O mercado global de criptomoedas voltou a registrar um forte movimento de entradas líquidas na semana encerrada em 9 de maio de 2025. De acordo com o relatório da gestora CoinShares, os fundos de investimento em ativos digitais acumularam US$ 882 milhões em entradas líquidas, sinalizando a quarta semana consecutiva de otimismo entre investidores institucionais.
Brasil realiza lucros enquanto fundos globais de criptomoedas captam bilhões: por que os investidores estão divergindo?
Investidores brasileiros sacam R$ 3,4 milhões de fundos de criptomoedas em semana marcada por otimismo global, com entradas de US$ 882 milhões.
No entanto, o Brasil nadou contra a corrente. Investidores brasileiros sacaram R$ 3,4 milhões (US$ 600 mil) dos fundos de criptoativos no mesmo período, indicando uma postura mais cautelosa — possivelmente uma realização de lucros após semanas de valorização dos ativos digitais.
Neste artigo, exploramos os dados em profundidade, analisamos o comportamento divergente do investidor brasileiro e avaliamos os impactos e perspectivas desse cenário para o mercado cripto nacional e internacional.
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O que mostram os dados da CoinShares?
Segundo a CoinShares, os maiores compradores líquidos de fundos de criptomoedas na semana analisada foram:
- Estados Unidos: +US$ 840 milhões
- Alemanha: +US$ 44,5 milhões
- Austrália: +US$ 10,2 milhões
- Suécia: +US$ 200 mil
- Outros países: +US$ 12 milhões
A soma resultou em um total de US$ 882 milhões em aportes líquidos, reforçando o apetite institucional pelas criptomoedas, principalmente após sinais de fragilidade no mercado de renda fixa e persistência da inflação global.
Saídas líquidas: quem vendeu?
Por outro lado, as saídas foram concentradas em poucos mercados:
- Brasil: –US$ 600 mil (R$ 3,4 milhões)
- Suécia (operações distintas): –US$ 12 milhões
- Canadá: –US$ 8 milhões
- Hong Kong: –US$ 4,3 milhões
Bitcoin lidera o movimento

Entre os ativos, o Bitcoin (BTC) foi o principal responsável pelo movimento positivo global, com US$ 867 milhões em entradas líquidas. Desde que os ETFs de Bitcoin à vista foram aprovados pela SEC, em janeiro de 2024, os fluxos para produtos baseados na criptomoeda chegaram a US$ 62,9 bilhões.
Outros ativos que também se destacaram:
| Ativo | Entradas líquidas (US$) |
|---|---|
| Sui (SUI) | 11,7 milhões |
| Short Bitcoin | 1,6 milhão |
| Ethereum (ETH) | 1,5 milhão |
| Ripple (XRP) | 1,4 milhão |
| Cardano (ADA) | 0,8 milhão |
Por que o Brasil está retirando capital enquanto o mundo compra?
Especialistas apontam que a saída de capital no Brasil pode estar relacionada a uma estratégia de realização de lucros por parte dos investidores locais, que preferem garantir os ganhos obtidos nas semanas anteriores.
Na semana anterior, os saques haviam totalizado R$ 1,1 milhão, sugerindo uma continuidade dessa estratégia.
Além disso, o comportamento mais conservador pode refletir:
- Incertezas políticas e fiscais internas;
- Falta de incentivos regulatórios para produtos cripto no Brasil;
- Menor penetração de ETFs de cripto no varejo nacional;
- Rendimento de renda fixa acima da inflação, que compete com o risco cripto.
Fundos que se destacaram: BlackRock, Fidelity e ARK
O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, foi novamente o fundo com maior captação na semana: US$ 1,026 bilhão, somando os ETFs de Bitcoin e Ethereum.
Fidelity e ARK também acumulam entradas
- Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC): +US$ 62 milhões
- ARK 21 Shares Bitcoin ETF: +US$ 46 milhões
Grayscale e Bitwise enfrentam saídas
Enquanto os fundos acima atraíram capital, outras gestoras enfrentaram saídas significativas:
- Grayscale Bitcoin Trust (GBTC): –US$ 168 milhões
- Bitwise: –US$ 27 milhões
Essa discrepância mostra uma migração de investidores para veículos com taxas menores e maior liquidez.
Análise da CoinShares: por que o otimismo global?
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A CoinShares destacou que o aumento da oferta de moeda M2 global (que inclui dinheiro físico e ativos altamente líquidos) foi um dos gatilhos para o aumento de demanda por criptoativos como reserva de valor.
O temor de estagflação nos Estados Unidos — ou seja, crescimento fraco com inflação persistente — tem levado investidores a buscar ativos escassos como o Bitcoin, que é amplamente utilizado como hedge em contextos inflacionários.
Além disso, estados norte-americanos e grandes corporações passaram a montar reservas estratégicas em Bitcoin, elevando a percepção do ativo como instrumento de diversificação e proteção patrimonial.
Brasil em números: ativos sob gestão (AuM)
Apesar das saídas recentes, o Brasil permanece relevante no cenário global. O total de ativos sob gestão (AuM) por parte de investidores brasileiros em criptoativos é de US$ 1,43 bilhão, colocando o país na sexta colocação mundial:
| País | AuM em cripto (US$) |
|---|---|
| EUA | 129,36 bilhões |
| Canadá | 6,04 bilhões |
| Suíça | 5,87 bilhões |
| Alemanha | 5,74 bilhões |
| Suécia | 3,44 bilhões |
| Brasil | 1,43 bilhão |
Perspectivas para o mercado cripto brasileiro

Analistas acreditam que a tendência de realização de lucros no Brasil pode continuar no curto prazo, especialmente se:
- O Bitcoin continuar lateralizado;
- A volatilidade aumentar com decisões do Fed;
- Houver eventos macroeconômicos no Brasil que afetem o apetite por risco.
Longo prazo permanece positivo
Contudo, o cenário de longo prazo permanece construtivo para o mercado nacional:
- Crescimento de produtos regulados, como ETFs na B3;
- Adoção institucional crescente;
- Educação financeira digital em ascensão;
- Demanda por descentralização em países com histórico de instabilidade cambial.
Considerações finais
A semana foi marcada por um paradoxo no mercado de criptomoedas: enquanto o mundo inteiro acumulava posições em Bitcoin e outros ativos digitais, os brasileiros pareciam buscar a proteção dos lucros obtidos anteriormente.
Embora a retirada de R$ 3,4 milhões possa parecer um sinal negativo, ela pode também representar uma gestão ativa de portfólio saudável, diante de um mercado que, apesar do otimismo global, segue imprevisível.
O desafio agora é entender se esse comportamento é apenas uma pausa tática ou o início de uma tendência mais longa de desinteresse. De qualquer forma, o Brasil segue como ator relevante na arena global dos criptoativos.
