O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (12.ago.2025), que o Brasil está aberto a incluir o etanol nas negociações sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. As tarifas de 50%, decretadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, afetaram diversos produtos brasileiros, mas o etanol foi o único citado nominalmente na investigação do Departamento de Comércio dos EUA.
📌 DESTAQUES:
Lula afirma que Brasil está disposto a negociar etanol com EUA em meio ao tarifaço de 50% imposto por Trump.
“Não nos recusamos a negociar a questão do etanol. Nós estamos dispostos a negociar a questão do etanol sem nenhum problema”, disse Lula em entrevista ao programa O É da Coisa, da BandNews.
A fala do presidente contrasta com a posição de alguns integrantes do governo brasileiro, que defendem que o combustível não deveria ser usado como moeda de troca em eventuais tratativas com Washington.
O etanol ficou de fora da lista de mercadorias isentas das novas tarifas impostas pelos EUA, tornando-se peça central no debate comercial entre os dois países. Em documento publicado em março, o Departamento de Comércio norte-americano acusou o Brasil de adotar “práticas comerciais injustas” e “discriminação regulatória”.
O relatório afirma que:
“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico.”
Diferença tarifária e peso nas exportações
Atualmente, a tarifa de importação brasileira para o etanol é de 18%, enquanto os Estados Unidos aplicam uma taxa de 2,5% sobre o combustível brasileiro. Essa diferença é um dos pontos de atrito destacados pelo governo norte-americano.
Outro dado relevante: cerca de 60% do etanol importado pelos EUA é produzido no Brasil. Isso reforça a importância estratégica do produto tanto para a economia brasileira quanto para a norte-americana.
Visão do agronegócio
Parte do setor do agronegócio brasileiro vê com cautela a possibilidade de o etanol entrar na mesa de negociações. Produtores e exportadores temem que, por já ter sido citado explicitamente em manifestações oficiais do governo dos EUA, a redução da tarifa brasileira sobre o combustível seja colocada como exigência em um eventual acordo comercial.
Para representantes do setor, essa troca poderia enfraquecer a competitividade do etanol brasileiro no mercado interno e impactar a renda de produtores nacionais, especialmente aqueles voltados para o abastecimento doméstico.
Estratégia do governo
O governo Lula busca construir uma estratégia que equilibre interesses comerciais e políticos. A disposição de negociar o etanol é vista por analistas como uma tentativa de abrir um canal de diálogo com Washington e, ao mesmo tempo, flexibilizar pontos de tensão criados pelo tarifaço.
A postura, no entanto, ainda é alvo de debate interno. Enquanto parte da equipe econômica considera a negociação do etanol um gesto pragmático, setores mais nacionalistas argumentam que isso poderia comprometer conquistas históricas do Brasil na política de biocombustíveis.
Impactos possíveis de uma negociação
Caso o Brasil aceite rever suas tarifas sobre o etanol, é possível que ocorra:
Redução de custos para importadores norte-americanos, o que poderia aumentar as vendas do produto brasileiro para os EUA.
Pressão sobre o mercado interno, com risco de aumento de importações e competição maior para produtores nacionais.
Reforço nas relações diplomáticas com Washington, possivelmente abrindo portas para acordos em outras áreas comerciais.
Por outro lado, manter as tarifas atuais poderia preservar a proteção à produção doméstica, mas também prolongar tensões comerciais e deixar o etanol como um entrave nas negociações.
Contexto político e comercial
O tarifaço de 50% imposto por Donald Trump foi amplamente criticado no Brasil por seu impacto sobre a competitividade das exportações. Ao excluir o etanol das isenções, o governo norte-americano sinalizou que vê o produto como um ponto central na relação comercial bilateral.
A disputa sobre o etanol também reflete a histórica tensão entre protecionismo e liberalização no comércio agrícola internacional. No caso do Brasil, o biocombustível é não apenas um produto de exportação, mas também parte da matriz energética e da política de transição para fontes mais limpas.
Enquanto isso, produtores e exportadores seguem monitorando cada passo das conversas bilaterais, conscientes de que o etanol, antes visto como símbolo de parceria energética, tornou-se um dos pontos mais sensíveis na agenda comercial Brasil-EUA.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.
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