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Brasil pode se tornar inabitável em 50 anos? Descubra as regiões em risco segundo a NASA

Estudo da NASA revela que regiões do Brasil podem se tornar inabitáveis nos próximos 50 anos devido ao calor extremo, saiba mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
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Um estudo recente da Agência Espacial Americana (NASA), com apoio de publicações científicas como Science Advances e Nature Communications, acende um alerta sobre o futuro climático do planeta — e, especialmente, do Brasil. Segundo a pesquisa, diversas regiões brasileiras poderão se tornar inabitáveis até 2075, caso o aquecimento global continue avançando sem controle.

O fator determinante? O calor extremo, intensificado por altos índices de umidade, o que compromete diretamente a capacidade do corpo humano de manter sua temperatura interna estável.

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As regiões mais ameaçadas no Brasil

Mapa e a bandeira do Brasil
Imagem: BUTENKOV ALEKSEI / shutterstock.com

Centro-Oeste, Norte, Nordeste e partes do Sudeste sob risco elevado

Com base em modelos climáticos de alta resolução e imagens de satélite, os cientistas da NASA identificaram áreas críticas em quatro regiões brasileiras:

  • Centro-Oeste: Estados como Mato Grosso e Goiás podem sofrer com ondas de calor prolongadas, agravadas pelo desmatamento do Cerrado.
  • Norte: A Floresta Amazônica, especialmente nas bordas desmatadas, já enfrenta eventos extremos que afetam tanto humanos quanto biodiversidade.
  • Nordeste: Com histórico de estiagens, a região é vulnerável a altas temperaturas combinadas com umidade, o que agrava o estresse térmico.
  • Sudeste: Áreas urbanas como a Grande São Paulo e o Rio de Janeiro enfrentam o chamado efeito de ilha de calor, amplificando o risco em comunidades densamente povoadas.

Por que o calor pode tornar áreas inabitáveis?

O papel da umidade e da sensação térmica

O estudo da NASA utilizou o conceito de temperatura de bulbo úmido, que combina calor e umidade. Quando essa medida ultrapassa 35°C, o corpo humano perde a capacidade de resfriamento pela transpiração. Em regiões tropicais, temperaturas acima de 37°C com umidade superior a 70% podem ser suficientes para causar:

  • Colapso térmico
  • Desidratação severa
  • Insuficiência respiratória
  • Comprometimento cardíaco
  • Danos cerebrais e falência de órgãos, quando a temperatura corporal ultrapassa os 42°C

Um problema de saúde pública global

Calor extremo mata — e os dados estão subestimados

Entre 2000 e 2019, o calor foi responsável por cerca de 489 mil mortes anuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). No entanto, a subnotificação é alta, especialmente em países em desenvolvimento, onde os sistemas de saúde nem sempre conseguem relacionar óbitos ao estresse térmico.

Além disso, o calor está diretamente ligado a 27 doenças agravadas, como:

  • Acidentes vasculares cerebrais (AVC)
  • Infarto agudo do miocárdio
  • Asma e bronquite crônica
  • Insuficiência renal
  • Exacerbações de transtornos mentais

O impacto global do fenômeno

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Imagem: Jayjune69/shutterstock.com

Ásia e Oriente Médio também sob ameaça

O Brasil não está sozinho. O estudo da NASA também identificou zonas críticas em outras partes do mundo, como:

  • Sul da Ásia (Índia, Paquistão)
  • Sudeste Asiático (Indonésia, Vietnã)
  • Golfo Pérsico (Emirados, Catar, Arábia Saudita)
  • China central e litoral

Nessas áreas, milhões de pessoas poderão ser forçadas a migrar, pressionando ainda mais os sistemas urbanos e alimentando crises humanitárias e políticas.

O Cerrado sob pressão

Destaque para o segundo maior bioma do Brasil

O Cerrado brasileiro foi citado no estudo da Nature Communications como um dos ecossistemas mais vulneráveis. O desmatamento e as queimadas contribuem para a redução da umidade e o aumento do calor, comprometendo a capacidade de regeneração natural do bioma e elevando os riscos para as comunidades locais, inclusive indígenas e quilombolas.

Ações urgentes para evitar o pior cenário

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Mitigação e adaptação: dois caminhos necessários

Diante desse cenário alarmante, especialistas apontam duas frentes essenciais:

1. Mitigação das mudanças climáticas

  • Redução de emissões de CO₂ e outros gases de efeito estufa
  • Transição energética para fontes renováveis
  • Preservação de florestas nativas, como Amazônia e Cerrado
  • Proibição de queimadas ilegais e recuperação de áreas degradadas

2. Adaptação das cidades e comunidades

  • Sistemas de alerta precoce para ondas de calor
  • Infraestrutura urbana verde, com arborização e telhados frios
  • Educação pública sobre hidratação e cuidados em dias quentes
  • Hospitais e postos de saúde preparados para atender vítimas de estresse térmico

Exemplo prático: cidades adaptadas

Cidades como Paris, Toronto e Tóquio já implementam planos de contingência para calor extremo, com ações como resfriamento de vias públicas, distribuição de água potável e campanhas educativas. O Brasil ainda carece de uma estratégia nacional integrada para eventos extremos de calor.

Calor extremo como injustiça climática

Onda de calor: Sensação térmica pode chegar a 70°C nos próximos dias
Imagem: freepik/Freepik

Populações pobres e marginalizadas são as mais afetadas

A crise do calor não atinge todos da mesma forma. Favelas, periferias e regiões rurais carentes, muitas vezes com acesso precário à água, energia e saúde, são mais vulneráveis. O tema também é uma questão de justiça climática, pois essas populações contribuem menos para as emissões, mas sentem de forma desproporcional seus efeitos.

Imagem: L Galbraith/shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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