Em entrevista ao vivo concedida na terça-feira (15), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo ele, falta humildade a Lula para procurar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e buscar juntos uma solução para o impasse diplomático que pode afetar profundamente a economia nacional.
Durante a conversa com o portal Poder360, Bolsonaro ressaltou que o prazo para o início da medida é curto, em 15 dias, e disse que aconselharia o filho a dialogar com Lula, mas apenas se fosse procurado pelo presidente.
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A tarifa, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) em carta enviada a Lula, prevê um aumento de 50% sobre produtos brasileiros. O endurecimento na relação comercial foi justificado pelo tratamento dado por autoridades brasileiras aos processos contra Bolsonaro no Brasil.
Na visão do ex-presidente, a decisão de Trump está ligada a uma defesa da liberdade de expressão e à crítica a perseguições políticas, em vez de uma mera retaliação econômica. “Ele [Trump] não quer caça às bruxas. Quer um bom comércio”, avaliou Bolsonaro.
Mediação entre Eduardo e Tarcísio
Outro tema abordado por Bolsonaro foi a recente troca de farpas entre Eduardo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-presidente contou que interveio pessoalmente para acalmar os ânimos entre ambos.
“Hoje foi botada uma pedra em cima. Conversei com Eduardo e conversei com o Tarcísio. Está tudo pacificado. O Tarcísio continua sendo meu irmão mais novo e vamos em frente”, afirmou.
A divergência surgiu após críticas de Eduardo ao tom mais conciliador de Tarcísio em relação ao governo federal para lidar com o tarifaço. O deputado chegou a chamar a postura do governador de “subserviência servil às elites”.
Para Bolsonaro, as críticas foram exageradas e atribuídas à inexperiência política do filho: “Apesar de ter feito 40 anos agora, ele não é tão maduro para política”.
Tarcísio defende união em defesa do empresariado
Desde que a carta de Trump veio a público, Tarcísio alternou críticas duras ao Planalto e apelos por uma solução conjunta. Inicialmente, ele culpou o governo Lula por misturar ideologia e aritmética. Dias depois, passou a falar em unir esforços para proteger o setor produtivo paulista, principal atingido pelas novas tarifas.
Segundo Bolsonaro, Tarcísio tem justificativas para defender o empresariado paulista: “Ele é governador, não presidente. Tem que olhar para os empresários de São Paulo, que por tabela são todos os brasileiros. Vai resolver? Não sei, porque essa decisão é pessoal do Trump”, ponderou.
PGR pede condenação de Bolsonaro
A entrevista de Bolsonaro também aconteceu um dia depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra ele por tentativa de golpe de Estado. Entre as acusações estão: formação de organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado democrático de Direito, danos qualificados e deterioração de patrimônio público.
Além do ex-presidente, outros sete aliados próximos também foram denunciados, incluindo Anderson Torres, Augusto Heleno e Braga Netto.
Questionado, Bolsonaro não comentou detalhes do processo, preferindo manter o foco na crise comercial e no cenário político.
Lula ainda não se manifestou
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock.com
Até o momento, Lula não respondeu diretamente às críticas de Bolsonaro nem indicou qualquer iniciativa para dialogar com a oposição sobre a tarifa. Aliados próximos defendem que a negociação com os Estados Unidos deve ser conduzida exclusivamente pelo Ministério das Relações Exteriores.
O Planalto, por sua vez, ainda não apresentou um plano claro para lidar com as consequências do tarifaço para setores-chave da economia, especialmente para a indústria paulista.
Conclusão: diálogo ou embate?
Com o prazo se esgotando para a entrada em vigor das tarifas norte-americanas, cresce a pressão para que governo federal, Congresso e setor produtivo encontrem uma solução negociada. Enquanto isso, Bolsonaro aumenta o tom das críticas e desafia Lula a dar o primeiro passo em busca de diálogo.
Resta saber se, diante da gravidade econômica do problema, o Planalto abrirá espaço para conversas com a oposição ou se o embate político seguirá dominando o cenário.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.