O Bitcoin (BTC) entrou na última semana de abril de 2025 com fôlego renovado. Após oscilar durante o feriado de Páscoa, a principal criptomoeda do mundo retomou sua trajetória de valorização e superou a marca dos US$ 91 mil, rompendo resistências técnicas e renovando o otimismo dos investidores globais.
Bitcoin ultrapassa US$ 91 mil e mercado projeta novos topos: até onde vai a maior criptomoeda?
Com o Bitcoin acima dos US$ 91 mil, especialistas avaliam os fatores por trás da valorização e projetam até onde pode ir o preço da maior criptomoeda do mundo. Entenda os cenários técnico e macroeconômico.
Na manhã desta terça-feira (22), o Bitcoin atingiu máximas de US$ 91.500, marcando um avanço de mais de 22% em relação à mínima recente registrada no início do mês.
A movimentação reacende o debate entre analistas sobre até onde o BTC pode subir nesta nova fase de alta, diante de um cenário macroeconômico turbulento, mas potencialmente favorável para ativos digitais.
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Análise técnica aponta para resistência em zona crítica de liquidez
Segundo a analista técnica e trader parceira da Ripio, Ana de Mattos, o Bitcoin vem de uma trajetória ascendente significativa desde que testou a região dos US$ 74.508, em 7 de abril. De lá até o fechamento do dia 21, a criptomoeda chegou a US$ 89.888, consolidando uma valorização robusta em menos de 15 dias.
Com a nova máxima intradiária de US$ 91.500, o BTC reforça seu impulso positivo, embora enfrente forte resistência técnica nessa faixa de preço, conforme destaca Mattos.
“A região dos US$ 91.500 é altamente líquida e pode atrair força vendedora, o que pode gerar correções ou lateralizações no curto prazo. É um ponto de atenção para os traders”, afirmou a especialista.
Estrutura técnica segue bullish, mas exige cautela
Mattos ressalta que o gráfico diário do Bitcoin ainda apresenta uma estrutura de alta (bullish). Indicadores como o RSI (Índice de Força Relativa) apontam para uma tendência ainda saudável, embora se aproximem de zonas de sobrecompra.
“Caso o preço consiga romper os US$ 91.500 com força, podemos mirar alvos entre US$ 93 mil e US$ 95 mil como próximos objetivos. Do lado oposto, suportes estão em US$ 88.500 e US$ 86.000, caso haja correções técnicas”, explica a analista.
Fatores macroeconômicos sustentam o otimismo com o BTC
O recente enfraquecimento do dólar americano tem sido apontado como um dos catalisadores da atual alta do Bitcoin. A moeda norte-americana perdeu força diante de uma combinação de dados econômicos ambíguos, inflação persistente e incertezas fiscais nos EUA.
A analista da NovaDAX, Vanessa Oliveira, comenta que o movimento favoreceu ativos que funcionam como hedge contra desvalorização monetária, como o ouro e o próprio Bitcoin.
“O Bitcoin está sendo visto como proteção em um cenário onde o dólar dá sinais de fragilidade, e isso está atraindo interesse institucional renovado”, afirma Oliveira.
Interferência política entre Trump e Fed agita o mercado
Outro fator relevante é a crescente tensão entre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
A pressão política sobre o Fed para reduzir os juros antes das eleições tem gerado incertezas nos mercados, mas também abre espaço para valorização de ativos de risco, caso a política monetária se torne mais acomodatícia.
“O simples sinal de que os juros podem cair ainda em 2025 já tem impacto imediato sobre o mercado de criptomoedas”, destaca Oliveira.
A influência do mercado tradicional e os reflexos no cripto
O índice S&P 500, que representa as 500 maiores empresas dos EUA, mostrou recuperação recente após semanas de liquidação. A melhora do sentimento no mercado de ações tem efeito indireto sobre o Bitcoin, especialmente porque investidores institucionais tendem a atuar em ambos os segmentos.
