Nesta quarta‑feira (25), o BTG Pactual reabriu sua cobertura sobre as ações da Méliuz (CASH3), emitindo uma recomendação de compra logo depois de a empresa de cashback anunciar um salto de 114% no preço desde que implementou sua estratégia de tesouraria em Bitcoin (BTC).
Méliuz dispara 114% com estratégia em Bitcoin e BTG recomenda compra
BTG Pactual retoma cobertura do Méliuz com recomendação de compra e novo preço‑alvo de R$ 10, após ação subir 114% com estratégia de tesouraria em Bitcoin.
O banco também revisou o preço‑alvo para R$ 10,00, o que representa um potencial de valorização de 43% em relação ao fechamento de terça (24).
Mas o que motivou tanta empolgação por parte dos analistas do BTG? Vamos dissecar a tese, entender os riscos e avaliar se vale a pena investir.
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Salto de 114%: o que mudou na percepção de mercado
Desde março, quando a Méliuz anunciou o início da estratégia para se tornar a primeira “Bitcoin Treasury Company” do Brasil — uma empresa que acumula e mantém ativos em BTC na tesouraria —, os papéis passaram por forte alta, refletindo o otimismo do mercado com a nova diretriz. A valorização foi tão significante que o BTG, inicialmente cético, acabou revisando sua análise.
BTG retoma cobertura e aumenta preço‑alvo
No relatório, assinado pelos analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Thiago Paura, o banco assumiu ter subestimado o impacto da tese de acumulação de bitcoin:
“Nossa reação inicial ao anúncio foi de surpresa e ceticismo… com a valorização de 114% da ação desde que a estratégia foi revelada, ficou claro que estávamos perdendo algo.”
Com isso, a ação recebeu recomendação de compra e o preço‑alvo foi elevado para R$ 10,00 — cerca de 43% acima do preço de fechamento anterior .
Méliuz como Bitcoin Treasury Company: operação por quatro pilares

A estratégia que atraiu a atenção do BTG se sustenta em quatro bases:
Desempenho do Bitcoin
O ponto central é a valorização contínua do BTC — um ativo que, desde a adoção, superou a marca dos US$ 100 mil várias vezes e continua atraindo investidores institucionais e de varejo.
Valuation do negócio tradicional
Antes da nova abordagem, o negócio principal da Méliuz, que consiste em cashback, era avaliado em cerca de R$ 400 milhões, o elétron 6× EV/Ebitda. Esse fluxo operacional garante que a empresa tenha caixa para sustentar a compra de BTC sem depender exclusivamente de novas emissões.
Volatilidade e instrumentos estruturados
O BTG destaca que empresas que acumulam bitcoin, como a Méliuz e a americana Strategy (ex‑MicroStrategy), tiram proveito da volatilidade do BTC para emitir instrumentos financeiros — como debêntures conversíveis, ações preferenciais e warrants — com condições favoráveis, monetizando a volatilidade em seu benefício.
Capacidade de captação
Por último, a capacidade de levantar recursos no mercado — pelo mercado de capitais — é crucial para ampliar a carteira de bitcoin. A Méliuz já testou isso em junho, quando captou R$ 180 milhões (cerca de US$ 32 milhões) via oferta subsequente para comprar mais bitcoin .
O valuation híbrido: mNAV e múltiplos tradicionais
Para sustentar sua recomendação, o BTG apresentou um modelo híbrido de valuation:
mNAV – múltiplo do valor em BTC por ação
O métrico mNAV compara o valor de mercado da empresa com seus bitcoins em tesouraria. Se o BTC se valorizar, o valor por ação acompanha de forma assimétrica, expondo os acionistas a ganhos alavancados.
EV/Ebitda do negócio principal
Até o momento, o negócio de cashback sustentava um valuation conservador em torno de 6× EV/Ebitda. Com a expansão da carteira de BTC, o peso desse valuation diminui, mas serve de base estável para a análise .
