O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mercado, é frequentemente alvo de análises e modelos que tentam estimar seu valor justo. Entre os mais conhecidos está o modelo Stock-to-Flow (S2F), criado por um analista pseudônimo conhecido como PlanB.
Segundo ele, o Bitcoin está profundamente subvalorizado e, com base em fundamentos matemáticos e comparações com ativos como ouro e imóveis, deveria estar valendo pelo menos US$ 1 milhão por unidade.
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Mais do que isso: ao aplicar o modelo a outros mercados como o imobiliário, PlanB defende que o BTC poderia ultrapassar a impressionante marca de US$ 5,8 milhões. As declarações reacenderam debates sobre a validade do S2F e o verdadeiro potencial do Bitcoin.
Leia mais:
O que é o modelo Stock-to-Flow (S2F)?
Origem e conceito
O modelo Stock-to-Flow (Estoque para Fluxo) é uma métrica comumente usada para avaliar a escassez de ativos. Ele mede a relação entre a quantidade total de um ativo disponível (stock) e a quantidade produzida anualmente (flow). Quanto maior o valor S2F, mais escasso é o ativo.
Aplicação ao Bitcoin
O Bitcoin, com sua emissão limitada a 21 milhões de unidades e halvings periódicos (eventos que cortam pela metade a recompensa por blocos minerados), encaixa-se bem nesse modelo. Segundo PlanB:
- Stock-to-Flow do ouro: 60;
- Stock-to-Flow do Bitcoin: 120.
Ou seja, o BTC seria duas vezes mais escasso que o ouro.
A tese de subvalorização do Bitcoin

Comparação com o ouro
Apesar da maior escassez, o valor de mercado do ouro gira em torno de US$ 20 trilhões, enquanto o do Bitcoin está próximo dos US$ 2 trilhões.
Na visão de PlanB, essa diferença não faz sentido, e o BTC deveria estar cotado a pelo menos 10 vezes o preço atual, o que equivaleria a mais de US$ 1 milhão por unidade.
“Na minha opinião, o Bitcoin está ao menos 10 vezes subvalorizado”, escreveu PlanB nas redes sociais.
Comparação com o mercado imobiliário
PlanB também extrapola o modelo para o mercado imobiliário global, especialmente o residencial. Estima-se que esse setor tenha uma capitalização superior a US$ 100 trilhões e uma razão S2F de cerca de 100.
Com isso, o Bitcoin, segundo esse raciocínio, poderia estar até 50 vezes subvalorizado, levando seu preço potencial para US$ 5,8 milhões.
As previsões anteriores de PlanB
A previsão de janeiro de 2023
PlanB relembrou uma previsão feita em janeiro de 2023, durante um dos piores momentos do mercado cripto, após a falência da FTX.
Na ocasião, com o BTC cotado a cerca de US$ 18.000, ele projetou que a criptomoeda ultrapassaria os US$ 100.000 no ciclo de alta de 2025. A previsão se mostrou acertada: atualmente, o Bitcoin flutua em torno dos US$ 118.000.
“Muito feliz com minha previsão de janeiro de 2023”, escreveu o analista.
O preço justo do BTC segundo o modelo S2F
De acordo com o modelo atualizado, o Bitcoin deveria estar cotado a US$ 352.000 nesta semana, quase três vezes mais do que o valor atual de mercado.
Críticas ao modelo Stock-to-Flow
Falta de embasamento científico
Apesar de sua popularidade, o S2F é frequentemente criticado por economistas e analistas. Entre os principais argumentos contra o modelo estão:
- Ignora demanda: o modelo considera apenas o lado da oferta, desconsiderando aspectos da demanda.
- Ciclos imprevisíveis: o mercado de criptomoedas é influenciado por eventos macroeconômicos, regulações e sentimento dos investidores.
- Previsões inconsistentes: em determinados períodos, o S2F falhou em antecipar quedas ou estagnações no preço do BTC.
O contraponto dos defensores
Por outro lado, entusiastas do Bitcoin e seguidores de PlanB argumentam que o modelo, embora não perfeito, fornece um arcabouço coerente para entender o impacto da escassez na valorização de ativos digitais.
O impacto da escassez na valorização
Oferta fixa
O Bitcoin possui um limite fixo de 21 milhões de unidades, o que o torna único entre ativos financeiros. Diferente de moedas fiduciárias, que podem ser impressas à vontade por bancos centrais, o BTC oferece previsibilidade absoluta na emissão.
Halvings e redução da inflação
A cada quatro anos, ocorre um halving — redução pela metade da recompensa dos mineradores. Esse evento diminui a taxa de emissão de novos BTCs e aumenta o valor do S2F, elevando a escassez do ativo.
- 2020: 12,5 → 6,25 BTC por bloco;
- 2024: 6,25 → 3,125 BTC por bloco (último halving).
Pressão de demanda institucional
Com a entrada de ETFs de Bitcoin, adoção por empresas e nações explorando o uso do BTC como reserva, a demanda tende a aumentar, o que pode validar os prognósticos mais otimistas do modelo.
O que dizem outros analistas
Projeções alternativas para o preço do BTC
- Cathie Wood (ARK Invest): US$ 1,5 milhão até 2030;
- Standard Chartered: US$ 200 mil até fim de 2025;
- Robert Kiyosaki: US$ 300 mil em breve.
O papel do macroambiente
Especialistas afirmam que o preço do Bitcoin também depende de:
- Política monetária do Fed;
- Inflação global;
- Crises geopolíticas;
- Regulações nos EUA e União Europeia.
A psicologia do mercado e os ciclos de alta
Bull markets impulsionados por narrativa
A crença coletiva em narrativas como “Bitcoin ouro digital” ou “hedge contra inflação” tem grande peso na formação de bull markets. O modelo S2F funciona como ferramenta narrativa para reforçar expectativas de valorização.
Correções inevitáveis
Mesmo que o preço atinja valores altos, correções bruscas são comuns. Investidores devem considerar riscos e não tomar modelos como garantias absolutas.
Conclusão: o Bitcoin realmente vale mais do que parece?

O modelo Stock-to-Flow, apesar das críticas, continua sendo um dos mais discutidos quando se trata de precificar o Bitcoin. Para PlanB, a criptomoeda está massivamente subvalorizada, com um potencial que pode superar US$ 1 milhão e até US$ 5,8 milhões por unidade.
Mesmo que tais valores pareçam exagerados à primeira vista, o crescimento da demanda institucional, a escassez estrutural e a força das narrativas favoráveis ao BTC indicam que o ativo ainda tem um longo caminho de valorização pela frente.

