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BTC quase chega a US$ 108 mil; otimismo contrasta com tensão no Oriente Médio

Bitcoin atinge US$ 108 mil e se valoriza com tensões entre EUA e China. Criptomoedas operam em alta enquanto bolsas tradicionais recuam.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
bitcoin

O bitcoin (BTC) iniciou esta quarta-feira (21) com forte valorização, chegando a US$ 108 mil durante a madrugada no Brasil. No entanto, o avanço perdeu força nas primeiras horas do dia, e a criptomoeda mais valiosa do mundo está sendo negociada por volta de US$ 106 mil, ainda assim em território positivo.

O movimento ocorre em meio a um cenário global tenso, marcado por crescentes atritos comerciais entre Estados Unidos e China, além de rumores de uma possível ofensiva militar israelense contra instalações iranianas, o que já pressiona o preço do petróleo. Com isso, cresce a busca por ativos alternativos, como as criptomoedas, vistas por muitos investidores como refúgio diante de incertezas geopolíticas e econômicas.

Enquanto o mercado de ações tradicional recua, as criptomoedas vivem um dia de alta, reforçando um fenômeno conhecido como decoupling — o descolamento entre o desempenho dos criptoativos e os mercados financeiros convencionais.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Criptomoedas em alta: veja o desempenho das 10 maiores do dia

Mesmo diante da instabilidade nos mercados globais, o setor de criptomoedas opera em alta. Veja os dados das dez maiores moedas digitais por capitalização de mercado nesta manhã:

#CriptomoedaPreço (USD)Variação 24h (%)Variação 7d (%)Variação no ano (%)
1Bitcoin (BTC)US$ 106.485,23+1,29%+2,34%+14,01%
2Ethereum (ETH)US$ 2.529,11+0,96%-3,58%-24,08%
3Tether (USDT)US$ 1,000,00%+0,04%+0,23%
4XRP (XRP)US$ 2,34+0,27%-10,01%+12,89%
5BNB (BNB)US$ 653,68+1,70%-0,55%-6,75%
6Solana (SOL)US$ 168,93+1,66%-6,66%-10,73%
7USD Coin (USDC)US$ 0,99980,00%0,00%-0,01%
8Dogecoin (DOGE)US$ 0,2257+2,51%-4,88%-28,47%
9Cardano (ADA)US$ 0,7531+3,54%-8,31%-10,74%
10TRON (TRX)US$ 0,2706-1,01%-1,58%+6,46%

O desempenho positivo reflete um apetite crescente por ativos digitais em meio à turbulência global, com destaque para moedas como Cardano (ADA) e Dogecoin (DOGE), que apresentam alta acima de 2% no dia.

Por que o Bitcoin está subindo?

O movimento de valorização do BTC nesta semana está fortemente ligado ao contexto geopolítico e econômico internacional. Três fatores ajudam a explicar esse cenário:

1. Tensão entre EUA e China reacende guerra comercial

As relações entre Washington e Pequim voltaram a se deteriorar, com a imposição de novas tarifas sobre produtos eletrônicos e semicondutores. A resposta chinesa tem sido igualmente dura, reacendendo a guerra tarifária e preocupando os mercados tradicionais, especialmente o setor industrial e de tecnologia.

Com isso, investidores passam a buscar ativos fora do sistema financeiro tradicional, como forma de proteção — e o bitcoin emerge como alternativa.

2. Descolamento do mercado tradicional

Mesmo com bolsas em queda na Europa e futuros de Wall Street operando em território negativo, o BTC sustenta ganhos. Esse descolamento entre o bitcoin e os índices tradicionais é interpretado por analistas como um sinal de maturidade do criptoativo como reserva de valor, ainda que de forma volátil.

O fenômeno, conhecido como decoupling, reforça a tese de que o bitcoin pode atuar como refúgio em momentos de instabilidade — papel tradicionalmente atribuído ao ouro.

3. Previsões otimistas de grandes instituições

O banco JP Morgan elevou sua perspectiva para o BTC, indicando que a criptomoeda pode ter desempenho superior ao ouro no médio prazo. A avaliação considera a crescente adoção institucional e a percepção de que o bitcoin tem utilidade prática em ambientes de crise.

O risco de estagflação global

Bitcoin
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

Apesar da alta, o cenário global ainda inspira cautela. Economistas alertam para a possibilidade de uma nova onda de estagflação — combinação de crescimento econômico estagnado com inflação elevada.

Essa expectativa se baseia em:

  • Alta dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio;
  • Encarecimento de produtos importados, devido às tarifas entre EUA e China;
  • Incertezas fiscais nos Estados Unidos, após o rebaixamento da nota de crédito do país pela agência Moody’s.

Esses fatores criam um ambiente propício à volatilidade generalizada, com os criptoativos, em especial o bitcoin, se tornando uma das poucas opções com potencial de valorização diante da deterioração dos fundamentos macroeconômicos tradicionais.

Tensão no Oriente Médio amplia pressão sobre o mercado

Outro ponto de atenção nesta quarta-feira é o aumento das tensões entre Israel e Irã. Segundo fontes da inteligência internacional, Israel estaria se preparando para atingir instalações nucleares iranianas, o que poderia desencadear uma retaliação severa por parte de Teerã.

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Esse conflito tem potencial para:

  • Desestabilizar o fornecimento global de petróleo, já que o Irã é o terceiro maior produtor do planeta;
  • Elevar o risco sistêmico nos mercados financeiros globais;
  • Impulsionar ainda mais os preços do BTC, diante da fuga de capital para ativos alternativos.

Com isso, o preço do barril de petróleo sobe nesta manhã, sinalizando que os mercados já começam a precificar um cenário de conflito militar com repercussões econômicas severas.

FOMO pode impulsionar nova onda de alta

O atual momento de valorização do BTC ocorre em um contexto de grande expectativa de novos recordes. Com o ativo a poucos pontos percentuais de sua máxima histórica de US$ 109 mil, analistas alertam para a possibilidade de uma onda de FOMO (Fear of Missing Out) — o medo de ficar de fora de uma grande valorização.

Caso o BTC rompa com força o patamar de US$ 108 mil, novas máximas podem ser atingidas rapidamente, à medida que:

  • Investidores institucionais elevam suas posições;
  • Traders de varejo voltam a comprar com força;
  • Algoritmos e bots de negociação aceleram ordens de compra.

Cuidados para o investidor

Criptomoedas
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

Apesar do otimismo, é essencial reforçar que o mercado de criptomoedas é altamente volátil. Investidores devem:

  • Alocar apenas uma porção controlada do portfólio em ativos digitais;
  • Evitar decisões emocionais baseadas em hype;
  • Acompanhar indicadores técnicos e eventos macroeconômicos relevantes;
  • Ter estratégias claras de entrada e saída.

A recomendação dos especialistas continua sendo a diversificação e o foco no longo prazo, especialmente em momentos de forte oscilação como o atual.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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