estrangeiros, especialmente o da China, maior parceira comercial dos EUA na Ásia.
Com o início da vigência da tarifa, o governo chinês elevou o tom e ameaçou retaliar com tarifas similares sobre commodities agrícolas americanas, reacendendo temores de uma nova escalada na guerra comercial que, durante o governo Trump anterior, já havia impactado profundamente os mercados.
Declarações de Trump acirram tensão diplomática
Na manhã desta quarta-feira, Donald Trump usou sua rede social Truth Social para criticar novamente o presidente chinês Xi Jinping, afirmando que ele é “extremamente difícil de negociar” e que um acordo está “muito longe de ser fechado”.
A retórica agressiva intensifica a aversão ao risco entre investidores globais, que buscam ativos mais conservadores em momentos de incerteza.
Reações do mercado cripto e macroeconômico

Com o aumento das incertezas e ausência de novos catalisadores positivos, o Bitcoin recua em um movimento técnico de consolidação, após semanas de alta. Desde o início do ano, a criptomoeda ainda acumula valorização superior a 12%, impulsionada por fatores como a aprovação dos ETFs à vista, o halving de abril e o crescente interesse institucional.
Entretanto, nos últimos dias, o impasse entre EUA e China tem reduzido o apetite ao risco, afetando diretamente ativos como criptomoedas, ações de tecnologia e commodities sensíveis ao comércio exterior.
“Temos um cenário em que o investidor global está cauteloso. A imposição de tarifas pode ter efeitos inflacionários e dificultar cortes de juros pelo Fed. Isso mexe com todas as classes de ativos, inclusive o Bitcoin”, analisa Beto Fernandes, especialista em criptoativos da Foxbit.
Ethereum e altcoins oscilam sem direção clara
O Ethereum (ETH), segundo maior criptoativo do mercado, registra estabilidade nesta manhã, cotado a US$ 2.617, com variação de apenas +0,1%. Entre as altcoins, o desempenho é misto:
- XRP (Ripple) sobe 0,7%, cotado a US$ 2,24
- Solana (SOL) recua 3,4%, a US$ 155,70
- BNB, token da Binance Smart Chain, sobe 0,6%, negociado a US$ 667,69
O valor de mercado total das criptomoedas gira em torno de US$ 3,43 trilhões, indicando estagnação momentânea.
Política monetária complica o cenário
Apesar do ambiente de tensão comercial e desaceleração econômica em alguns indicadores, o Federal Reserve (Fed) não sinaliza qualquer intenção de corte imediato na taxa básica de juros. Representantes da autoridade monetária afirmaram esta semana que preferem aguardar mais dados sobre a inflação antes de alterar a política monetária.
“O Fed está agindo com cautela, e muitos membros dizem que a inflação ainda é uma preocupação. O impacto das tarifas pode ser inflacionário, o que postergaria cortes de juros”, destaca André Franco, CEO da Boost Research.
Juros altos inibem tomada de risco
Com a taxa de juros nos EUA ainda elevada, investidores institucionais permanecem seletivos. Esse cenário limita a entrada de capital novo nos ativos mais voláteis, como criptoativos, o que também ajuda a explicar o atual movimento lateral do Bitcoin e a ausência de novas máximas.
ETFs de Bitcoin e Ethereum registram entrada líquida
Apesar da cautela no mercado à vista, os ETFs de Bitcoin à vista listados nas bolsas americanas apresentaram entrada líquida de US$ 375,1 milhões no pregão de terça-feira (3), interrompendo uma sequência de três dias de resgates líquidos.
Destaques entre os ETFs de BTC
Os principais responsáveis por essa entrada de capital foram:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- ARKB (Ark Invest): +US$ 139,9 milhões
- FBTC (Fidelity): +US$ 136,8 milhões
- IBIT (BlackRock): +US$ 58 milhões
Esse fluxo positivo sinaliza que, mesmo com a lateralização do preço, investidores institucionais continuam a alocar recursos em BTC com visão de longo prazo.
Fundos de Ethereum seguem atrativos
No mercado de ETFs de Ethereum, também houve entrada líquida de US$ 109,5 milhões, marcando o décimo segundo pregão consecutivo de captação positiva. Os destaques foram:
- ETHA (BlackRock): +US$ 77,1 milhões
- FETH (Fidelity): +US$ 21 milhões
Esse comportamento indica que a tese de investimento institucional em ativos digitais continua ativa, apesar da volatilidade geopolítica e incertezas no curto prazo.
Perspectivas para os próximos dias
Fontes diplomáticas informaram à imprensa internacional que existe a possibilidade de uma reunião presencial entre Donald Trump e Xi Jinping ainda esta semana, embora não haja confirmação oficial. Caso o encontro ocorra e resulte em algum avanço na pauta comercial, o alívio nos mercados pode impulsionar o Bitcoin e demais criptoativos.
H3: Indicadores macro a serem observados
Nos próximos dias, investidores estarão atentos a novos indicadores econômicos, como:
- Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA – 7 de junho
- Relatório de empregos payroll – 10 de junho
- Expectativas inflacionárias de curto e médio prazo
Qualquer surpresa nesses dados pode alterar as apostas sobre os próximos passos do Fed e impactar os preços dos ativos digitais.
Considerações finais

O recuo do Bitcoin nesta quarta-feira ocorre em um ambiente de pressão geopolítica, aversão ao risco e postura conservadora da política monetária americana.
Embora o movimento de baixa seja moderado, ele reflete um momento de espera por definições estruturais, tanto no plano internacional (EUA x China) quanto na agenda doméstica de juros e inflação nos EUA.
Ao mesmo tempo, os dados de entrada líquida nos ETFs mostram que a visão de longo prazo permanece positiva entre os grandes investidores, o que pode sustentar o preço do Bitcoin caso o cenário global se estabilize nas próximas semanas.