Riscos da estratégia — nem só de ganhos se faz uma BTC Treasury
Apesar da empolgação, o relatório enumera riscos significativos:
Desvalorização do Bitcoin
Se o preço do BTC recuar nos próximos anos, as reservas da Méliuz perdem valor, o que afetaria diretamente o valor de mercado da empresa e poderia minar a lógica da estratégia.
Limites à captação futura
A continuidade da emissão de instrumentos financeiros depende não apenas da demanda, mas também do ambiente macro e de mercado. Se esse fluxo secar, a meta de acumulação de BTC pode falhar.
Risco de diluição
Novas emissões para compra de BTC podem gerar diluição da posição de acionistas atuais, caso não haja suporte de capital.
Ações recentes que reforçaram a estratégia
Compra inicial de 45,7 BTC
Em março, a Méliuz comprou cerca de 45,7 BTC — aproximadamente US$ 4,1 milhões — representando 10% de seu caixa disponível.
Segunda compra de 274,5 BTC
Em maio, após alteração de seu objeto social aprovadas em assembleia, a empresa investiu mais US$ 28,4 milhões em 274,5 bitcoin pela média de US$ 103,6 mil cada, elevando a reserva para 320,25 BTC.
Oferta subsequente via BTG
Em 13 de junho, a Méliuz captou R$ 180 milhões via oferta com 5% de desconto, intermediada pelo BTG, para reforçar a posição em BTC .
Reação do mercado: valorização de 110% e atratividade crescente
Alta expressiva no mercado
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+311 mil seguidores
Após o anúncio da estratégia em maio, as ações da Méliuz subiram cerca de 28% em um único dia, chegando a R$ 10,70. Desde então, já acumula mais de 110% de ganho em 2025.
BTG aumenta participação
Em abril, o BTG Pactual já havia aumentado sua posição para 6,27% das ações ordinárias da Méliuz, sinalizando forte convicção na tese.
Em junho, esse montante cresceu para 8,12%, reforçando o comprometimento do banco com a estratégia.
Comparativos internacionais: MicroStrategy e o modelo BTC em tesouraria
Nos Estados Unidos, a Strategy (ex‑MicroStrategy) é a referência desse modelo, acumulando bitcoin continuamente e monetizando a volatilidade via debêntures conversíveis.
A Méliuz segue essa trilha, mas com a vantagem de não estar exposta a riscos de forçada venda durante mercados bearish, como ocorreu com a MicroStrategy em 2022.
Conclusão: recomendação se sustenta em quatro bases

A cobertura renovada do BTG sobre a Méliuz se sustenta em quatro pilares principais:
- Estratégia pioneira de Bitcoin Treasury Company no Brasil, fortalecendo o perfil institucional;
- Modelo híbrido de valuation (mNAV + EV/Ebitda);
- Capacidade de captação para reforçar a carteira de BTC;
- Volatilidade como ferramenta de monetização via instrumentos estruturados.
Por outro lado, o risco de queda do BTC, dificuldades para captar capital e possível diluição devem ser monitorados pelos investidores.
O que observar daqui para frente
Preço do Bitcoin
A performance da reserva da Méliuz está diretamente atrelada ao ciclo do BTC — mantenha atenção às tendências macro e regulatórias que afetam o criptomercado.
Novas emissões de equities ou dívida
Captações futuras via BTG ou outras instituições indicarão confiança do mercado na continuidade da estratégia.
Resultados operacionais da Méliuz
A saúde do negócio de cashback continua relevante: deve-se acompanhar faturamento, geração de caixa e expansão de usuários.
Opinião: vale a pena investir?
Para investidores com perfil moderado a agressivo, a tese da Méliuz como gateway institucional ao Bitcoin oferece uma forma de exposição indireta ao BTC via Bolsa, com potencial de valorização elevado.
Contudo, exige monitoramento constante dos movimentos do Bitcoin e do apetite do mercado em comprar instrumentos atrelados à estratégia.
