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O que é o Brics? Tudo sobre o grupo que se encontra no Rio a partir deste domingo

O Rio de Janeiro volta aos holofotes da política internacional no próximo domingo (06) e segunda-feira (07), com a realização da Cúpula do Brics 2025. O evento

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Brasil brics

O Rio de Janeiro volta aos holofotes da política internacional no próximo domingo (06) e segunda-feira (07), com a realização da Cúpula do Brics 2025. O evento marca a retomada da liderança brasileira no grupo que reúne grandes economias em desenvolvimento, agora com 11 países-membros e 10 parceiros estratégicos.

Mais que um encontro simbólico, a Cúpula representa a consolidação do Brics como uma das principais vozes do chamado Sul Global — expressão usada para designar nações fora do eixo tradicional do poder político e econômico mundial, hoje concentrado no G7.

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O que é o Brics?

Brasil
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

História e expansão do bloco

O Brics nasceu como um conceito econômico em 2001, criado pelo economista Jim O’Neil para destacar o potencial de crescimento de Brasil, Rússia, Índia e China. A formalização do grupo como foro político ocorreu em 2006, e em 2011 a África do Sul foi incorporada.

O bloco se expandiu rapidamente nos últimos anos. Em 2024, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ingressaram como membros plenos. A Indonésia se juntou em 2025, elevando o total para 11 países-membros. Além disso, 10 nações atuam como parceiras, podendo participar dos debates, embora sem direito a voto.

Representatividade global

Juntos, os países do Brics representam:

  • 48,5% da população mundial
  • 39% da economia global
  • 23% do comércio internacional
  • 72% das reservas de terras raras
  • 43,6% da produção mundial de petróleo

Esses números destacam o peso crescente do grupo nas decisões estratégicas do planeta, especialmente nas áreas de energia, tecnologia e segurança alimentar.

O que é o Sul Global?

Um conceito geopolítico

O Sul Global é um termo utilizado para se referir a países em desenvolvimento que compartilham características como histórico de colonização, desigualdades sociais, e economias em crescimento. O grupo inclui nações da América Latina, África, Sudeste Asiático e partes da Ásia Central e Meridional.

Apesar do nome, muitos dos integrantes do Brics estão no Hemisfério Norte geográfico, como Rússia e China. O que os une é a busca por maior representatividade em instituições multilaterais como ONU, FMI e Banco Mundial.

Brasil na presidência do Brics

Papel de liderança internacional

Em 2025, o Brasil assumiu a presidência rotativa do Brics e, com isso, lidera as reuniões e define a pauta das discussões. Durante o ano, mais de 200 reuniões foram realizadas sob a coordenação brasileira, entre encontros presenciais e virtuais.

A Cúpula do Rio é o ápice deste ciclo, reforçando a posição do país como protagonista na articulação do Sul Global.

Quais os temas principais da Cúpula 2025?

Prioridades brasileiras

Durante a presidência brasileira, foram definidos seis eixos prioritários para o Brics:

  • Cooperação em saúde global
  • Comércio, investimento e finanças
  • Combate às mudanças climáticas
  • Governança da inteligência artificial
  • Arquitetura multilateral de paz e segurança
  • Desenvolvimento institucional do Brics

Esses temas refletem a tentativa do Brasil de reforçar o papel do bloco em debates emergentes e sensíveis para o futuro global.

Instituições ligadas ao Brics

Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)

Criado em 2015, o Novo Banco de Desenvolvimento (também conhecido como Banco do Brics) tem como objetivo financiar projetos de infraestrutura e sustentabilidade em países em desenvolvimento. Com sede em Xangai, o banco é presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, reeleita em 2025.

Desde sua fundação, o NDB já aprovou mais de 120 projetos, somando US$ 39 bilhões em financiamentos.

Arranjo Contingente de Reservas (ACR)

O ACR é uma plataforma de ajuda mútua entre os países-membros do Brics para enfrentar crises no balanço de pagamentos. Ele prevê a disponibilização de até US$ 100 bilhões em reservas internacionais, com destaque para os aportes da China, Brasil, Índia, Rússia e África do Sul.

Os novos membros também podem pleitear adesão ao ACR.

Expansão do Brics: há mais países interessados?

Mais de 30 nações já manifestaram interesse formal em se tornar membros plenos ou parceiros do Brics. Atualmente, a entrada de novos países é avaliada caso a caso, mediante consenso entre os líderes do grupo.

Apesar do entusiasmo internacional, a presidência brasileira informou que não há planos imediatos para uma nova rodada de expansão em 2025.

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Energia, comércio e inovação: os pilares do futuro

Força energética

O Brics possui:

  • 43,6% da produção global de petróleo
  • 36% da produção mundial de gás natural

Além disso, detém as maiores reservas conhecidas de minerais críticos para a transição energética, como terras raras.

Comércio e investimentos

Em 2024, os países do Brics receberam 36% das exportações brasileiras e forneceram 34% das importações do país. A tendência é de aumento dessas trocas comerciais, com acordos bilaterais e multilaterais sendo impulsionados pelas relações reforçadas no fórum.

Inteligência artificial e inovação

O Brasil quer aproveitar a presidência para propor diretrizes éticas de governança da inteligência artificial, além de incentivar a cooperação em pesquisa, inovação e cibersegurança entre os membros.

O Brics tem poder decisório internacional?

brics
Imagem: Reprodução / Agência Brasil

Embora o Brics não seja uma organização internacional com estrutura formal, suas declarações conjuntas influenciam o debate global. As decisões são tomadas por consenso e devem ser internalizadas pelos países conforme suas políticas domésticas.

A força do bloco está na articulação política e econômica coordenada, e na pressão por reformas em instituições como a ONU, o FMI e o Banco Mundial.

Por que a Cúpula acontece no Rio?

A sede do encontro é definida pelo país que ocupa a presidência rotativa. Em 2025, é o Brasil. A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como palco da reunião por seu simbolismo histórico e sua capacidade logística. O evento ocorre menos de um ano após o mesmo espaço, o Museu de Arte Moderna (MAM), ter sediado a Cúpula do G20.

Considerações finais

A Cúpula do Brics 2025 no Rio de Janeiro simboliza a crescente importância do Sul Global na geopolítica internacional. O evento reforça a necessidade de um mundo multipolar, mais representativo e democrático, onde as vozes dos países emergentes possam ser ouvidas de forma mais equilibrada.

Com pautas que envolvem comércio, energia, clima, tecnologia e desenvolvimento sustentável, o Brics se consolida como um ator relevante no cenário global e o Brasil, como liderança estratégica na articulação dessas agendas.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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