Em nota recente, Matt Hougan, CIO da gestora Bitwise, afirmou que investidores globais estão cada vez mais substituindo as moedas fiduciárias — sobretudo o dólar — e até o ouro, pelo Bitcoin (BTC) como ativo de reserva de valor.
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O executivo identificou um “despertar” no mercado diante da “loucura” da impressão ilimitada de dinheiro e do enfraquecimento da confiança nos governos e bancos centrais.
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A “loucura” do dinheiro fiduciário
A era pós‑1971
Desde a desvinculação do dólar ao padrão‑ouro em 1971, os governos ocidentais imprimiram dinheiro em larga escala — em choques de liquidez durante crises como a pandemia de COVID-19. Esse comportamento passou a ser visto pelo mercado como insustentável, fomentando questionamentos:
“Talvez imprimir dinheiro do nada… seja realmente uma ideia maluca. Talvez o dinheiro exija limites”.
Desconfiança crescente
Essa retórica alimenta o ceticismo sobre estabilidade do dólar. Hougan afirma que o comprador institucional não pode mais confiar nas moedas fiduciárias como reservas sem questionar sua base.
Ouro em alta, mas desbancado pelo Bitcoin

Bancos centrais compram mais ouro
Em 2025, governos aceleraram aquisições de ouro — reconhecido como porto seguro em épocas de incerteza .
Bitcoin supera ETFs de ouro
Desde janeiro de 2024, ETFs de Bitcoin atraíram cerca de US$ 45 bilhões, comparados a US$ 34 bilhões em ETFs de ouro — um claro sinal da mudança de preferência .
Bitcoin: o novo “ouro digital”?
Com oferta limitada, divisibilidade e portabilidade, o Bitcoin se posiciona como concorrente direto do ouro tradicional — reunindo atributos que o ouro moderno, em muitos casos, não oferece.
Bitcoin como hedge fiduciário
Empresas adotam Bitcoin como proteção
Empresas públicas estão armazenando Bitcoin em seus balanços como hedge contra a desvalorização do dólar. Hougan descreve esse movimento como um megatrend que se expande rapidamente.
Reserva estratégica nos EUA
Projetos de lei e ordens executivas — inclusive a proposta de uma Reserva Estratégica de Bitcoin nos EUA — reforçam a narrativa de que o Bitcoin está sendo tratado com o mesmo peso dos ativos oficiais.
Por que agora? O cenário convergente
Liquidez excessiva e déficits crescentes
A política monetária excessivamente expansionista fez com que o dólar perdesse valor relativo — pressionando investidores a buscar alternativas mais estáveis.
Bitcoin amadurecendo como ativo macro
Segundo Hougan, o Bitcoin se comporta cada vez mais como ativo macroeconômico maduro — reagindo menos a pânico e mais a fundamentos de portfólio.
Maturidade institucional
Comumente ignorado, o Bitcoin se tornou “o melhor cavalo nessa corrida” para empresas e investidores institucionais precavidos.
Implicações para o futuro financeiro
Diversificação de reservas mundiais
O papel do dólar como única reserva global pode ser fragmentado — abrindo caminho para uma cesta que cada vez mais inclua Bitcoin e ouro.
Pressão por capitalização
Para governos e grandes instituições investirem em Bitcoin, a capitalização de mercado (em torno de US$ 2 trilhões) ainda é considerada pequena. A tendência é que este número cresça significativamente.
Portfólios em transição
A adoção de Bitcoin está impactando estruturas tradicionais, com sugeridas alocações de até 5% em portfólios 60/40 — melhorando retorno e reduzindo risco.
Comparando Bitcoin e ouro como reservas
Distinções fundamentais
- Ouro: estabilidade histórica, baixa volatilidade, alta segurança.
- Bitcoin: alta volatilidade, mas superior portabilidade, divisibilidade e rastreabilidade.
Tendência nos ETFs
Enquanto os ETFs de ouro cresceram, os de Bitcoin estão superando ganhos, refletindo atração superior pelo criptoativo ágil e digital.
Sinais de adoção institucional
Aumento de empresas adotando Bitcoin
Mais de 79 companhias públicas somam US$ 57 bilhões em Bitcoin embolsado, incluindo empresas recentes como GameStop.
Estratégia oficial nos EUA
A ordem do presidente Trump por uma reserva estratégica representa um movimento geopolítico decisivo contra o último risco institucional do Bitcoin.
Carta de Matt Hougan: visão sem rodeios
“Talvez imprimir dinheiro do nada […] seja realmente uma ideia maluca. Tal‑vez o dinheiro exija limites.”
Essa visão reflete seu entendimento de que:
- O modelo fiduciário está sob ataque;
- O Bitcoin preenche uma lacuna estrutural;
- A adoção continuará, mesmo que limitada por fatores como capitalização atual e regulamentação.
Riscos e contrapontos
Volatilidade ainda real
Mesmo maduro, o BTC ainda enfrenta correções acentuadas — exigindo cautela e estratégias de longo prazo .
Competição regulatória
Moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) podem disputar o espaço do Bitcoin como alternativa, especialmente em controle governamental.
Timing e valorização
Metas de preço audaciosas — como US$ 200 000 ou US$ 500 000 — exigem maturidade continuada, capitalização crescente e maior aceitação .
Conclusão: Bitcoin no centro da nova reserva global

A Bitwise, representada por Matt Hougan, posiciona o Bitcoin não apenas como mercado, mas como pivô estrutural no futuro financeiro global. A moeda digital é vista como resposta inteligente à falibilidade do modelo fiduciário pós-1971, oferecendo escassez, soberania e descentralização.
Quer se trate de ETFs batendo ouro, corporações adotando BTC ou governos criando reservas digitais, o Bitcoin está sendo reescrito — de ativo especulativo a reserva estratégica.
O impulso é claro: a economia global está acordando para o “trade mais puro contra a loucura do dinheiro impresso”. Para investidores e instituições, a mensagem é clara: o Bitcoin já não é apenas criptomoeda — é sinal da nova ordenação do capital global.