“A correlação entre o BTC e os ativos de risco voltou a aparecer em momentos pontuais, como agora. Se o S&P 500 mantiver o ritmo, isso pode sustentar a tendência positiva do Bitcoin”, analisa o economista Eduardo Sette, especialista em macroeconomia e criptoativos.
ETFs de Bitcoin mantêm fluxo constante, mas discreto
Mesmo que o entusiasmo com ETFs de Bitcoin tenha arrefecido desde sua estreia, os fluxos de entrada seguem positivos. Segundo dados da Ecoinometrics, os principais fundos ainda registram captações líquidas, embora em ritmo mais lento.
Esse comportamento indica uma consolidação institucional do Bitcoin como ativo de portfólio, mesmo sem grandes alardes.
Estados americanos estudam reservas em BTC e fortalecem narrativa institucional

Uma das grandes novidades que está movimentando o mercado é a possível adoção de reservas em Bitcoin por estados norte-americanos. Legisladores de regiões como Texas, Wyoming e Flórida já discutem projetos de lei que permitiriam alocar parte das reservas estatais em BTC.
Esse movimento reforça a tese de que o Bitcoin está se tornando um ativo estratégico de longo prazo, não apenas para empresas privadas, mas também para entes governamentais.
“A institucionalização do Bitcoin por governos estaduais cria um novo patamar de legitimidade para o ativo”, afirma Carlos Diniz, consultor da Blockchain Consult.
Impactos esperados no preço do BTC
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A entrada de governos regionais no mercado pode ter um impacto relevante no preço do Bitcoin, especialmente por causa da escassez estrutural da oferta. Como o número total de BTCs é limitado a 21 milhões, aumentos na demanda institucional e estatal tendem a pressionar os preços para cima.
Cenário global continua sensível, exigindo gestão de risco
Mesmo com fundamentos positivos, o mercado de criptomoedas segue altamente volátil e sujeito a correções abruptas. Fatores geopolíticos, decisões macroeconômicas inesperadas ou eventos regulatórios ainda podem impactar o desempenho do BTC.
Especialistas recomendam cautela e gestão ativa dos investimentos, especialmente para quem opera no curto prazo.
“É importante lembrar que o Bitcoin pode subir ou cair 10% em um único dia. O investidor precisa ter estômago e uma estratégia bem definida”, alerta Diniz.
Adoção continua em alta no varejo e em países emergentes
Apesar da volatilidade, o Bitcoin segue ganhando espaço como alternativa financeira em países com moedas instáveis, como Argentina, Turquia e Nigéria.
O uso cotidiano da criptomoeda está crescendo, impulsionado por soluções de pagamento via Lightning Network e pela digitalização da economia global.
Projeções para o preço do Bitcoin: o que esperar?
Caso o Bitcoin consiga consolidar acima dos US$ 91.500, analistas apontam alvos intermediários em US$ 93.000 e US$ 95.000, com possibilidade de atingir US$ 98 mil a US$ 100 mil ainda no segundo trimestre de 2025.
Por outro lado, se houver rejeição na resistência atual, suportes técnicos estão em US$ 88.500, US$ 86.000 e US$ 82.500.
Muitos analistas mantêm expectativas de que o BTC ultrapasse seu topo histórico ainda em 2025, impulsionado por fatores como o halving recém-ocorrido, entrada de capital institucional e clima global de juros em queda.
Conclusão: Bitcoin avança em meio à incerteza, mas fundamentos sustentam rali

A superação dos US$ 91 mil pelo Bitcoin representa não apenas uma vitória técnica no curto prazo, mas também um sinal de maturidade estrutural do mercado cripto. A conjugação de fatores técnicos, macroeconômicos e políticos cria um cenário favorável para a continuidade da alta, embora a prudência siga sendo essencial.
Com o crescimento do interesse institucional, possíveis reservas estatais em BTC nos EUA e o debate sobre cortes de juros no centro das decisões econômicas globais, o Bitcoin caminha para um novo ciclo de valorização — possivelmente rumo a novos recordes históricos.
