O preço do Bitcoin (BTC) voltou a subir com força nesta segunda-feira (26) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o adiamento da tarifa adicional de 50% sobre produtos importados da União Europeia.
Bitcoin se aproxima de US$ 110 mil após Trump adiar tarifas para a União Europeia e mercados reagem com alívio
Bitcoin sobe para quase US$ 110 mil após Donald Trump adiar tarifas à União Europeia. Entenda os impactos da decisão no mercado cripto.
A medida, que posterga a cobrança para 9 de julho, foi interpretada pelo mercado como um sinal de moderação nas tensões comerciais entre as potências econômicas ocidentais.
O resultado foi imediato no mercado de criptoativos: o Bitcoin subiu 2,47% em 24 horas, sendo negociado a US$ 109.600 por volta das 8h16 (horário de Brasília), de acordo com dados da CoinMarketCap. No acumulado de maio, a maior criptomoeda do mundo já registra uma valorização de 15%.
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Alívio nas tensões comerciais impulsiona mercados e criptomoedas
Segundo analistas, o gesto de Trump foi visto como uma tentativa de reduzir momentaneamente a pressão sobre os mercados financeiros globais.
“A medida trouxe alívio temporário às tensões comerciais, impulsionando os índices regionais e valorizando o euro frente ao dólar”, afirma André Franco, analista de investimentos cripto e CEO da Boost Research.
O euro, que vinha sendo pressionado pela expectativa de tarifas punitivas, subiu frente ao dólar após o anúncio. Bolsas europeias também abriram em alta, refletindo o otimismo renovado dos investidores internacionais.
Bitcoin como ativo de proteção
Nesse contexto, o Bitcoin voltou a ser visto como uma alternativa segura diante da instabilidade econômica e política global.
Seu desempenho reflete a percepção de que o ativo pode funcionar como reserva de valor, sobretudo em cenários onde ativos tradicionais estão sujeitos a volatilidade causada por decisões geopolíticas.
Bitcoin rompe recorde e se aproxima de nova máxima histórica

Na madrugada da última quinta-feira (22), o Bitcoin ultrapassou pela primeira vez a barreira dos US$ 111 mil, estabelecendo uma nova máxima histórica.
O movimento foi impulsionado pelo alívio nas tensões macroeconômicas, pela expectativa de acordo comercial entre EUA e União Europeia e pela possibilidade de um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia.
Com a alta recente, o Bitcoin acumula uma valorização de 15% apenas no mês de maio e mais de 100% nos últimos 12 meses.
ETFs e regulação também favorecem o rally
Outro fator que contribui para o bom momento do Bitcoin é a forte entrada de capital nos ETFs (fundos negociados em bolsa) lastreados em BTC. Estima-se que apenas em maio, os ETFs tenham recebido mais de US$ 3,6 bilhões em aportes.
Esse fluxo positivo está diretamente relacionado às discussões no Congresso norte-americano sobre a regulação do setor de criptoativos. O projeto conhecido como Genius Act, que trata da criação de regras para stablecoins, está sendo visto como um marco importante para a institucionalização do mercado.
Analistas alertam para risco de correção no curto prazo
Apesar da sequência de ganhos recentes, especialistas apontam que o rally do Bitcoin pode perder fôlego nas próximas semanas. “A tendência no curto prazo é de neutralidade, ao passo que novas medidas e negociações sobre as tarifas sob a União Europeia surjam”, diz Franco.
A imprevisibilidade das ações de Trump, conhecida pela adoção de medidas abruptas em sua política comercial, torna incerta a manutenção do atual sentimento positivo.
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Risco de recessão nos EUA ainda pesa
Outro fator que pode impactar negativamente o preço do Bitcoin é a crescente preocupação com uma possível recessão nos Estados Unidos. Indicadores econômicos recentes apontam para um desaquecimento na atividade industrial e uma queda no consumo das famílias norte-americanas.
Em caso de retração econômica, ativos de risco como o Bitcoin podem sofrer correções, principalmente se investidores institucionais optarem por realocar seus portfólios para ativos mais conservadores.
Cenário global favorece maior adoção de criptomoedas

O avanço do Bitcoin ocorre em um momento em que governos e bancos centrais discutem abertamente a emissão de moedas digitais de banco central (CBDCs) e a regulação das criptomoedas. Esse movimento de convergência entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto tem ampliado a legitimidade do setor.
Países adotam estratégias favoráveis
Além dos Estados Unidos, diversos outros países têm adotado medidas que favorecem a adoção de criptomoedas. No Japão, a autorização para que bancos tradicionais operem com ativos digitais já está em vigor. No Brasil, o Real Digital segue em fase de testes com o apoio do Banco Central.
A União Europeia também avança com seu pacote regulatório MiCA (Markets in Crypto-Assets), que visa trazer transparência e segurança ao setor.
Considerações finais
O adiamento das tarifas adicionais sobre a União Europeia por parte de Donald Trump gerou uma reação imediata nos mercados e impulsionou o preço do Bitcoin para próximo de US$ 110 mil. O gesto foi interpretado como uma tentativa de reduzir a tensão geopolítica, ainda que temporariamente, o que favoreceu ativos considerados de proteção, como o BTC.
Apesar do momento positivo, especialistas alertam que os riscos continuam presentes. A possibilidade de uma reversão na decisão de Trump, somada aos sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos, pode limitar os ganhos do Bitcoin no curto prazo.
No entanto, o movimento mais amplo de adoção institucional, avanço regulatório e integração com o sistema financeiro tradicional aponta para uma tendência de consolidação do mercado de criptoativos. Nesse cenário, o Bitcoin segue como protagonista e termômetro para o futuro da economia digital.
