Na manhã da segunda-feira, 20 de maio, o mercado de criptomoedas iniciou a semana em clima de entusiasmo moderado. O Bitcoin (BTC) operava acima dos US$ 107 mil, após ter alcançado o pico de US$ 109 mil no final de semana, reforçado pelo forte interesse institucional.
No entanto, a euforia perdeu força diante de dois eventos macroeconômicos no radar: o vencimento das tarifas comerciais impostas por Donald Trump e a tramitação de um projeto de lei fiscal que pode disparar a dívida pública dos Estados Unidos.
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Apoio institucional segue como principal motor de alta
De acordo com relatório da CoinShares, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram entradas de US$ 2,7 bilhões apenas na última semana. Esse volume de aportes demonstra a crescente confiança de grandes investidores institucionais na tese de longo prazo do BTC.
Os ETFs vêm atuando como catalisadores do preço desde que foram aprovados pela SEC em janeiro de 2024. Atualmente, o ETF IBIT, da BlackRock, é o maior fundo do gênero, acumulando mais de US$ 60 bilhões sob gestão.
Empresas ampliam suas reservas em Bitcoin
Além dos ETFs, empresas como a Strategy (ex-MicroStrategy) e a japonesa Metaplanet continuam acumulando BTC de forma agressiva. Essas compras institucionais têm um duplo efeito: diminuem a oferta circulante e geram um efeito de escassez, impulsionando os preços em meio à demanda crescente.
Mercado global misto, mas criptomoedas seguem em alta

Panorama das bolsas mundiais
O cenário internacional apresenta sinais mistos. Os futuros de Wall Street operaram em leve alta, sinalizando otimismo entre os investidores norte-americanos. Por outro lado, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, refletindo a cautela diante dos eventos políticos. Já o mercado europeu abriu instável, com investidores atentos à política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
Apesar desse ambiente, o apetite por risco nas criptomoedas permanece elevado, o que justifica a resiliência dos preços mesmo diante da instabilidade global.
Bitcoin e principais criptomoedas: desempenho atualizado
| # | Nome | Preço (USD) | Variação 24h | Variação 7d | Variação YTD |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Bitcoin (BTC) | 107.738,06 | -0,43% | +6,40% | +15,36% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 2.462,88 | +0,36% | +9,49% | -26,07% |
| 3 | Tether (USDT) | 1,00 | -0,01% | +0,04% | +0,21% |
| 4 | XRP (XRP) | 2,17 | -0,60% | +8,75% | +4,75% |
| 5 | BNB (BNB) | 654,38 | +0,61% | +5,93% | -6,65% |
| 6 | Solana (SOL) | 150,33 | -0,53% | +12,19% | -20,55% |
| 7 | USD Coin (USDC) | 0,9999 | +0,01% | -0,03% | -0,01% |
| 8 | TRON (TRX) | 0,2773 | +0,79% | +3,72% | +9,10% |
| 9 | Dogecoin (DOGE) | 0,1648 | +0,46% | +8,41% | -47,77% |
| 10 | Cardano (ADA) | 0,5643 | +0,04% | +4,38% | -33,12% |
Resistência à frente: o que pode travar a continuidade da alta?
Com a aproximação do mês de julho, o mercado cripto se vê diante de dois eventos potencialmente decisivos para os rumos do preço do Bitcoin e de outras criptomoedas.
1. Vencimento das tarifas comerciais impostas por Trump
Em 9 de julho, chega ao fim o período de 90 dias da suspensão de tarifas comerciais bilaterais adotadas durante o governo Trump, que envolvem sobretaxas superiores a 10% sobre produtos importados. Somente China e Reino Unido conseguiram renegociar as condições.
A possibilidade de Trump não renovar a suspensão pode reacender tensões comerciais globais, enfraquecer o dólar e criar instabilidade nos mercados de risco — o que incluiria o Bitcoin. Por outro lado, se o ex-presidente optar por uma prorrogação das tarifas, pode haver alívio momentâneo e novo impulso aos ativos digitais.
2. Projeto de lei de corte de impostos e ampliação de gastos
Outro ponto de atenção é a proposta de lei apresentada por Trump que prevê redução de impostos combinada com aumento dos gastos públicos, levando a dívida norte-americana a patamares recordes: US$ 36,2 trilhões, segundo estimativas.
A tramitação do projeto no Senado é acompanhada com cautela, pois a expansão fiscal pode levar a aumento da inflação e da pressão sobre os juros longos dos títulos do Tesouro. Esse cenário pode diminuir o apetite por ativos de risco no curto prazo, apesar do argumento de que o BTC se comporta como proteção contra inflação.
Eventos no curto prazo: payroll dos EUA no radar
Além das incertezas estruturais, os investidores também aguardam a divulgação do payroll — o relatório mensal de empregos não agrícolas dos Estados Unidos — programado para a próxima quinta-feira, 3 de julho.
O payroll é um dos principais termômetros da saúde econômica norte-americana. Se vier acima do esperado, pode indicar que o Federal Reserve manterá os juros elevados por mais tempo, o que tende a prejudicar ativos de risco como criptomoedas.
Perspectivas de médio prazo para o Bitcoin
O Bitcoin vem demonstrando resistência acima do patamar psicológico dos US$ 100 mil, sustentado pelo forte fluxo institucional. Contudo, para romper com consistência os US$ 110 mil, será necessário um novo gatilho — seja macroeconômico ou de demanda concentrada.
O halving de abril de 2024, que reduziu a emissão de novos BTCs pela metade, ainda influencia o comportamento do mercado. A diminuição da oferta, combinada ao aumento da demanda por ETFs e empresas, cria um ambiente propício à valorização sustentada no médio e longo prazo.
Análise técnica: níveis críticos de suporte e resistência
Ponto de resistência: US$ 109.800
O nível de US$ 109.800 representa a principal resistência de curto prazo. A falha em romper essa faixa no final de semana sugere a necessidade de maior volume comprador.
Suporte importante: US$ 103.500
Caso o BTC sofra correções, o patamar de US$ 103.500 é o principal suporte observado por traders técnicos. Perder esse nível pode abrir espaço para quedas até US$ 97.000.
Conclusão: apetite por Bitcoin persiste, mas cautela se impõe

O Bitcoin demonstra força notável ao manter-se acima dos US$ 100 mil mesmo diante de um cenário global desafiador. A combinação entre adoção institucional, escassez provocada pelo halving e entrada robusta de capital via ETFs continua sustentando a narrativa de alta.
Por outro lado, eventos macroeconômicos como as tarifas comerciais e o projeto de expansão fiscal nos EUA impõem uma nuvem de incerteza que pode limitar movimentos mais agressivos de valorização no curto prazo.
Para os investidores, o cenário atual exige equilíbrio entre otimismo e cautela, além de atenção redobrada aos indicadores econômicos que serão divulgados nas próximas semanas.

