As bolsas de valores da Europa operam em alta na manhã desta quinta-feira (26), em um movimento de recuperação das perdas registradas na véspera.
O cenário é influenciado por dois fatores principais: a manutenção do cessar-fogo entre Israel e Irã, que alivia tensões no Oriente Médio, e a decisão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de elevar significativamente os gastos com defesa, o que impulsionou o setor militar e aeroespacial nos mercados financeiros europeus.
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Panorama geral dos mercados europeus

Recuperação após quedas recentes
Por volta das 6h50 (horário de Brasília), o índice Stoxx 600, que reúne as principais ações da Europa, avançava 0,20%, chegando a 538,03 pontos. O movimento reflete o apetite moderado por risco dos investidores, motivado pela melhoria no clima geopolítico e por sinais de estabilidade política e econômica no continente.
Setor de defesa lidera ganhos
O subíndice do setor aeroespacial e de defesa teve um desempenho expressivo, com alta de 1,3%, logo após a Otan aprovar, durante reunião em Haia (Holanda), um aumento de sua meta de gastos militares de 2% para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países membros. O plano, considerado ambicioso, reflete a preocupação com a segurança internacional em meio a um cenário geopolítico ainda tenso.
Motivações do otimismo nos mercados
Trégua entre Israel e Irã reduz tensão internacional
A principal variável geopolítica que vinha pressionando os mercados globais nos últimos dias — o conflito indireto entre Israel e Irã — parece ter dado uma trégua. O cessar-fogo iniciado na terça-feira (24) segue sendo respeitado, o que gera alívio nos ativos de risco, especialmente na Europa, que depende de importações de energia de regiões impactadas por conflitos no Oriente Médio.
Além disso, autoridades americanas e iranianas devem se reunir nos próximos dias para discutir o programa nuclear de Teerã, sinalizando uma abertura diplomática após meses de tensão.
Otan sinaliza fortalecimento militar
Durante cúpula realizada na Haia, os países membros da Otan acordaram em elevar substancialmente seus investimentos em defesa, o que beneficia diretamente empresas do setor bélico e tecnológico, muitas das quais com sede em países europeus como Alemanha, França, Itália e Reino Unido.
Segundo analistas, o aumento de 2% para 5% do PIB pode injetar centenas de bilhões de euros no setor, gerando novas encomendas de armamentos, aviões e sistemas de segurança cibernética, com efeito imediato sobre as ações dessas empresas.
Principais bolsas em alta
Desempenho por país
Às 7h04 (de Brasília), as principais bolsas da Europa registravam os seguintes resultados:
- Londres (FTSE 100): alta de 0,24%
- Paris (CAC 40): alta de 0,22%
- Frankfurt (DAX): alta de 0,86%
- Milão (FTSE MIB): alta de 0,20%
- Madri (IBEX 35): alta de 0,33%
- Lisboa (PSI 20): alta de 0,80%
O desempenho mais robusto da Bolsa de Frankfurt reflete a força da indústria de defesa alemã e seu papel estratégico na Otan. Já Lisboa também se destaca com alta consistente, impulsionada por empresas de energia e tecnologia.
Ações em destaque
Setor de energia: Shell e BP sobem após rumores
No mercado britânico, as gigantes do setor de petróleo e gás Shell e BP operavam com ganhos em torno de 0,40%. A Shell negou rumores de uma possível aquisição da BP, o que trouxe alívio e estabilidade para os papéis, após dias de especulação que pressionaram os preços no setor.
Empresas de defesa disparam
Entre as empresas que mais se beneficiam do novo plano da Otan, destacam-se:
- BAE Systems (Reino Unido)
- Thales (França)
- Leonardo (Itália)
- Rheinmetall (Alemanha)
Essas companhias viram suas ações dispararem entre 1,5% e 3%, em resposta à perspectiva de contratos bilionários nas próximas décadas.
Influência externa: Estados Unidos no radar
Federal Reserve e tensão política
O cenário norte-americano também influencia os mercados globais. Segundo o jornal The Wall Street Journal, o ex-presidente dos EUA Donald Trump está considerando antecipar a nomeação do próximo presidente do Federal Reserve (Fed) com o objetivo de minar a atuação de Jerome Powell, atual ocupante do cargo.
Essa informação causou volatilidade no câmbio, levando à desvalorização do dólar e à valorização da libra esterlina, que atingiu sua máxima em três anos e meio. A especulação sobre interferência política no Fed levanta preocupações quanto à independência da política monetária nos Estados Unidos.
Política de juros do Fed permanece firme
Apesar das pressões, Jerome Powell reforçou em audiência no Congresso americano que o Fed não tem pressa para cortar os juros básicos, mantendo a taxa inalterada desde dezembro do ano passado. Segundo ele, os efeitos da política econômica implementada por Trump ainda estão sendo avaliados, o que demanda cautela nas decisões de política monetária.
Repercussões no curto e médio prazo

Alívio momentâneo, mas riscos persistem
Embora o movimento positivo nas bolsas europeias traga certo alívio para os investidores, analistas alertam que os riscos globais ainda não foram dissipados. O cenário segue sensível a tensões diplomáticas, políticas internas nos EUA e volatilidade no mercado de commodities, especialmente petróleo.
Expectativa de novos dados econômicos
Nos próximos dias, o mercado europeu deve reagir à divulgação de novos indicadores econômicos, como:
- Inflação na zona do euro
- Desemprego na Alemanha e na França
- Índices de confiança industrial
Esses dados serão fundamentais para avaliar a sustentabilidade da recuperação observada nesta quinta-feira e poderão influenciar decisões futuras do Banco Central Europeu (BCE).
Considerações finais
As bolsas europeias operam em recuperação nesta quinta-feira (26), apoiadas por fatores geopolíticos e estratégicos que amenizam o sentimento de aversão ao risco. A trégua entre Israel e Irã e a decisão da Otan de aumentar significativamente os gastos com defesa animam os mercados, especialmente o setor aeroespacial e militar.
Apesar do otimismo pontual, os investidores seguem atentos aos movimentos do Fed nos EUA, aos desdobramentos no Oriente Médio e aos dados econômicos da zona do euro. O cenário permanece dinâmico e volátil, mas o dia de hoje aponta para um respiro positivo nos mercados europeus após dias de tensão.
