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Starlink de Elon Musk é barrada em país vizinho ao Brasil; saiba o motivo

Bolívia veta Starlink e opta por soberania digital com ajuda da China, mesmo com internet precária.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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Enquanto países latino-americanos ampliam o acesso à internet via satélite por meio da Starlink, a Bolívia adota uma rota oposta. Mesmo enfrentando uma das conexões mais lentas do continente e cobertura limitada, o governo boliviano mantém a decisão de não permitir a atuação da empresa de Elon Musk em seu território.

A decisão, segundo autoridades citadas pelo The New York Times, está ancorada na defesa da soberania digital e na preocupação com a concentração de tecnologia em mãos de uma empresa estrangeira. A recusa boliviana se estende desde 2024 e permanece firme em 2025, mesmo diante dos benefícios potenciais da internet de alta velocidade fornecida pela SpaceX.

Leia mais: Starlink lança internet mais rápida e surpreende pela velocidade

Internet precária e resistência política

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A Bolívia vive um cenário de exclusão digital severa. Com menos de 55% dos lares conectados por banda larga, o país ocupa o último lugar em velocidade de conexão na América do Sul. Apesar disso, o governo boliviano não cede à pressão por soluções externas, especialmente as que podem comprometer o controle nacional sobre as comunicações.

O país ainda depende de um satélite fabricado na China e lançado em 2013. O equipamento, que já apresenta sinais de obsolescência, deve deixar de operar por falta de combustível até 2028. A partir de então, o risco de apagão digital se intensifica, mas o governo prefere estudar novas parcerias, principalmente com Pequim, a aceitar a entrada da Starlink.

Contrabando de sinal e bloqueio

Diante da ausência de opções eficientes, alguns hotéis e estabelecimentos bolivianos tentaram burlar as limitações. Roteadores da Starlink foram contrabandeados pela fronteira com o Chile e instalados em áreas isoladas. No entanto, a empresa rastreou esses acessos e desativou os sinais, encerrando a conectividade irregular após poucos meses de funcionamento.

A atitude do governo se justifica, segundo Iván Zambrana, diretor da Agência Espacial Boliviana, como uma forma de preservar a autonomia tecnológica do país. “Qualquer empresa que venha a fazer negócios no país vai ganhar uma fatia do bolo – um bolo que agora pertence a nós aqui”, afirmou Zambrana em entrevista recente.

Ele admite que a tecnologia da Starlink é mais avançada, mas reforça que qualquer concorrente deve seguir as regras locais e contribuir com a economia nacional, respeitando os provedores domésticos.

Parceria com a China ganha força

Em busca de alternativas à dependência de empresas americanas, a Bolívia intensificou sua parceria com a China. Um dos focos principais dessa aliança é o possível uso futuro da SpaceSail, sistema de internet via satélite desenvolvido por empresas chinesas e visto como o principal rival asiático da Starlink.

Embora a tecnologia ainda esteja em fase de implementação, a Bolívia se mostra receptiva à proposta por envolver cooperação estatal e compromissos de transferência de conhecimento, além de manter os dados dentro de uma alçada aliada ao seu governo.

Essa escolha por um caminho alternativo reflete não apenas uma estratégia tecnológica, mas uma postura geopolítica que valoriza a autonomia frente às grandes corporações do Ocidente.

Starlink cresce na América Latina, mas com ressalvas

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A recusa boliviana contrasta com a tendência observada em outros países da região. Desde 2022, a Starlink avança de forma significativa em nações latino-americanas. No Brasil, por exemplo, a empresa já superou a marca de 250 mil usuários, oferecendo acesso à internet em áreas remotas onde a instalação de cabos ou fibra óptica é inviável.

No entanto, mesmo em mercados abertos, como o brasileiro, há cautela quanto à dependência de um único fornecedor estrangeiro. Em 2024, após um impasse entre Elon Musk e o Supremo Tribunal Federal envolvendo a rede social X (também controlada por Musk), o governo brasileiro iniciou tratativas com a SpaceSail, reforçando o movimento por uma conectividade mais diversificada.

Soberania digital no centro do debate

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Imagem: Frederic Legrand – COMEO/ Shutterstock

A resistência da Bolívia à Starlink se soma a um debate crescente sobre soberania digital na América Latina. Em um mundo cada vez mais conectado, governos precisam equilibrar o avanço tecnológico com a segurança dos dados e a autonomia regulatória.

Para os bolivianos, o preço de manter o controle pode ser alto — especialmente quando a conectividade ainda é precária. Mas, segundo analistas, essa aposta poderá render frutos caso as parcerias com países como a China tragam inovação local e infraestrutura sob comando estatal.

Enquanto isso, a Starlink segue sua expansão, mas aprende que, mesmo com tecnologia de ponta, o acesso aos céus de cada país exige mais do que sinal: exige também respeito à soberania terrestre.

Com informações de: Olhar Digital

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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