Nos últimos anos, a economia global tem vivido um ambiente de instabilidade, marcado por sanções comerciais, guerras cambiais e conflitos geopolíticos.
Suíça debate Bitcoin como reserva nacional: movimento ganha força diante de instabilidades globais
Em meio à instabilidade global, cresce na Suíça um movimento popular pedindo que o banco central do país adote o Bitcoin como parte de suas reservas. Entenda os impactos e os paralelos com o Brasil.
Um dos catalisadores mais recentes desse cenário foi a política de tarifas impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afetou diretamente a força do dólar e provocou reações em cadeias de fornecimento internacionais.
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A proposta de referendo na Suíça
Diante desse cenário, ativistas pró-Bitcoin na Suíça lançaram uma proposta ousada: alterar a Constituição Suíça para obrigar o Banco Nacional Suíço (BNS) a manter Bitcoin como parte de suas reservas nacionais, ao lado do ouro.
O movimento ganhou trânsito popular e pode culminar em um referendo nacional, um mecanismo comumente utilizado na democracia direta suíça.
O argumento a favor do Bitcoin: independência e resiliência
Atualmente, três quartos das reservas do BNS estão atreladas ao dólar e ao euro. Para os ativistas, isso expõe a economia suíça à influência política e à instabilidade desses blocos monetários.
Bitcoin como “ouro digital”
Luzius Meisser, membro do conselho da corretora Bitcoin Suisse, defende que manter Bitcoin faz sentido em um mundo que caminha para a multipolaridade monetária.
“Com o dólar e o euro se fragilizando, o Bitcoin surge como uma alternativa soberana e digital ao ouro”, disse Meisser, que discursará na assembleia anual do BNS em Berna.
A Suíça é amplamente reconhecida como uma das maiores incentivadoras da inovação blockchain. A cidade de Zug, sede de inúmeras startups cripto, ficou conhecida como o “Vale das Criptomoedas”. Projetos como Ethereum tiveram raízes na região.
A resistência do Banco Nacional Suíço
Apesar da pressão popular, o BNS se mostra reticente. O presidente Martin Schlegel afirmou em entrevista que considera o Bitcoin um software sujeito a bugs e vulnerabilidades, além de levantar preocupações com liquidez e volatilidade.
Yves Bennaim, organizador da Iniciativa Bitcoin, rebateu essas críticas alegando que o Bitcoin é um dos sistemas mais robustos e auditáveis da história da TI. “A tecnologia é segura e o mercado é profundo o suficiente para absorver liquidez institucional”, declarou.
O precedente de El Salvador: lições e inspirações
El Salvador foi o primeiro país a tornar o Bitcoin moeda de curso legal e a incluí-lo em seu tesouro nacional. Desde 2021, as reservas em BTC do país mais que dobraram de valor, alcançando US$ 544 milhões.
A medida foi criticada por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que teme pela estabilidade macroeconômica dos países que adotam ativos voláteis em suas reservas. Apesar disso, a estratégia de longo prazo adotada por El Salvador tem sido defendida por entusiastas como visionária.
Bitcoin como reserva no Brasil: um projeto em análise

Proposta do deputado Eros Biondini
Seguindo uma linha semelhante, o deputado federal brasileiro Eros Biondini (PL-MG) protocolou no fim de 2024 um projeto de lei que propõe a criação de uma reserva soberana de Bitcoin no Brasil. O limite seria de até 5% das reservas internacionais.
Justificativas para a proposta
O parlamentar argumenta que a medida aumentaria a resiliência da economia brasileira frente a choques externos, como desvalorizações cambiais e instabilidades geopolíticas. O BTC, segundo ele, atuaria como hedge financeiro.
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Situação atual da tramitação
O projeto ainda está na fase inicial e precisa passar pelas comissões da Câmara antes de seguir ao Senado e à sanção presidencial. Caso aprovado, o Brasil se tornaria um dos primeiros países em desenvolvimento a adotar essa estratégia.
Criptomoedas em ascensão: dados que sustentam o movimento
Estudo da Universidade de Lucerna aponta que 11% da população suíça já investe em criptoativos. O dado reflete não apenas a cultura financeira avançada do país, mas também sua abertura à inovação tecnológica.
Em 2025, o Bitcoin alcançou capitalização de mercado próxima a US$ 2 trilhões, consolidando-se como o maior ativo descentralizado do mundo. Isso aumenta seu apelo como reserva alternativa diante de moedas fiduciárias vulneráveis.
Riscos e considerações
Apesar do crescimento e da adoção crescente, o Bitcoin ainda apresenta oscilações consideráveis. Para um banco central, que busca previsibilidade e estabilidade, isso é um fator a ser ponderado.
O movimento na Suíça reabre um debate fundamental sobre o que constitui uma reserva segura. Será que, em um mundo cada vez mais digital e descentralizado, o ouro digital poderá realmente substituir ou complementar o ouro físico?
Conclusão: Um futuro em construção
A proposta que ganha força na Suíça representa um marco simbólico e potencialmente histórico para o ecossistema cripto. Se aprovado, o movimento poderia abrir as portas para uma nova era de diversificação monetária global, onde o Bitcoin deixa de ser apenas um ativo especulativo para se tornar parte integral da gestão soberana de riquezas.
Enquanto isso, o mundo observa, com atenção redobrada, os desdobramentos dessa iniciativa. Afinal, o que hoje é polêmico, amanhã pode ser tendência.
