Bitcoin se aproxima de US$ 110 mil: mercado prevê novo rali histórico impulsionado por cenário macroeconômico favorável
O mercado de criptomoedas começou a semana com sinais de força renovada, em contraste com a morosidade dos demais ativos de risco. O Bitcoin (BTC) atingiu os US$ 110 mil nesta segunda-feira, 9 de junho de 2025, reacendendo o otimismo sobre um possível rompimento do recorde histórico de US$ 112 mil estabelecido no final de maio.
Enquanto Wall Street adotava postura cautelosa, o mercado cripto deu novos sinais de apetite por risco.
Apesar da realização parcial de lucros nos últimos dias, o BTC mostra resiliência e abre espaço para mais valorização, com investidores atentos ao cenário macroeconômico global — especialmente às movimentações do Federal Reserve (Fed) e aos desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
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Oscilação de curto prazo não abala perspectiva de alta
Desde o pico histórico de US$ 112 mil registrado em 22 de maio, o BTC enfrentou uma retração modesta de pouco mais de 6%, com mínimas semanais por volta dos US$ 105 mil. Segundo analistas, essa queda controlada representa uma realização natural de lucros e não compromete a tendência de alta no médio prazo.
De acordo com Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, o movimento de lateralização do BTC observado nos últimos dias pode ser um trampolim para uma nova escalada:
“A realização foi muito contida, e o comportamento dos compradores sugere que há convicção na retomada da alta. O suporte nos US$ 104 mil foi respeitado, o que tecnicamente fortalece a possibilidade de rompimento dos US$ 110 mil.”
Contexto global influencia decisões no mercado cripto
O ambiente geopolítico e econômico global continua a ser um dos principais direcionadores dos preços do Bitcoin. A atual expectativa em torno de avanços nas tratativas comerciais entre Washington e Pequim tem alimentado o apetite por ativos descentralizados, considerados proteção frente à instabilidade.
“A possível trégua na guerra comercial EUA-China pode servir de gatilho para a retomada do Bitcoin rumo a novas máximas”, afirma Uska. “No entanto, declarações hostis de líderes políticos ou surpresas inflacionárias podem resultar em correções pontuais e aumento da volatilidade.”
Inflação e juros: o que o mercado espera do Fed
Um dos principais eventos no radar dos investidores nesta semana é a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, 11 de junho. A expectativa é que os números reforcem a narrativa de que a economia americana precisa de estímulos monetários adicionais, o que poderia acelerar um corte nas taxas de juros.
Para Vinicius Bazan, da casa de análise Underblock, o Fed pode ter que mudar sua estratégia em breve:
“Os últimos relatórios de emprego e serviços mostram desaceleração em alguns setores-chave. Se a inflação surpreender para baixo, o banco central americano pode ser pressionado a antecipar cortes na taxa básica de juros.”
Esse movimento já foi iniciado por outros bancos centrais. O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, já implementou oito cortes consecutivos nas taxas, sinalizando um novo ciclo de afrouxamento monetário no Ocidente.
Corte de juros favorece ativos como o Bitcoin
Cortes de juros tradicionalmente favorecem ativos de risco, como ações e criptomoedas, pois diminuem o custo de oportunidade e incentivam investidores a buscar retornos mais agressivos fora da renda fixa. No caso do Bitcoin, há também o apelo de proteção contra políticas monetárias expansionistas.
Além disso, com títulos do Tesouro dos EUA oferecendo retornos menores, o BTC volta a atrair fluxo de capital institucional. A correlação negativa entre rendimentos dos títulos e o preço do Bitcoin tem se intensificado, reforçando o BTC como hedge alternativo.
Análise técnica aponta para novo impulso de alta
O gráfico diário do BTC mostra um padrão de consolidação com suporte forte entre US$ 104 mil e US$ 106 mil. Os principais indicadores, como o RSI (Índice de Força Relativa), apontam para zona de neutralidade, o que sugere que há espaço para novas compras sem risco imediato de sobrecompra.
“O rompimento limpo de US$ 110 mil pode desencadear ordens automáticas de compra e provocar um movimento rápido em direção a US$ 115 mil, ou até mesmo US$ 120 mil em um cenário de euforia”, diz Larissa Mendez, trader independente especializada em criptoativos.
Volume crescente reforça sentimento otimista
Nas últimas 72 horas, o volume de negociação do Bitcoin aumentou mais de 12%, sinalizando que a pressão compradora está retornando.
