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Wall Street domesticou o Bitcoin? Como ETFs estão transformando a criptomoeda em ativo tradicional

O Bitcoin está se consolidando como um ativo tradicional graças à adoção de Wall Street e aos ETFs como o IBIT da BlackRock. Entenda como isso muda o mercado cripto.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Ethereum ou Bitcoin

Nos últimos anos, o Bitcoin (BTC) deixou de ser apenas uma moeda digital volátil e especulativa negociada em plataformas pouco reguladas para se transformar em um ativo financeiro amplamente aceito, especialmente no mercado institucional.

Grande parte desse processo ocorre em Wall Street, onde grandes investidores e gestores de fundos passaram a incorporar o Bitcoin em suas estratégias via ETFs (Exchange-Traded Funds) e mercados de opções regulamentados.

Essa “domesticação” do Bitcoin representa uma mudança estrutural na forma como a criptomoeda é negociada, avaliada e vista pelo mercado global. Neste artigo, exploramos o que está por trás dessa transformação, os impactos no mercado e quais são os desafios regulatórios que permanecem.

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O papel central do ETF de Bitcoin da BlackRock

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O ponto focal dessa transformação é o iShares Bitcoin Trust (IBIT), criado pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, com US$ 8,6 trilhões sob sua administração. Lançado recentemente, o IBIT já se tornou o maior ETF de Bitcoin do mundo, com US$ 86 bilhões em ativos.

A importância do IBIT ultrapassa o tamanho de seus ativos. Ele trouxe liquidez, legitimidade e acesso institucional ao Bitcoin, permitindo que grandes fundos de pensão, gestores patrimoniais e investidores institucionais se expusessem à criptomoeda de forma segura e regulamentada.

Expansão do mercado de opções ligadas ao IBIT

Além da gestão passiva dos ETFs, o mercado de opções — contratos que dão o direito de comprar ou vender Bitcoin a um preço determinado — cresceu exponencialmente em torno do IBIT.

Em 2025, o interesse aberto (open interest) em opções vinculadas ao ETF da BlackRock triplicou, chegando a US$ 34 bilhões, com volume médio diário de US$ 4 bilhões.

Esse crescimento é excepcional, considerando que normalmente leva anos para um fundo atingir tal robustez no mercado de opções. Rocky Fishman, especialista do Asym 500, declarou à Bloomberg: “É altamente incomum um ETF desenvolver um mercado de opções desse tamanho, especialmente apenas oito meses após seu lançamento”.

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Imagem: Hi my name is Jacco / shutterstock

Dobro do número de instituições no IBIT desde 2024

Os dados compilados pela Bloomberg indicam que o número de instituições financeiras investindo no IBIT quase dobrou desde o fim de 2024. Isso reflete a crescente confiança do mercado institucional no Bitcoin como um ativo estratégico.

Enquanto muitos investidores de varejo ainda lidam com volatilidade e riscos, as grandes instituições estão cada vez mais estruturando suas carteiras para incluir o BTC, buscando exposição à classe de ativos digitais por seus potenciais retornos e diversificação.

O conforto dos investidores com mercados regulamentados

Kevin de Patoul, CEO da Keyrock, explica que durante anos as opções de criptomoedas não atraíam grandes players devido à ausência de regulamentação, uma barreira importante para investidores institucionais.

“Agora, com ETFs e mercados de opções regulamentados, os investidores se sentem muito mais confortáveis para alocar capital no Bitcoin”, afirmou à Bloomberg.

Esse cenário representa um avanço na maturidade do mercado cripto, aproximando o Bitcoin dos padrões e práticas dos ativos financeiros tradicionais.

Bitcoin em Wall Street: a mudança no perfil de negociação

Crescimento das negociações durante o horário dos EUA

Outro dado relevante é a crescente concentração das negociações de Bitcoin no horário comercial americano. Segundo a Kaiko, a participação das negociações em dólar durante o horário de funcionamento dos mercados dos EUA aumentou de 41,4% em 2021 para 57,3% em 2025.

Essa mudança indica que o preço do Bitcoin está cada vez mais influenciado pelos fluxos institucionais e pelos participantes do mercado tradicional, o que tende a reduzir a volatilidade e a trazer maior previsibilidade.

ETFs dominam quase metade do volume spot em dólar

Além disso, quase 50% do volume spot de Bitcoin em dólar passa pelos 12 ETFs listados nos EUA, sinalizando que a negociação via esses fundos é responsável por uma fatia significativa do mercado.

Greg Magadini, analista da Amberdata, ressaltou que a diferença entre preços de calls (opções de compra) e puts (opções de venda) no IBIT está diminuindo.

“Isso demonstra que os investidores institucionais estão usando estratégias para se proteger contra quedas, não apenas apostando na alta, o que representa um amadurecimento do mercado”, afirmou.

Barreiras regulatórias que ainda limitam o mercado

Limite atual de contratos no mercado de opções

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Apesar do crescimento acelerado, o mercado de opções ligado ao IBIT enfrenta uma barreira significativa: o limite regulatório de 25.000 contratos imposto pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). Essa restrição impede que o mercado de opções cresça ainda mais rapidamente.

Em janeiro de 2025, a Nasdaq propôs aumentar esse limite para 250.000 contratos, um salto de dez vezes, e a decisão sobre essa proposta deve sair até setembro deste ano.

Impacto da decisão regulatória no mercado

Robbie Mitchnick, executivo da BlackRock, disse à Bloomberg que, se a SEC flexibilizar as regras, o volume de opções tenderá a aumentar significativamente, impulsionando a liquidez e a sofisticação do mercado.

Enquanto isso, o IBIT continua sendo a principal porta de entrada de Wall Street para o Bitcoin, consolidando a criptomoeda como um ativo tradicional.

O futuro do Bitcoin em Wall Street

A consolidação do Bitcoin como ativo de investimento

A entrada de grandes gestores, a liquidez gerada pelos ETFs e o crescimento dos mercados de opções regulamentados são sinais claros de que o Bitcoin está consolidado como um ativo financeiro legítimo e institucional.

Mais do que uma moeda digital especulativa, o Bitcoin agora é negociado sob as mesmas regras e estruturas dos ativos tradicionais, com transparência, regulação e instrumentos sofisticados para gerenciamento de risco.

Possíveis impactos na volatilidade e preços

Com o Bitcoin “domesticado”, é provável que a volatilidade da criptomoeda diminua ao longo do tempo, atraindo ainda mais investidores institucionais e fundos que dependem de estabilidade para suas estratégias.

Além disso, a maior adoção institucional tende a impulsionar o preço do BTC, especialmente se ocorrerem decisões regulatórias que ampliem o mercado de opções e facilitem a criação de novos produtos financeiros baseados em criptomoedas.

Considerações finais

Bitcoin
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

A transformação do Bitcoin em um ativo financeiro tradicional não significa o fim da inovação, mas sim sua maturação. Wall Street, com seu poder financeiro e infraestrutura, está moldando o futuro das criptomoedas, integrando-as ao sistema financeiro global e redefinindo a forma como ativos digitais são negociados.

Os próximos meses serão decisivos para observar se o mercado institucional continuará sua expansão, especialmente após as decisões regulatórias aguardadas. A era do Bitcoin como ativo “domesticado” parece estar só começando.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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