O bitcoin (BTC) voltou a ocupar o centro das atenções nos mercados globais ao ultrapassar o patamar simbólico dos US$ 100 mil — um marco que reforça a resiliência e o apetite dos investidores pelo principal ativo digital do mundo. Apesar de ainda estar cerca de 4% abaixo de sua máxima histórica, registrada em US$ 109.114,88, analistas indicam que o cenário atual pode favorecer um novo rompimento de recorde em breve.
O que falta para o bitcoin (BTC) atingir seu recorde histórico? Especialistas comentam
Bitcoin ultrapassa US$ 100 mil e se aproxima do recorde; veja fatores que influenciam a valorização.
No entanto, barreiras técnicas e fatores macroeconômicos globais ainda exigem cautela por parte dos investidores. Enquanto o suporte técnico em US$ 102 mil se mostra decisivo, analistas projetam que a superação da resistência dos US$ 107 mil pode abrir caminho para alvos mais ambiciosos, como US$ 122 mil e até US$ 124 mil.
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O que está impulsionando o bitcoin em 2025?
A recente disparada do bitcoin não é fruto do acaso. Especialistas destacam uma série de fatores que ajudam a explicar o movimento de valorização nos últimos dias.
Adoção institucional crescente
A entrada de empresas com grande capital no mercado cripto segue firme. Segundo Theodoro Fleury, diretor de investimentos da QR Asset Management, a aproximação do BTC com sua máxima histórica tem sido impulsionada pela adoção institucional consistente. Entre os destaques estão:
- MicroStrategy, que continua acumulando BTC como estratégia de longo prazo;
- Metaplanet, empresa japonesa que tem aumentado sua exposição ao ativo digital;
- Méliuz, companhia brasileira que também realizou aportes em bitcoin.
Outro fator simbólico foi a inclusão da exchange Coinbase no índice S&P 500, movimento que reforça a legitimidade e o amadurecimento do setor de criptoativos.
Ambiente macroeconômico favorável
Para André Franco, CEO da Boost Research, a conjuntura global também tem favorecido ativos de risco como o bitcoin. Ele destaca:
- Pausa de 90 dias nas tarifas nos Estados Unidos;
- Perspectiva de corte na taxa de juros americana ainda em 2025;
- Avanço de regulamentações pró-cripto, com destaque para a aprovação do Genius Act no Congresso dos EUA.
Segundo Franco, essa combinação de fatores cria um ambiente propício para que o BTC atinja novas máximas nos próximos 90 dias.
Aspectos técnicos: BTC em canal ascendente, mas com resistências

Sob a ótica da análise técnica, o BTC permanece dentro de um canal de alta de médio prazo, mas enfrenta resistência relevante na faixa de US$ 107 mil, de acordo com Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
Níveis críticos de suporte e resistência
- US$ 102 mil: suporte importante. A perda deste nível pode sinalizar uma correção mais severa.
- US$ 107 mil: resistência imediata. Romper esse nível é essencial para mirar os US$ 109 mil.
- US$ 109 mil: máxima histórica anterior. Um rompimento claro pode projetar o preço para os US$ 122 mil ou US$ 124 mil, segundo projeções técnicas.
Prado observa que as recentes liquidações de mais de US$ 675 milhões criaram zonas de liquidez que servem como pontos de defesa e ataque dos traders. Esses níveis tendem a concentrar ordens de compra e venda, influenciando diretamente a volatilidade.
Otimismo cauteloso: o cenário ainda exige atenção
Apesar do momento positivo, os analistas mantêm uma postura de otimismo com cautela. Isso porque, além dos fatores técnicos, o ambiente macroeconômico global ainda apresenta riscos que podem frear o avanço do bitcoin.
Rebaixamento do rating dos EUA
Um ponto de alerta citado por Fleury, da QR Asset Management, é o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência Moody’s — de Aaa para Aa1. O motivo: aumento da dívida federal e déficits persistentes. Esse cenário cria uma nuvem de incerteza que afeta todos os mercados, incluindo os criptoativos.
Além disso, uma desaceleração no fluxo institucional ou novos choques econômicos globais podem levar a quedas abruptas, principalmente se o suporte de US$ 102 mil for perdido.
Possibilidade de corte de juros: o grande gatilho
Para André Franco, o principal impulsionador do BTC nos próximos meses será a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros. O mercado trabalha com a expectativa de um primeiro corte em setembro de 2025, mas se isso for antecipado para junho, o impacto pode ser imediato.
“Se ocorresse um adiantamento para junho, ou mesmo qualquer período antes de setembro, já seria o potencial para termos uma boa pernada do BTC”, afirma Franco.
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E se o suporte for perdido?
A manutenção do suporte em US$ 102 mil é fundamental, segundo Prado, da Bitget. Caso esse nível seja rompido para baixo, o BTC pode entrar em uma fase de correção acentuada, com perdas rápidas e expressivas.
Os analistas alertam para o risco de um recuo até US$ 96 mil ou US$ 94 mil, caso o mercado perca força compradora ou surjam sinais de retirada de capital institucional.
O que esperar nos próximos 90 dias?
O mercado está, portanto, em uma encruzilhada. De um lado, o cenário técnico aponta para um potencial de valorização, desde que os níveis de suporte se mantenham e que o rompimento da resistência em US$ 107 mil ocorra com força.
De outro, o contexto global — apesar de favorável no momento — ainda apresenta vulnerabilidades, que podem adiar ou limitar o avanço do BTC.
Principais pontos de atenção para o investidor:
- Acompanhar as decisões do Fed sobre juros;
- Monitorar os movimentos institucionais, como compras e vendas de BTC por grandes empresas;
- Observar os níveis técnicos de suporte e resistência;
- Estar atento a eventuais choques macroeconômicos, como crises geopolíticas ou alterações cambiais.
Bitcoin como ativo de portfólio: diversificação e cautela

Vale reforçar que o mercado de criptomoedas é altamente volátil. Embora o bitcoin tenha demonstrado resiliência ao longo dos anos, movimentos de alta intensos também são seguidos por correções bruscas.
Especialistas recomendam que o BTC comprometa apenas uma parcela moderada da carteira — geralmente entre 1% e 10%, dependendo do perfil de risco do investidor.
Investidores devem considerar o bitcoin como um ativo de longo prazo, com potencial de valorização superior, mas que exige:
- Disciplina,
- Diversificação,
- E, principalmente, gestão emocional diante das flutuações.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
