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Tarifaço: Bolsonaro diz que anistia trará paz para a economia

Bolsonaro vincula anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro à possibilidade de reverter tarifa de 50% imposta por Trump aos produtos brasileiros.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Bolsonaro

No domingo (13 de julho de 2025), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a causar polêmica ao se manifestar sobre a tarifa de 50% que os Estados Unidos pretendem aplicar sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em declarações feitas por meio do seu perfil na rede social X (antigo Twitter), Bolsonaro afirmou que “a solução está nas mãos das autoridades brasileiras”, sugerindo de forma velada que a revogação da sanção comercial anunciada por Donald Trump poderia ser negociada com base em uma eventual anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e no processo por tentativa de golpe de Estado.

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Imagem:  Marcelo Chello / Shutterstock.com

A nova tarifa imposta por Trump

A decisão do governo norte-americano foi divulgada na última quarta-feira (9), com a justificativa de que o Brasil estaria “perseguindo” politicamente Bolsonaro. Donald Trump, presidente dos EUA, alegou que o tratamento dado ao ex-presidente brasileiro configura violação de direitos democráticos e justificaria uma resposta econômica severa.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros representa uma medida inédita de retaliação econômica com conotação política. Ela atinge, principalmente, setores do agronegócio e da indústria nacional, dois pilares estratégicos da economia brasileira.

Bolsonaro vincula anistia à “paz econômica”

O trecho mais polêmico da declaração de Bolsonaro está na sugestão de que a harmonia entre os Três Poderes poderia possibilitar uma solução diplomática que passasse, de maneira implícita, pelo perdão aos réus do 8 de Janeiro. Segundo ele, “em havendo harmonia e independência entre os Poderes nasce o perdão entre irmãos e, com a anistia, também a paz para a economia”.

A frase foi interpretada por muitos analistas como uma tentativa de condicionar a resolução da crise comercial à revisão das punições que atingem seus aliados e a si próprio. Bolsonaro atualmente é réu no Supremo Tribunal Federal por crimes relacionados à tentativa de golpe após as eleições de 2022, quando perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Crítica às sanções pessoais e ao impacto econômico

Bolsonaro também afirmou não se alegrar com “sanções pessoais ou familiares” nem com o sofrimento do povo diante do impacto da tarifa. Em suas palavras:

“Não me alegra ver sanções pessoais, ou familiares, a quem quer que seja. Não me alegra ver nossos produtores do campo ou da cidade, bem como o povo, sofrer com essa tarifa de 50%”.

Ele ainda disse que a carta enviada por Donald Trump ao presidente Lula teria menos foco em economia e mais relação com “valores e liberdade”.

Reação do governo Lula

Lula
Imagem: Agência Brasil

O presidente Lula reagiu imediatamente após o anúncio da tarifa, classificando a medida como inaceitável. Em nota oficial, afirmou:

“O Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém.”

O governo estuda aplicar a chamada Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), recentemente sancionada, que permite medidas retaliatórias contra países que adotarem práticas comerciais desiguais contra o Brasil.

A Lei da Reciprocidade Econômica

A Lei 15.122/2025 tem como base o princípio da simetria nas relações comerciais internacionais. Ela permite ao Brasil adotar, de forma proporcional, medidas contra países que impuserem tarifas discriminatórias ou sanções comerciais sem justificativa técnica.

Nos bastidores, o Itamaraty e o Ministério da Fazenda articulam a regulamentação da lei para responder à imposição de Trump, caso não haja revogação até o dia 1º de agosto. Entre as ações possíveis estão sobretaxas a produtos norte-americanos e suspensão de benefícios a empresas dos EUA com atuação no Brasil.

Trump pressiona por anistia a Bolsonaro

A carta enviada por Donald Trump a Lula é considerada uma intervenção diplomática atípica. No texto, o presidente norte-americano afirma que o julgamento de Bolsonaro no STF representa uma “vergonha internacional” e que há uma “caça às bruxas” em curso no Brasil.

A postura de Trump escancarou a dimensão política da tarifa, o que vem sendo criticado por diversos países e especialistas em relações internacionais.

Reação internacional: China critica os EUA

A China, uma das principais parceiras comerciais do Brasil, também se posicionou sobre o episódio. Em pronunciamento na sexta-feira (11), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que os Estados Unidos estão interferindo nos assuntos internos do Brasil.

Segundo ela, a medida viola os princípios da Carta das Nações Unidas:

“Igualdade soberana e não interferência em assuntos internos são princípios importantes da Carta da ONU.”

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A posição chinesa fortalece a ideia de que a tarifa anunciada pelos EUA tem motivação mais geopolítica do que econômica.

A tentativa de golpe e o papel do STF

Bolsonaro é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Ele também é acusado de ter liderado uma articulação com militares e ex-integrantes do governo para deslegitimar o resultado eleitoral de 2022.

O julgamento dos envolvidos segue sob responsabilidade da Justiça brasileira, e até o momento mais de 200 pessoas já foram condenadas. Lula reforçou em nota que esse processo “não está sujeito a ingerência internacional”.

A geopolítica por trás da tarifa

A imposição da tarifa por parte dos EUA, liderados por Trump, tem impacto direto nas relações comerciais e políticas do Brasil com outras nações. A medida ocorre em meio a um cenário eleitoral nos EUA, em que Trump tenta reforçar seu apoio junto à base conservadora e ruralista.

Analistas avaliam que o gesto pode ser uma forma de demonstrar força internacional e agradar aliados ideológicos como Bolsonaro, ainda que com custo diplomático elevado.

Agronegócio teme prejuízos

Com a proximidade da data de início da vigência da tarifa, produtores rurais brasileiros demonstram preocupação. Estima-se que as exportações brasileiras para os EUA somam bilhões de dólares por ano, com destaque para carne bovina, grãos e frutas.

Uma tarifa de 50% encarece esses produtos e pode torná-los inviáveis no mercado norte-americano, prejudicando diretamente a balança comercial brasileira.

Possível desdobramento: anistia em debate

Bolsonaro
Imagem: ettore chiereguini / shutterstock.com

As falas de Bolsonaro reacendem o debate sobre uma possível anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Apesar de amplamente rechaçada por setores do Judiciário e parte do Congresso, há parlamentares da oposição que apoiam a medida, com o argumento de pacificação nacional.

Entretanto, críticos alertam que uma anistia nesse contexto poderia ser interpretada como submissão a pressões externas e desrespeito ao Estado Democrático de Direito.

Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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