Brasil segue contramão global e registra saques de R$ 50 milhões de fundos cripto
Na semana encerrada em 20 de junho de 2025, o Brasil manteve tendência de saídas líquidas de fundos de criptomoedas, com retiradas que somaram US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 49,7 milhões).
A movimentação faz parte de um padrão de nove semanas consecutivas de entradas líquidas globais, que totalizaram cerca de US$ 1,24 bilhões no período.
Apesar de os investidores nacionais estarem realizando lucros ou se mantendo cautelosos, a preocupação global com influências macroeconômicas e conflitos geopolíticos não impediu o crescimento expressivo no fluxo de capital para fundos cripto, liderado pelos EUA, Canadá e Austrália.
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Panorama global: nove semanas de entradas líquidas
A gestora CoinShares registrou a nona semana consecutiva de entradas líquidas em fundos de ativos digitais, totalizando aproximadamente US$ 1,9 bilhões na semana de 16 de junho, acumulando US$ 13,2 bilhões desde o início do ano.
Ainda que marcado por tensões regionais, como a escalada no Oriente Médio, o mercado global de criptomoedas permaneceu resiliente.
Fundos de Bitcoin e Ethereum lideram
- Fundos de Bitcoin concentraram cerca de US$ 1,3 bilhão em entradas na semana mais recente;
- Fundos de Ethereum receberam US$ 583 milhões, mantendo seu fluxo positivo contínuo;
- Altcoins como XRP e Sui também operaram no azul, com fluxos positivos de cerca de US$ 11,8 milhões e US$ 3,5 milhões, respectivamente.
ETFs cripto de maior destaque
Os produtos com maiores aportes incluem:
- iShares Bitcoin Trust ETF – US$ 1,23 bilhão;
- EX Ether ETF – US$ 70,9 milhões;
- ProShares Bitcoin ETF-USD – US$ 54,9 milhões;
Também destacam-se fundos como iShares Ethereum Trust e Bitwise, todos com entradas superiores a US$ 29 milhões.
Brasil na contramão: saques de fundos cripto somam R$ 50 milhões
Nos últimos sete dias, o Brasil retirou US$ 9 milhões, equivalentes a R$ 49,7 milhões, de produtos cripto, segundo a CoinShares. Já no acumulado de 30 dias, o saldo foi negativo em US$ 26,4 milhões, reduzindo os ativos sob gestão (AuM) para US$ 1,41 bilhão, ainda consolidando o país na sexta posição global.
Causas apontadas para os saques
Entre os principais fatores estão:
- Realização de ganhos clássica: após valorizações, investidores optam por converter lucros em dólar ou real.
- Incertezas macroeconômicas: preocupações com política monetária global e volatilidade on‑chain.
- Tensões geopolíticas recentes: operações militares dos EUA no Irã geraram nervosismo em mercados de risco.
Comparativo regional de fluxos: veja quem entrou e quem saiu
| País | Entrada/Saída sem. | Entrada/Saída 30d |
|---|---|---|
| EUA | +US$ 1,25 bi | — |
| Canadá | +US$ 20,9 mi | — |
| Austrália | +US$ 16,6 mi | — |
| Alemanha | +US$ 10,9 mi | — |
| Brasil | –US$ 9 mi | –US$ 26,4 mi |
| Hong Kong | –US$ 32,9 mi | — |
| Suécia | –US$ 14,9 mi | — |
Enquanto os EUA respondem por mais de US$ 1,2 bilhão em fluxos positivos, países como Brasil, Hong Kong e Suécia seguem apresentando saídas constantes.
Por que o Brasil se destaca negativamente?
Perfil de investidor cauteloso
Diferente dos EUA e Europa, o investidor brasileiro costuma ser mais conservador, tendendo a realizar lucros em momentos de volatilidade, reduzindo exposições especulativas no país.
Menor penetração institucional
A ausência de ETFs locais ou produtos amplamente divulgados mantém o mercado restrito a investidores mais experientes, limitando captação comparada a mercados maduros.
Efeito câmbio e custo de vida
Oscilações no dólar e pressões inflacionárias locais reduz a margem para exposição a ativos voláteis como cripto, incentivando resgates em períodos de risco.
Impactos nos fundos e no mercado cripto
Contração parcial dos fundos brasileiros
A retirada constante reduz os Ativos sob Gestão, dificultando economia de escala e tornando produtos menos atrativos, frente a custos administrativos fixos.
Menor liquidez em altcoins
Com foco maior em Bitcoin e Ethereum globalmente, fundos multiativos ou de altcoins sofrem mais com saques, impactando estratégias diversificadas.
Sinal para gestores
Criar produtos mais alinhados ao perfil local — como renda fixa lastreada, carteiras conservadoras mescladas e ETFs — pode atrair mais investidores e reduzir volatilidade de fluxos.
Perspectiva para os próximos meses
Cenário global permanece positivo
Com mais de nove semanas seguidas de entrada, incluindo US$ 1,3 bilhão só em Bitcoin, o mercado global segue confiante, mesmo com riscos geopolíticos.
Brasil pode reverter tendência
Se ocorrer:
- Aprovação de produtos regulados (ETFs locais);
- Ambientes mais atrativos (tributação clara, segurança jurídica);
- Eventos macro que impactem positivamente ativos de risco —
o país pode recuperar sua atratividade e reduzir a discrepância com o fluxo global.
Conclusão: decisão e diversificação
A retirada da ordem de R$ 50 milhões de fundos cripto no Brasil expõe um comportamento mais conservador do investidor local, que opta por realizar ganhos e reduzir risco em tempos de incerteza. Em paralelo, o mundo continua a absorver bilhões em cripto ativos, impulsionados por investidores institucionais e maior maturidade de mercado.
Para reduzir essa distância e ganhar competitividade, o setor brasileiro precisa ampliar seu leque de produtos regulados, oferecer segurança jurídica, e expandir a educação financeira sobre o tema. Caso contrário, os brasileiros podem continuar cada vez mais distantes do movimento global de adoção institucional das criptomoedas.