Boneca proibida? Entenda o que levou esse país a vetar o brinquedo
Com sua estética peculiar — orelhas de coelho, dentes pontiagudos e olhos que alternam entre o fofo e o sinistro —, a boneca Labubu deixou de ser apenas um brinquedo para se transformar em um fenômeno cultural e comercial.
Criada em Hong Kong e distribuída pela empresa chinesa Pop Mart, a personagem movimentou bilhões de reais em vendas globais e se tornou queridinha entre celebridades e influenciadores. No entanto, o sucesso meteórico da Labubu começou a levantar preocupações em governos e instituições de ensino.
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O que é a Labubu?

A Labubu é uma das principais criações da Pop Mart, empresa especializada em “blind boxes” — caixas-surpresa que escondem figuras colecionáveis em seu interior. Esse tipo de produto incentiva a compra repetida, já que o consumidor não sabe qual modelo receberá.
Algumas versões da Labubu são extremamente raras, alcançando valores altíssimos no mercado de revenda. A estética “estranha e fofa” da boneca agradou a um público jovem e conectado, impulsionando vendas através de redes sociais como TikTok e Instagram.
Polêmica: por que a Labubu foi banida?
Reino Unido: aglomerações e segurança pública
A mais recente ação contra a boneca ocorreu no Reino Unido, onde a própria Pop Mart decidiu suspender temporariamente as vendas presenciais após grandes aglomerações nas lojas e riscos à segurança pública.
O comércio da Labubu agora está restrito ao ambiente online no país, medida adotada após diversas confusões causadas pela corrida por modelos raros.
Indonésia: bullying nas escolas
Na Indonésia, a situação foi mais grave: diversas escolas proibiram a entrada das bonecas Labubu após relatos de bullying entre alunos. Crianças que não possuíam a boneca eram excluídas de grupos e clubes informais, muitas vezes formados com base na raridade dos modelos possuídos.
A pressão social e os efeitos na saúde mental de estudantes levaram diretores a proibir a entrada do brinquedo no ambiente escolar.
Lógica da “blind box”: brinquedo ou jogo de azar?
Como funciona a mecânica das caixas-surpresa
O modelo de vendas da Pop Mart é similar ao de um cassino: o consumidor compra uma blind box sem saber qual personagem encontrará. Com isso, muitos acabam comprando diversas caixas para tentar obter versões raras, criando um ciclo de consumo que pode se tornar compulsivo.
“É como uma roleta de brinquedo. Você não sabe o que vai sair e fica tentado a comprar de novo”, afirma um colecionador entrevistado pela mídia chinesa.
Debates em países asiáticos
Em países como China, Malásia e Singapura, a mecânica da blind box está sendo investigada por órgãos reguladores, que avaliam se ela configura jogo de azar disfarçado. As autoridades discutem a necessidade de regulamentar esse tipo de produto, sobretudo para proteger menores de idade.
Influência de celebridades e o impulso nas redes sociais
A explosão da Labubu está diretamente ligada à sua exposição por celebridades. A cantora Lisa, do grupo sul-coreano BLACKPINK, foi vista usando uma Labubu presa à bolsa, o que desencadeou uma onda de interesse imediato.
No TikTok, a hashtag #labubu já acumula milhões de visualizações, com vídeos de “unboxing”, sorteios ao vivo e exibições de coleções.
Economia paralela: revenda e falsificações
A alta demanda fez com que surgissem plataformas dedicadas à revenda das bonecas, como StockX, onde modelos raros chegam a ser vendidos por centenas de dólares.
Já no AliExpress e outros marketplaces, surgiram as chamadas fauxbubus ou lafufus — versões falsificadas de baixa qualidade, vendidas a preços inferiores.
Consequências sociais e econômicas
Exclusão social e consumismo entre crianças
A febre da Labubu causou um efeito colateral preocupante: crianças começaram a estabelecer status social com base nos modelos que possuíam. O brinquedo deixou de ser um objeto lúdico e passou a simbolizar inclusão ou exclusão social, especialmente em ambientes escolares.
Pressão econômica para famílias
Com o valor elevado de certos modelos e a necessidade de comprar repetidamente em busca de um personagem específico, a Labubu também gerou pressão financeira em famílias, principalmente de classe média e baixa, que tentam atender aos desejos dos filhos.
Pop Mart e o futuro da boneca Labubu
Empresa por trás da febre
A Pop Mart, responsável pela criação e distribuição da Labubu, faturou mais de R$ 2,3 bilhões em 2024 apenas com a venda de blind boxes.
O modelo de negócios é altamente lucrativo, mas também controverso. A empresa vem sendo pressionada a rever práticas comerciais, especialmente relacionadas ao público infantil.
Mudanças à vista?
Diante da pressão pública e da regulamentação em alguns países, a Pop Mart já começa a ajustar estratégias. Entre as medidas consideradas estão:
- Informações mais claras nas embalagens;
- Limites de compra por CPF;
- Campanhas educativas sobre consumo consciente;
- Vendas controladas em ambientes físicos.
Considerações finais
A boneca Labubu representa muito mais do que um brinquedo popular: ela simboliza os desafios do consumo moderno, a influência das redes sociais na formação de tendências e os riscos de modelos comerciais baseados em sorte.
Sua proibição em alguns países é um alerta para pais, educadores e autoridades sobre os limites entre diversão, vício e exclusão.
Imagem: Shutterstock / Enjoy The Life
