Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha revelou que a maioria dos brasileiros é favorável ao aumento do Imposto de Renda para os que ganham acima de R$ 50 mil por mês. A proposta, que integra as discussões sobre justiça fiscal no país, tem o apoio de 76% da população, conforme os dados divulgados nesta quinta-feira (10).
Maioria apoia cobrar mais no IR de quem ganha acima de R$ 50 mil, diz pesquisa Datafolha
Pesquisa Datafolha revela que 76% dos brasileiros apoiam aumento do IR para quem ganha mais de R$ 50 mil mensais.
A medida, defendida por parte do governo federal, visa tornar o sistema tributário mais progressivo, penalizando menos os que ganham menos e cobrando mais de quem tem maior poder aquisitivo. Apenas 20% dos entrevistados se posicionaram contra a proposta, enquanto 1% se mostrou indiferente e outros 3% não souberam opinar.
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Maior adesão à taxação dos ricos que à isenção para os mais pobres

Além do apoio à tributação dos super-ricos, o Datafolha também investigou a receptividade da população a uma possível isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil mensais. Os resultados indicam que 70% dos entrevistados apoiam a isenção, enquanto 26% são contra e 1% se declarou indiferente. Outros 3% não souberam responder.
Os dados revelam uma tendência clara de apoio à justiça tributária — conceito que busca equilibrar a carga de impostos de acordo com a capacidade contributiva de cada cidadão. Contudo, o destaque maior vai para a aceitação da cobrança de alíquotas mais altas para os mais ricos, o que demonstra uma possível mudança de mentalidade sobre o papel da tributação no combate às desigualdades sociais.
Confiança no Congresso ainda é um obstáculo
Apesar do alto apoio popular às duas propostas — tanto a tributação dos mais ricos quanto a isenção dos mais pobres —, há um ceticismo generalizado quanto à capacidade do Congresso Nacional de aprovar tais medidas.
Aprovação da taxação dos super-ricos divide opiniões
Entre os entrevistados, 49% não acreditam que o Congresso Nacional aprovará o aumento do Imposto de Renda para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês. Já 47% acreditam que a proposta será aprovada. Apenas 1% não soube responder.
Esse dado revela um cenário de desconfiança em relação ao poder legislativo, especialmente quando se trata de medidas que impactam diretamente os setores mais privilegiados da sociedade — que historicamente exercem forte influência política.
Projeções sobre a isenção também são incertas
A proposta de isentar do Imposto de Renda aqueles que ganham até R$ 5 mil por mês também não encontra consenso sobre sua viabilidade no Congresso. Segundo o Datafolha, 50% acreditam que ela será aprovada, enquanto 45% acham que não. Outros 6% não souberam opinar.
Essa divisão mostra que, mesmo diante de propostas populares, a população enxerga obstáculos políticos para sua concretização, em especial diante das complexidades das negociações legislativas e dos interesses em jogo.
Um debate sobre justiça fiscal no Brasil
Entendendo a lógica da tributação progressiva
A proposta de aumentar a tributação sobre os mais ricos segue uma lógica de justiça fiscal presente em diversas economias desenvolvidas. Trata-se de um modelo em que os impostos são proporcionais à renda ou ao patrimônio, o que ajuda a reduzir desigualdades e ampliar a arrecadação sem penalizar as classes trabalhadoras.
No Brasil, porém, esse modelo ainda encontra resistência. A estrutura tributária brasileira é majoritariamente regressiva, ou seja, penaliza proporcionalmente mais os que ganham menos, especialmente por meio de tributos indiretos, como o ICMS embutido em produtos de consumo básico.
Reações políticas e o papel do governo
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido uma reforma tributária mais justa. A proposta de elevar a alíquota do Imposto de Renda para os mais ricos está alinhada a esse objetivo. No entanto, sua viabilização depende de articulação política com o Congresso, que já se mostrou dividido em outras votações relevantes.
A adesão popular pode servir de argumento de pressão para que parlamentares apoiem a medida. Contudo, há resistência entre setores que representam o empresariado e parte da elite econômica, que argumentam que o aumento de impostos poderia gerar fuga de capitais e desestimular investimentos.
Perspectivas e próximos passos

A divulgação da pesquisa Datafolha reacende o debate sobre justiça fiscal em um país marcado por desigualdades históricas. O apoio da maioria da população às medidas que visam equilibrar a carga tributária entre ricos e pobres sinaliza um possível desejo de transformação estrutural.
No entanto, para que esse desejo se concretize, será necessário vencer as barreiras políticas impostas por um Congresso cuja composição nem sempre reflete as demandas da maioria. O avanço da reforma tributária — em especial no que se refere à progressividade — dependerá da capacidade do governo de articular apoio político e da pressão que a sociedade civil conseguir exercer sobre os parlamentares.
Conclusão
A pesquisa do Datafolha revela um importante termômetro da sociedade brasileira: a maioria dos cidadãos deseja um sistema tributário mais justo, no qual os mais ricos contribuam mais e os mais pobres tenham maior alívio fiscal. Ainda assim, a crença na efetiva aprovação dessas propostas é dividida, refletindo o abismo entre vontade popular e realidade política.
Seja qual for o desfecho, a discussão coloca em pauta um dos temas mais sensíveis e estruturais do Brasil — a forma como o Estado arrecada e distribui os recursos públicos — e sugere que a busca por equidade fiscal é uma pauta cada vez mais presente na consciência coletiva do país.
Imagem: Canva/ Freepik
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