Nos últimos meses, dados do mercado apontam para uma mudança significativa no comportamento das tesourarias corporativas em relação a criptoativos. Enquanto o Bitcoin (BTC) permaneceu próximo às suas máximas históricas, o ritmo de novas aquisições por empresas registrou desaceleração.
Segundo o fundador da Capriole Investments, Charles Edwards, o número de empresas comprando Bitcoin para fortalecer seus balanços caiu para apenas 2,8 compras por dia, mesmo diante de desempenho recorde de preço da cripto pioneira.
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“Isso pode refletir uma saturação entre empresas de finanças tradicionais ou ser apenas uma desaceleração temporária da demanda”, disse Edwards.
A tendência sugere que, embora o Bitcoin ainda detenha grande relevância como ativo corporativo, sua posição dominante está sendo questionada diante do crescimento do Ethereum (ETH) e outras altcoins.
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Cresce o interesse corporativo em Ethereum e altcoins
Enquanto a demanda por Bitcoin desacelera, Ethereum e altcoins estão atraindo atenção crescente de tesourarias corporativas. Empresas que buscam diversificação de portfólio e maior potencial de retorno estão investindo em ETH, BNB, Dogecoin e PENGU.
Geoff Kendrick, chefe de Pesquisa de Ativos Digitais do Standard Chartered, argumentou que empresas de tesouraria de Ethereum podem oferecer melhor valor que ETFs de ETH à vista nos EUA:
“Não vejo razão para o múltiplo NAV cair abaixo de 1,0. Essas empresas oferecem arbitragem regulatória para investidores e podem ser um ativo melhor que ETFs de ETH à vista.”
Essa mudança reflete uma tendência de diversificação corporativa que vai além do Bitcoin, sinalizando uma possível mudança no equilíbrio de poder dentro do mercado institucional de criptoativos.
O apelo das altcoins
Altcoins como BNB, Dogecoin e PENGU têm ganhado espaço em tesourarias corporativas, especialmente entre empresas que buscam maior potencial de valorização ou proteção contra a volatilidade do Bitcoin.
- BNB é popular por sua integração com o ecossistema Binance;
- Dogecoin, apesar de volatilidade histórica, atrai empresas em busca de liquidez rápida e comunidade engajada;
- PENGU, moeda menos conhecida, tem sido adotada por startups focadas em DeFi e gaming.
“O interesse crescente por Ethereum e altcoins indica que as empresas estão cada vez mais abertas a experimentar estratégias alternativas de tesouraria”, afirmou Geoff Kendrick.
Desafios e riscos da diversificação

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que criptomoedas não resolvem problemas estruturais corporativos. Andrew Bailey, pesquisador sênior do Bitcoin Policy Institute, destaca que:
“A maioria das novas empresas de tesouraria são artifícios e provavelmente falharão. Um negócio mal administrado não se torna bom apenas porque está adquirindo dinheiro sólido.”
Esse alerta reforça a importância de avaliação estratégica, já que a diversificação para Ethereum e altcoins pode gerar ganhos, mas também expor empresas à volatilidade e riscos regulatórios.
Casos de sucesso e investimento institucional
Apesar dos riscos, o capital institucional segue fluindo para o setor. Um exemplo é a Pantera Capital, que investiu US$ 300 milhões em seu portfólio de Tesouraria de Ativos Digitais (DAT), incluindo empresas como:
- BitMine Immersion;
- Twenty One Capital;
- DeFi Development Corp;
- SharpLink Gaming;
- Satsuma Technology;
- Verb Technology;
- CEA Industries;
- Mill City Ventures III.
Essas empresas possuem diversas criptos em tesouraria, incluindo Bitcoin, Ethereum, Solana, BNB, TON, Hyperliquid, Sui e Ethena, operando nos EUA, Reino Unido e Israel.
Ethereum e ETFs corporativos
Um ponto relevante para empresas que migram para Ethereum é o papel dos ETFs corporativos de ETH, que permitem exposição a Ethereum com estrutura regulamentada. No entanto, Geoff Kendrick observa que empresas de tesouraria podem superar ETFs, oferecendo arbitragem regulatória e potencial de retorno mais atraente.
“O múltiplo NAV das empresas de tesouraria de ETH está atualmente acima de 1, oferecendo oportunidade de aquisição mais vantajosa que ETFs à vista”, explicou Kendrick.
Motivações para diversificação além do Bitcoin
Empresas buscam Ethereum e altcoins por diversos motivos:
- Potencial de crescimento: Ethereum oferece smart contracts e DeFi, ampliando oportunidades de valorização;
- Diversificação de risco: Reduz exposição única ao BTC, mitigando impactos de correções;
- Estratégias de liquidez: Altcoins menores podem ser movimentadas mais rapidamente;
- Aproveitar ventos favoráveis do mercado: Alguns negócios recorrem à cripto para revitalizar tesourarias ou explorar oportunidades emergentes.
“A migração para Ethereum e altcoins não necessariamente indica abandono do Bitcoin, mas sim uma estratégia mais diversificada”, destacou Charles Edwards.
Impacto no mercado cripto
O aumento da adoção de Ethereum e altcoins por empresas pode alterar o equilíbrio de poder dentro do mercado institucional de criptoativos:
- Bitcoin ainda domina, mas sua taxa de crescimento corporativo está desacelerando;
- Ethereum e altcoins ganham espaço, mostrando maior apelo em diversificação e retorno potencial;
- O mercado pode entrar em nova fase de competição entre ativos digitais, com impacto em liquidez e valuation.
Essa tendência levanta questões estratégicas:
- Será que empresas estão buscando crescimento real ou apenas hedge contra volatilidade do Bitcoin?
- A mudança é secular ou apenas uma diversificação de curto prazo?
Perspectivas para o futuro da tesouraria corporativa
Especialistas acreditam que a demanda por Ethereum e altcoins deve crescer, especialmente se o mercado institucional continuar expandindo suas operações.
- Charles Edwards: a desaceleração do BTC pode ser temporária, enquanto empresas exploram novas oportunidades de investimento;
- Geoff Kendrick: empresas de tesouraria podem superar ETFs, tornando-se alternativa mais lucrativa e flexível;
- Andrew Bailey: alerta sobre sustentabilidade e riscos de concentração, lembrando que cripto não substitui governança e gestão corporativa.
Considerações finais

A desaceleração do Bitcoin nas tesourarias corporativas, combinada com o crescimento do Ethereum e altcoins, indica uma mudança estratégica significativa no mercado de criptoativos.
Enquanto BTC mantém relevância histórica, empresas estão explorando novas alternativas, buscando diversificação, maior retorno e exposição a tecnologias emergentes como DeFi, NFTs e smart contracts.
“A mudança no equilíbrio de poder entre Bitcoin, Ethereum e altcoins pode redefinir estratégias corporativas de tesouraria para os próximos anos”, conclui Charles Edwards.
O cenário sugere que Ethereum e altcoins não são apenas complementos, mas potenciais protagonistas na próxima fase da adoção institucional de criptoativos, abrindo caminho para uma diversificação mais sofisticada e estratégica.
