Um estudo recente da Agência Espacial Americana (NASA), com apoio de publicações científicas como Science Advances e Nature Communications, acende um alerta sobre o futuro climático do planeta — e, especialmente, do Brasil. Segundo a pesquisa, diversas regiões brasileiras poderão se tornar inabitáveis até 2075, caso o aquecimento global continue avançando sem controle.
Brasil pode se tornar inabitável em 50 anos? Descubra as regiões em risco segundo a NASA
Estudo da NASA revela que regiões do Brasil podem se tornar inabitáveis nos próximos 50 anos devido ao calor extremo, saiba mais!
O fator determinante? O calor extremo, intensificado por altos índices de umidade, o que compromete diretamente a capacidade do corpo humano de manter sua temperatura interna estável.
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As regiões mais ameaçadas no Brasil

Centro-Oeste, Norte, Nordeste e partes do Sudeste sob risco elevado
Com base em modelos climáticos de alta resolução e imagens de satélite, os cientistas da NASA identificaram áreas críticas em quatro regiões brasileiras:
- Centro-Oeste: Estados como Mato Grosso e Goiás podem sofrer com ondas de calor prolongadas, agravadas pelo desmatamento do Cerrado.
- Norte: A Floresta Amazônica, especialmente nas bordas desmatadas, já enfrenta eventos extremos que afetam tanto humanos quanto biodiversidade.
- Nordeste: Com histórico de estiagens, a região é vulnerável a altas temperaturas combinadas com umidade, o que agrava o estresse térmico.
- Sudeste: Áreas urbanas como a Grande São Paulo e o Rio de Janeiro enfrentam o chamado efeito de ilha de calor, amplificando o risco em comunidades densamente povoadas.
Por que o calor pode tornar áreas inabitáveis?
O papel da umidade e da sensação térmica
O estudo da NASA utilizou o conceito de temperatura de bulbo úmido, que combina calor e umidade. Quando essa medida ultrapassa 35°C, o corpo humano perde a capacidade de resfriamento pela transpiração. Em regiões tropicais, temperaturas acima de 37°C com umidade superior a 70% podem ser suficientes para causar:
- Colapso térmico
- Desidratação severa
- Insuficiência respiratória
- Comprometimento cardíaco
- Danos cerebrais e falência de órgãos, quando a temperatura corporal ultrapassa os 42°C
Um problema de saúde pública global
Calor extremo mata — e os dados estão subestimados
Entre 2000 e 2019, o calor foi responsável por cerca de 489 mil mortes anuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). No entanto, a subnotificação é alta, especialmente em países em desenvolvimento, onde os sistemas de saúde nem sempre conseguem relacionar óbitos ao estresse térmico.
Além disso, o calor está diretamente ligado a 27 doenças agravadas, como:
- Acidentes vasculares cerebrais (AVC)
- Infarto agudo do miocárdio
- Asma e bronquite crônica
- Insuficiência renal
- Exacerbações de transtornos mentais
O impacto global do fenômeno

Ásia e Oriente Médio também sob ameaça
O Brasil não está sozinho. O estudo da NASA também identificou zonas críticas em outras partes do mundo, como:
- Sul da Ásia (Índia, Paquistão)
- Sudeste Asiático (Indonésia, Vietnã)
- Golfo Pérsico (Emirados, Catar, Arábia Saudita)
- China central e litoral
Nessas áreas, milhões de pessoas poderão ser forçadas a migrar, pressionando ainda mais os sistemas urbanos e alimentando crises humanitárias e políticas.
O Cerrado sob pressão
Destaque para o segundo maior bioma do Brasil
O Cerrado brasileiro foi citado no estudo da Nature Communications como um dos ecossistemas mais vulneráveis. O desmatamento e as queimadas contribuem para a redução da umidade e o aumento do calor, comprometendo a capacidade de regeneração natural do bioma e elevando os riscos para as comunidades locais, inclusive indígenas e quilombolas.
Ações urgentes para evitar o pior cenário
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Mitigação e adaptação: dois caminhos necessários
Diante desse cenário alarmante, especialistas apontam duas frentes essenciais:
1. Mitigação das mudanças climáticas
- Redução de emissões de CO₂ e outros gases de efeito estufa
- Transição energética para fontes renováveis
- Preservação de florestas nativas, como Amazônia e Cerrado
- Proibição de queimadas ilegais e recuperação de áreas degradadas
2. Adaptação das cidades e comunidades
- Sistemas de alerta precoce para ondas de calor
- Infraestrutura urbana verde, com arborização e telhados frios
- Educação pública sobre hidratação e cuidados em dias quentes
- Hospitais e postos de saúde preparados para atender vítimas de estresse térmico
Exemplo prático: cidades adaptadas
Cidades como Paris, Toronto e Tóquio já implementam planos de contingência para calor extremo, com ações como resfriamento de vias públicas, distribuição de água potável e campanhas educativas. O Brasil ainda carece de uma estratégia nacional integrada para eventos extremos de calor.
Calor extremo como injustiça climática

Populações pobres e marginalizadas são as mais afetadas
A crise do calor não atinge todos da mesma forma. Favelas, periferias e regiões rurais carentes, muitas vezes com acesso precário à água, energia e saúde, são mais vulneráveis. O tema também é uma questão de justiça climática, pois essas populações contribuem menos para as emissões, mas sentem de forma desproporcional seus efeitos.
Imagem: L Galbraith/shutterstock.com
