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Juros altos no brasil fazem dólar cair e impulsionam alta da bolsa, entenda

Ibovespa opera em alta e dólar segue tendência de queda com juros elevados. Investidores estrangeiros injetam capital na B3, saiba mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
bolsa de valores

Nesta terça-feira 20/05, o mercado financeiro brasileiro apresenta pouca oscilação, mas mantém tendências relevantes no curto prazo: o dólar segue em queda ante o real, e o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, acumula alta consistente nas últimas semanas. O movimento é sustentado por uma conjuntura econômica em que a taxa Selic está mantida em 14,75% ao ano, o maior nível desde 2006, reforçando o interesse de investidores estrangeiros pelo país.

Apesar de uma leve retração de 0,24% no Ibovespa no início da tarde, a valorização acumulada desde 7 de maio chega a 4,5%, com o índice atingindo 139.301 pontos. O dólar comercial, por sua vez, subia 0,24%, cotado a R$ 5,668, enquanto o dólar turismo era negociado a R$ 5,885, com alta de 0,28%.

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Imagem: Freepik

Cenário de juros altos sustenta real valorizado e atrai capital estrangeiro

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual no início do mês reforçou a percepção de que o Banco Central pretende manter os juros altos por um longo período. Segundo o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, a medida é estratégica para manter o controle da inflação e garantir estabilidade econômica.

A taxa básica da economia influencia diretamente o fluxo de capital estrangeiro. Com os juros elevados, ativos de renda fixa se tornam mais atrativos, e grandes fundos internacionais redirecionam recursos ao Brasil, elevando a demanda por reais e pressionando o dólar para baixo.

“A entrada de capital externo para aplicações de renda fixa fortalece o real frente ao dólar, ao mesmo tempo que injeta liquidez na economia e ajuda a manter o patamar elevado do Ibovespa”, explica Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Impacto nas ações e na Bolsa de Valores

Embora juros altos reduzam a atratividade da renda variável — já que tornam os investimentos de risco relativamente menos vantajosos —, a sinalização de que o ciclo de alta está próximo do fim tem dado novo fôlego à Bolsa. A expectativa é que não haja novos aumentos significativos na Selic, o que contribui para estabilizar o cenário e permitir o redesenho de estratégias por parte dos investidores.

Esse ambiente mais previsível favorece a retomada de aportes em ações, sobretudo por parte de investidores institucionais estrangeiros. Desde 17 de abril, o fluxo de capital externo na B3 foi de R$ 20,8 bilhões, o melhor desempenho desde 2023, segundo levantamento divulgado hoje pelo JP Morgan.

Investimento estrangeiro impulsiona o Ibovespa

A injeção de capital estrangeiro tem sido determinante para a valorização recente do Ibovespa. Após um recuo pontual no fim de abril, com a saída de aproximadamente R$ 10 bilhões, o mercado se recuperou rapidamente. A volta dos recursos internacionais em maio elevou o saldo acumulado do ano para R$ 15 bilhões, desconsiderando transações pontuais como a venda de ações da Vale pela Cosan.

Essa tendência é reflexo de um movimento global. Com tensões geopolíticas em mercados asiáticos e incertezas envolvendo China e Estados Unidos, investidores têm buscado refúgios alternativos na América Latina, e o Brasil tem se destacado pela combinação de alta taxa de juros, liquidez e estabilidade fiscal relativa.

“O Brasil está momentaneamente fora da linha de fogo da guerra comercial global, o que favorece a atração de capital estrangeiro”, afirma o relatório do JP Morgan.

Expectativa de consolidação à frente

Apesar do otimismo, analistas do banco americano alertam que os mercados da América Latina podem passar por uma fase de consolidação nas próximas semanas. Isso porque os ativos da região subiram muito rapidamente, e há sinais de recomposição nos fluxos de capital asiáticos, com o início de uma trégua comercial entre China e Estados Unidos.

A possível redistribuição de recursos globais pode provocar ajustes pontuais na Bolsa brasileira, embora o cenário interno permaneça favorável ao ingresso de novos investidores, especialmente se a Selic for mantida no atual patamar até o segundo semestre.

Setor de carnes lidera altas mesmo com gripe aviária

Gripe aviária
Imagem: Freepik

No pregão de hoje, as ações do setor de carnes lideram os ganhos do Ibovespa, mesmo diante das preocupações sanitárias envolvendo a gripe aviária no Rio Grande do Sul. As exportadoras brasileiras estão se beneficiando da desvalorização do real e da redução dos juros na China, seu principal parceiro comercial.

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  • JBS (JBSS3): +5,26%, cotada a R$ 42,20
  • BRF (BRFS3): +3,95%, cotada a R$ 21,31
  • Marfrig (MRFG3): +3,71%, cotada a R$ 24,33

Segundo o economista Bruno Cotrim, da Top Gain, o movimento está diretamente ligado à decisão do Banco Central da China de cortar sua taxa básica de juros, de 3,1% para 3% ao ano. A medida visa estimular a economia chinesa e, indiretamente, amplia o apetite por importações, incluindo proteínas brasileiras.

Além disso, a pequena desvalorização do real favorece as receitas de exportação dessas empresas, que vendem em dólar e têm boa parte dos custos operacionais em reais.

Gripe aviária e impacto nas exportações

Embora o desempenho das empresas exportadoras esteja positivo, a BRF ainda sofre impactos diretos da suspensão de importações de frango por diversos países após o registro de foco de gripe aviária em Montenegro (RS).

O governo brasileiro já solicitou formalmente à China que restrinja o embargo ao município afetado, em vez de aplicar uma suspensão nacional das importações. Se a medida for acatada, o impacto sobre a BRF tende a ser menor, o que poderia manter a trajetória positiva da ação nas próximas sessões.

Dólar e inflação: implicações macroeconômicas

Banco Central
Imagem: wirestock – Freepik

A queda do dólar tem efeitos relevantes sobre a inflação e o poder de compra. Um real mais valorizado barateia a importação de produtos, desde combustíveis até alimentos e eletrônicos, contribuindo para o controle inflacionário.

Esse movimento, aliado aos juros altos, reforça a confiança do mercado de que o Brasil pode manter a inflação sob controle sem necessidade de novos aumentos agressivos na Selic, o que também estimula o consumo interno e o investimento produtivo.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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