O levantamento aponta ainda que além das vítimas fatais, houveram 142 registros de violações de direitos humanos.
Pelo 14° ano consecutivo, Brasil é o país que mais mata trans e travestis
No ranking mundial. é possível perceber maior número de casos em países da América Latina e Caribe, com o maior número de mortes violentas de pessoas trans e travestis. Em segundo lugar, aparece o México com 56 assassinatos.
Entre os anos de 2017 e 2022, foram registrados um total de 912 assassinatos de trans e travestis por questões de gênero. Os dados consideram todo o período em que a Antra realiza o levantamento.
Em comparação com o ano de 2021, o número de assassinatos do último ano apresentou uma queda de 6%, saindo de 140 para 131.
No entanto, a diminuição não foi suficiente para tirar o país do topo da lista. Além disso, os dados apontam que a maioria dos assassinos são transgêneros e somente 32% dos autores foram identificados e punidos.
Segundo a secretária de Articulação Política da Antra, Bruna Benevides, na apresentação do relatório ao Ministério dos Direitos Humanos:
“O Brasil também é o país que mais consome pornografia trans. Essa dicotomia não faz sentido porque é o que mais assassina, mas é o que mais tem desejo por aquele corpo. O assassinato talvez seja para tentar dizimar esse desejo. O controle da sexualidade, a falta de discussão de sexualidade e gênero promove pessoas sexualmente frustradas”.
Outro ponto destacado pela associação são as idades das vítimas. Cerca de 89% tinham entre 15 e 39 anos. O registro de assassinato de pessoa trans mais jovem, que se tem conhecimento mundialmente, aconteceu no Brasil, em 2021, com uma vítima de 13 anos.
Principais vítimas da transfobia no Brasil
No ranking nacional, Pernambuco foi o estado que mais matou trans e travestis em 2022, foram 13 assassinatos registrados. Na sequência, aparecem São Paulo e Ceará com 11 vítimas fatais.
Informações do relatório também revelam maior vulnerabilidade de pessoas trans e travestis negras. Levando em conta o registro feito pela Antra, de 2017 a 2022, 79,8% das vítimas fatais da transfobia eram negras.
O dossiê ainda revela que em 2022, 95% dos assassinatos tiraram a vida de pessoas transfemininas. Segundo a Antra, essas mulheres têm 38 vezes mais chances de serem mortas em comparação com homens trans e pessoas não binárias.
O estudo mostra que pobres com menor acesso às tecnologias de gênero, educação, saúde e políticas públicas são os que mais sofrem com os ataques que terminam em morte.
Dados mais detalhados confirmam que as vítimas sofrem com mortes violentas, sendo 47% por tiros, 24% facadas, 16% espancamentos e estrangulamentos. Também foi possível constatar que 65% dos crimes tinham requintes de crueldade.
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