Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Café proibido pela Anvisa tinha selo falso e partículas parecidas com vidro

Café Câmara é proibido pela Anvisa por uso de selo falso da Abic e presença de partículas estranhas semelhantes a vidro em lote analisado.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
café

O mercado brasileiro de café foi surpreendido nesta semana com a proibição da venda do Café Câmara, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto, fabricado pela empresa Sacipan e comercializado em parceria com a Lam Fonseca Produtos Alimentos Ltda., foi considerado irregular por apresentar falsificação do selo de pureza da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e conter fragmentos semelhantes a vidro em sua composição.

A decisão acendeu um alerta não apenas para consumidores, mas também para órgãos fiscalizadores, já que este não é o primeiro caso recente de adulteração envolvendo cafés vendidos no Brasil.

Leia Mais:

Aposentadoria aos 54 anos: saiba as regras e exceções do INSS


O selo de pureza e a fraude identificada

Imagem: Reprodução

O que é o selo da Abic

Criado em 1989, o selo de pureza da Abic tem como objetivo garantir ao consumidor que o café adquirido é feito com 100% de grãos de café, dentro de padrões de qualidade estabelecidos pelo setor. A certificação passou por diversas atualizações e hoje segue as regras do Ministério da Agricultura, que desde 2022 determinam que os pacotes não podem ter mais de 1% de impurezas ou materiais estranhos.

As análises para concessão do selo envolvem testes microscópicos, degustações às cegas por especialistas, auditorias em fábricas e monitoramento direto nas gôndolas.

A falsificação do Café Câmara

De acordo com a Abic, a Sacipan não integra a associação desde 2016 e já havia sido notificada anteriormente pelo uso indevido do selo. Mesmo assim, o Café Câmara foi comercializado com a marca de pureza estampada na embalagem, induzindo os consumidores a acreditar na regularidade do produto.

Em fevereiro de 2024, a própria Abic realizou análises sobre o café e identificou que ele estava impuro, confirmando que não seguia os padrões exigidos pela legislação.


Partículas semelhantes a vidro preocupam autoridades

Uma investigação conduzida pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen/RJ) encontrou no lote 160229 do Café Câmara fragmentos de corpo estranho semelhantes a vidro. A descoberta motivou a Anvisa a determinar a proibição imediata da venda do produto, alertando consumidores e estabelecimentos sobre os riscos de ingestão.

A presença desse tipo de material vai além da fraude de rotulagem: representa um grave risco à saúde pública, podendo causar lesões internas e intoxicações.


Histórico recente de cafés adulterados no Brasil

O caso do Café Câmara não é isolado. Em maio de 2025, o governo já havia proibido a comercialização das marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial, apelidadas de “café fake”, após análises comprovarem que os pacotes vendidos não continham café em sua composição. Em vez disso, os produtos eram fabricados com o chamado “lixo da lavoura”, composto por restos de cascas, galhos e outros resíduos impróprios para consumo.

Esse cenário revela um desafio crescente para os órgãos fiscalizadores: enquanto o Brasil se mantém como o maior produtor e exportador de café do mundo, empresas irregulares buscam lucrar explorando a confiança dos consumidores.


Como funciona a fiscalização do café no Brasil

Regras mais rígidas desde 2023

As normas que começaram a valer em 2023 ampliaram a responsabilidade de fabricantes e distribuidores. A legislação passou a proibir o uso de aditivos como corantes e açúcar, além de reforçar limites para a presença de elementos estranhos, como pedras, areia e sementes de outras plantas.

Monitoramento contínuo

A Abic também realiza coletas surpresa em supermercados, retirando pacotes das prateleiras para verificar se os produtos seguem dentro dos padrões estabelecidos, mesmo após receberem o selo. Essa estratégia busca coibir fraudes como a verificada no Café Câmara.


Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Impactos para o consumidor e para o setor

café
Imagem: freedomnaruk/ Shutterstock

A proibição do Café Câmara representa mais um golpe na confiança do consumidor brasileiro em relação às marcas de café. Para especialistas do setor, episódios como esse prejudicam a imagem do café nacional, reconhecido mundialmente pela qualidade, e abrem espaço para desinformação e insegurança no mercado.

De acordo com a Abic, é fundamental que os consumidores estejam atentos às informações da embalagem e desconfiem de preços muito abaixo da média de mercado. Além disso, recomenda-se sempre buscar marcas reconhecidas e com certificação regularizada.


A importância da denúncia e do consumo consciente

Para evitar que novos casos de fraude passem despercebidos, órgãos de defesa do consumidor e entidades setoriais reforçam a necessidade de denúncias por parte da população. Quem identificar produtos suspeitos ou embalagens com selo de pureza falso pode acionar tanto a Abic quanto a Anvisa, contribuindo para ampliar o controle de qualidade.

Além disso, especialistas alertam que o consumo consciente desempenha papel crucial na preservação da credibilidade da cadeia produtiva do café. Valorizar marcas certificadas e exigir transparência no processo produtivo é essencial para combater irregularidades.


Conclusão

A proibição do Café Câmara pela Anvisa escancara as falhas e desafios na fiscalização de alimentos no Brasil, especialmente em um setor de grande relevância como o do café. O caso reúne duas irregularidades graves: o uso indevido do selo de pureza da Abic e a presença de fragmentos semelhantes a vidro no produto.

Com a recorrência de fraudes envolvendo cafés adulterados, o episódio reforça a necessidade de fiscalização constante, punição rigorosa a empresas irregulares e maior conscientização dos consumidores. Afinal, preservar a tradição e a qualidade do café brasileiro depende tanto da atuação dos órgãos reguladores quanto da escolha responsável de quem consome.

Imagem: Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados