A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, na noite desta quarta-feira (1º), o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem recebe até R$ 5 mil por mês. A medida, considerada uma das principais iniciativas econômicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem previsão de beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros a partir de 2026.
Isenção do IR aprovada: saiba quem ganha até R$ 5 mil por mês e o que muda para os super-ricos
Câmara aprova isenção do IR até R$ 5 mil em 2026; projeto beneficia 16 milhões, cria imposto mínimo de 10% e taxa dividendos.
A votação, conduzida em clima de ampla articulação política, registrou apenas três emendas aprovadas, mantendo praticamente todo o texto do relator, deputado Arthur Lira (PP-AL). O desafio agora é a tramitação no Senado Federal, onde o tema já está sendo disputado por lideranças políticas.
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Como fica a nova faixa de isenção
Quem passa a não pagar IR
Pelas novas regras, ficam totalmente isentos de pagar Imposto de Renda:
- Contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5.000;
- Para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, haverá desconto parcial decrescente;
- Acima de R$ 7.350,01, não haverá qualquer benefício.
Atualmente, a isenção prática alcança rendas de até R$ 3.036 (via desconto simplificado), embora a tabela oficial estabeleça limite de apenas R$ 2.259.
Exemplos de economia
O governo apresentou simulações de economia com a nova tabela:
- Um motorista com salário de R$ 3.650,66/mês deixará de pagar R$ 810,68/ano;
- Uma professora que ganha R$ 4.867,77/mês economizará R$ 3.680,82/ano.
Custo e impacto da medida
Quanto a isenção vai custar
A ampliação da isenção para R$ 5 mil terá um impacto significativo:
- R$ 25,8 bilhões em 2026 (primeiro ano de vigência);
- R$ 100,67 bilhões até 2028.
Como será compensado
Para equilibrar a renúncia fiscal, o parecer de Lira manteve três pilares:
- Imposto mínimo progressivo de até 10% sobre rendimentos acima de R$ 50 mil mensais;
- Tributação de dividendos superiores a R$ 50 mil/mês;
- Imposto sobre remessas de lucros e dividendos ao exterior.
Imposto mínimo e tributação sobre super-ricos
Como funciona o imposto mínimo
A proposta cria um imposto mínimo efetivo para pessoas físicas com rendimentos mensais superiores a R$ 50 mil. A cobrança será progressiva:
- Começa a partir desse piso;
- Alcança 10% para rendas acima de R$ 100 mil/mês, equivalentes a R$ 1,2 milhão por ano.
Trabalhadores assalariados que já pagam até 27,5% na fonte não serão impactados pelo imposto mínimo.
Tributação de dividendos
O texto determina retenção de 10% na fonte para dividendos pagos a pessoas físicas residentes no Brasil, desde que ultrapassem R$ 50 mil por mês.
- Caso o contribuinte receba de várias empresas, será considerado o valor global;
- Os valores retidos poderão ser compensados na declaração anual;
- Dividendos apurados até 31 de dezembro de 2025 não serão tributados, mesmo que pagos até 2028.
Remessas ao exterior
Lucros e dividendos enviados ao exterior terão alíquota de 10%, com exceções para:
- Governos estrangeiros que adotem reciprocidade;
- Fundos soberanos;
- Entidades previdenciárias no exterior.
O que fica fora do imposto mínimo de 10%

Para suavizar os impactos, o texto exclui da base do imposto mínimo:
- Heranças;
- Rendimentos da poupança;
- Indenizações por acidente ou doenças graves;
- Aposentadorias por doenças graves ou acidente de trabalho;
- Dividendos pagos por governos estrangeiros (com reciprocidade);
- Pagamentos de fundos soberanos e entidades previdenciárias no exterior;
- Títulos isentos: LCI, LCA, LCD, CRI, CRA, FIIs, Fiagros e debêntures incentivadas;
- Fundos de Investimento em Participações em Infraestrutura (FIP-IE).
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No entanto, Lira já sinalizou ao Ministério da Fazenda que debêntures incentivadas podem ser retiradas dessa blindagem em ajustes futuros.
Para onde vai a arrecadação extra?
O relatório não apenas prevê compensações, mas também estabelece prioridades para a “sobra” da arrecadação:
- Compensar Estados e municípios, por meio de repasses adicionais via Fundos de Participação;
- Reduzir a alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em caso de excedente;
- Financiar repasses trimestrais a entes federativos para compensar perdas locais.
Essa regra foi desenhada para reduzir resistências de governadores e prefeitos, preocupados com perda de arrecadação.
Disputa política entre Câmara e Senado

O projeto aprovado pela Câmara agora segue para o Senado, mas pode enfrentar obstáculos políticos.
Projeto paralelo no Senado
A Casa Alta retomou o PL 1.952/2019, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que também prevê a ampliação da faixa de isenção para R$ 5 mil.
Disputa de protagonismo
Apesar das semelhanças no mérito, o tema virou tabuleiro político entre Renan Calheiros e Arthur Lira, ambos de Alagoas, que disputam protagonismo nacional e espaço em seu estado.
Próximos passos
Caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara, ele deverá voltar para nova votação dos deputados antes da sanção presidencial.
Quando começa a valer?
A expectativa do governo é que o projeto seja sancionado até o fim de 2025, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2026.
Isso significa que a declaração do Imposto de Renda de 2027 já refletirá as novas regras, com milhões de contribuintes deixando de pagar o tributo.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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