Bitcoin dispara 15% após tarifaço de Trump enquanto altcoins enfrentam forte pressão no mercado
Um mês após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacender a guerra comercial com seu controverso “Dia da Libertação”, o cenário nos mercados financeiros globais se revela turbulento — e, curiosamente, favorável ao Bitcoin (BTC).
📌 DESTAQUES:
Bitcoin sobe quase 15% em um mês após novas tarifas comerciais de Trump, consolidando-se como porto seguro enquanto altcoins seguem em queda. Entenda o cenário atual.
Enquanto os índices acionários americanos recuaram e o temor se espalhou entre investidores, o Bitcoin avançou cerca de 14,67%, consolidando-se como um refúgio em tempos de incerteza geopolítica e econômica.
No dia 2 de abril de 2025, Trump anunciou um novo pacote de tarifas comerciais contra diversas nações, com o objetivo de eliminar o déficit comercial norte-americano. A medida, embora tenha agradado setores industriais e parte de sua base política, provocou inquietação nos mercados. Bolsas recuaram, commodities oscilaram e o dólar teve picos de volatilidade.
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Bitcoin em alta: o “porto seguro digital” volta à cena
O Bitcoin, historicamente posicionado como um ativo alternativo e um “porto seguro digital”, respondeu positivamente ao novo cenário. Ao longo de abril, enquanto os principais índices da bolsa americana, como o S&P 500 e o Nasdaq, registraram quedas de até 2%, o BTC atingiu a máxima de US$ 96.846,54, marcando um avanço de quase 15%.
Especialistas apontam que esse movimento é reflexo direto da busca por ativos descentralizados e não correlacionados com políticas nacionais.
Em um contexto de crescente protecionismo e instabilidade comercial, o Bitcoin é percebido por muitos investidores institucionais e de varejo como um mecanismo de proteção contra políticas fiscais e cambiais voláteis.
“A valorização do BTC reflete a crescente percepção de que ele pode servir como hedge contra riscos geopolíticos, especialmente quando medidas protecionistas são implementadas pelas principais potências mundiais”, explica Mariana Teixeira, analista-chefe da CriptoValor.
Altcoins sob pressão: a temporada das moedas alternativas ainda não chegou
Apesar da forte performance do Bitcoin, o mesmo não se pode dizer das chamadas altcoins — criptomoedas alternativas ao BTC. Os dados mais recentes do CoinMarketCap revelam que a maioria das altcoins permanece pressionada, com desvalorizações significativas no acumulado do ano.
Veja o desempenho das 10 principais criptomoedas por valor de mercado:
| # | Nome | Preço (USD) | Variação 24h | Variação 7d | Variação YTD |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Bitcoin (BTC) | 96.846,54 | +0,52% | +2,18% | +3,69% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 1.831,24 | -1,06% | +2,08% | -45,03% |
| 3 | Tether (USDT) | 1,00 | 0,00% | -0,02% | +0,22% |
| 4 | XRP (XRP) | 2,21 | -1,21% | +0,12% | +6,36% |
| 5 | BNB (BNB) | 597,69 | -0,98% | -1,58% | -14,74% |
| 6 | Solana (SOL) | 150,23 | -0,86% | -3,21% | -20,61% |
| 7 | USD Coin (USDC) | 0,9998 | -0,02% | -0,01% | -0,01% |
| 8 | Dogecoin (DOGE) | 0,1808 | +0,84% | -1,69% | -42,72% |
| 9 | Cardano (ADA) | 0,7049 | -0,26% | -2,76% | -16,45% |
| 10 | TRON (TRX) | 0,2457 | -1,23% | +0,77% | -3,31% |
Altseason distante: índice mostra fragilidade
De acordo com o “Altcoin Season Index”, também divulgado pelo CoinMarketCap, o mercado ainda está distante de vivenciar uma verdadeira altseason — período em que as altcoins superam o desempenho do Bitcoin por três meses consecutivos.
Atualmente, apenas 12 das 100 principais moedas apresentam valorização expressiva, com ganhos que chegam a 740%, enquanto a maioria amarga perdas superiores a 60%.