Esse aumento é particularmente relevante, pois ocorre em um contexto de estabilidade no mercado de ações, o que evidencia que a demanda está vindo de agentes específicos do setor cripto — e não apenas da alta geral dos ativos de risco.
Segundo dados da CryptoQuant, houve entrada líquida de US$ 1,1 bilhão em exchanges cripto nos últimos três dias, com destaque para compras realizadas via stablecoins, como USDT e USDC. Essa movimentação sugere preparação para novas compras de BTC por parte de investidores institucionais.
Influência institucional e ETFs continuam crescendo
O apetite por Bitcoin também se reflete nos fundos negociados em bolsa (ETFs) com exposição direta à criptomoeda. Desde o início de junho, os ETFs listados nos Estados Unidos registraram entrada líquida superior a US$ 2,3 bilhões, segundo levantamento da Glassnode.
Esses aportes institucionais não apenas legitimam o mercado de criptoativos perante o investidor tradicional, como também ampliam a demanda por BTC real, contribuindo para a pressão compradora no mercado spot.
“Estamos testemunhando uma migração estrutural de capital institucional para o Bitcoin como reserva de valor. Esse processo é sustentado, não especulativo, o que reforça a tese de longo prazo de valorização”, comenta Bazan.
Custódia institucional e balanços corporativos
Além dos ETFs, empresas de capital aberto continuam aumentando suas posições em BTC nos balanços patrimoniais. A MicroStrategy, por exemplo, adquiriu mais 3.000 BTCs em maio, totalizando mais de 226 mil unidades sob custódia — o equivalente a quase 1,1% de todo o suprimento em circulação.
Esse tipo de movimentação reduz ainda mais a liquidez disponível no mercado, o que pode amplificar eventuais movimentos de alta em situações de desequilíbrio entre oferta e demanda.
Tensões políticas seguem no radar do investidor
A reunião entre representantes dos governos dos EUA e da China, marcada para esta semana, será um ponto crucial para os mercados. Embora a expectativa seja de avanços rumo a um acordo, o histórico de embates e reviravoltas entre as potências gera cautela entre investidores.
Um eventual impasse pode renovar o apetite por ativos descentralizados como o Bitcoin, que se beneficiam da busca por proteção diante de riscos geopolíticos.
Volatilidade política interna também pesa
Nos Estados Unidos, as declarações recentes do ex-presidente Donald Trump, que ainda exerce forte influência sobre o cenário político, voltaram a agitar os mercados.
Críticas ao Fed e à política econômica da atual administração criam incertezas quanto à estabilidade futura, o que tende a aumentar a volatilidade e pode beneficiar ativos alternativos como o BTC.
Perspectivas para o preço do Bitcoin
No curto prazo, analistas apontam que o BTC pode buscar os US$ 115 mil como próximo nível de resistência, caso o patamar dos US$ 110 mil seja rompido com volume significativo. O contexto macroeconômico parece alinhado com esse cenário, especialmente se houver avanço nas negociações internacionais e dados de inflação dentro do esperado.
“Com o suporte técnico bem definido e o cenário macro favorável, romper os US$ 110 mil pode destravar um novo ciclo de alta que levaria o Bitcoin a patamares nunca vistos”, reforça Mendez.
Médio prazo: novo recorde antes de julho?
Considerando a aproximação de eventos como a divulgação de novos indicadores econômicos e a reabertura do Congresso dos EUA, a volatilidade pode aumentar. Contudo, a base de compradores parece sólida, e o fluxo institucional deve continuar sustentando a tendência de valorização.
Se as condições macro continuarem favoráveis e não houver choques externos, analistas não descartam que o BTC ultrapasse os US$ 120 mil ainda em junho, estabelecendo um novo recorde histórico.
Conclusão: Bitcoin firme na trilha de valorização em meio a incertezas globais
A retomada do Bitcoin aos níveis de US$ 110 mil representa mais do que uma simples recuperação técnica. Ela reflete a confluência de fatores estruturais — como o interesse institucional crescente e a política monetária expansionista — com tensões geopolíticas que reforçam o papel do BTC como ativo de proteção.
Com dados econômicos decisivos no horizonte e a perspectiva de flexibilização nos juros por parte do Fed, o Bitcoin permanece em posição estratégica para novos avanços. Para os investidores, o momento é de atenção redobrada — e possivelmente de posicionamento tático — à espera do rompimento definitivo rumo a um novo recorde.