A dominância do Bitcoin (BTC.D) também se fortaleceu, indicando que investidores estão priorizando o ativo principal da rede em detrimento de criptoativos menores e mais arriscados.
Causas e consequências do tarifaço: o que está em jogo?
A nova rodada de tarifas imposta pelos EUA não apenas ressuscita a agenda protecionista de Trump, mas também reacende tensões diplomáticas e comerciais que haviam sido parcialmente adormecidas desde o fim de sua administração anterior.
A política mira principalmente na Ásia, Europa e América Latina, com sobretaxas sobre bens manufaturados, produtos agrícolas e tecnologia.
A justificativa de Trump é que as tarifas visam equilibrar a balança comercial e “trazer empregos de volta para casa”. No entanto, economistas alertam que medidas dessa natureza geralmente provocam efeitos colaterais como aumento da inflação, ruptura de cadeias produtivas e retaliações de países parceiros.
Como o mercado tradicional está reagindo
Com a incerteza instaurada, as bolsas americanas operaram no vermelho durante grande parte de abril. O S&P 500 caiu 1,8% e o Nasdaq recuou 2,1% no mês, refletindo o nervosismo dos investidores frente ao novo cenário protecionista.
O dólar, por sua vez, oscilou em relação a pares como o euro e o iene, enquanto o ouro registrou alta de 3,2%, outra indicação de aversão ao risco.
Bitcoin como hedge contra políticas instáveis
A valorização recente do Bitcoin em meio à instabilidade reforça uma tese cada vez mais debatida por economistas e gestores de portfólio: a de que o BTC pode atuar como hedge contra políticas monetárias e comerciais disfuncionais.
Em especial, seu caráter descentralizado e deflacionário o torna atraente em períodos de políticas expansionistas, controles de capital ou aumento de tarifas.
“Estamos vendo uma migração parcial de portfólios institucionais para o Bitcoin como forma de reduzir exposição a políticas intervencionistas. Isso ainda está longe de ser consenso, mas está ganhando força”, afirma Lucas Carvalho, gestor da FinTechChain Capital.
Desempenho futuro: o que esperar para o BTC e altcoins?
Com o BTC se aproximando da marca psicológica dos US$ 100 mil, analistas técnicos e fundamentalistas divergem sobre o timing da ruptura. Enquanto alguns projetam correções no curto prazo após o rally de abril, outros veem espaço para novas altas, especialmente se a aversão ao risco continuar nos mercados tradicionais.
O volume crescente nos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA também tem sido um suporte importante para a valorização da criptomoeda, além de impulsionar a legitimidade institucional do ativo.
Altcoins podem se recuperar?
No caso das altcoins, a perspectiva é mais cautelosa. Para que uma altseason se concretize, é necessário que o Bitcoin estabilize ou entre em fase de lateralização — o que costuma permitir que capitais se redistribuam para tokens alternativos.
No entanto, a pressão regulatória, liquidez limitada e falta de narrativas fortes tornam esse cenário menos provável no curto prazo.
Considerações finais: o Bitcoin se fortalece como ativo estratégico
A disparada do Bitcoin em meio à nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos marca mais um capítulo de sua consolidação como ativo estratégico global. Ao mesmo tempo em que políticas nacionais se tornam mais imprevisíveis, o apelo de uma moeda neutra, descentralizada e resistente à intervenção estatal cresce — tanto para investidores de varejo quanto institucionais.
Enquanto isso, as altcoins, embora ainda promissoras no longo prazo, enfrentam um cenário adverso, onde liquidez, narrativa e confiança institucional fazem toda a diferença.
Dicas para investidores
- Diversifique: mantenha exposição moderada a altcoins e priorize o Bitcoin em períodos de incerteza macroeconômica.
- Acompanhe a política: decisões geopolíticas impactam diretamente os mercados de criptomoedas.
- Fique atento à dominância do BTC: ela é um indicador chave para prever reversões de tendência e potenciais altseasons.
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