PL autoriza táxis a fazer corridas compartilhadas para aliviar trânsito e custo
A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 314/24, de autoria do deputado Henrique Júnior (PL-MA), que permite que táxis realizem corridas compartilhadas entre mais de um passageiro.
A proposta altera a Política Nacional de Mobilidade Urbana e a Lei 12.468/11, que regulamenta a profissão de taxista.
Na prática, o projeto busca modernizar a legislação, colocando os táxis em linha com os aplicativos de transporte individual privado, como Uber, 99 e outros, que já oferecem a modalidade de corridas compartilhadas em suas plataformas.
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Corridas compartilhadas passam a ser legais para táxis
Até agora, a legislação sobre táxis não contemplava explicitamente a possibilidade de compartilhamento de viagens entre passageiros distintos. Com a aprovação, os taxistas terão respaldo legal para atender mais de um cliente em trajetos semelhantes, dividindo o valor da corrida.
Alteração na Política Nacional de Mobilidade Urbana
A Política Nacional já reconhece o transporte remunerado privado individual de passageiros, o que permitiu a criação e expansão dos aplicativos. A mudança estende essa lógica ao setor de táxis, ampliando a competitividade e oferecendo novas alternativas ao consumidor.
A posição do relator
O relator da proposta, deputado Max Lemos (PDT-RJ), recomendou a aprovação e ressaltou o caráter inovador da medida:
“A iniciativa é oportuna, pois alinha a legislação com a realidade das novas modalidades de transporte e com as necessidades crescentes das cidades.”
Segundo Lemos, a possibilidade de corridas compartilhadas em táxis pode reduzir custos para os usuários, diminuir a quantidade de veículos nas ruas e incentivar a mobilidade urbana sustentável.
Etapas da tramitação
Caráter conclusivo
O projeto tramita em caráter conclusivo, ou seja, não precisa passar pelo plenário da Câmara, desde que seja aprovado em todas as comissões competentes.
Comissões que ainda vão analisar
Após a aprovação na Comissão de Desenvolvimento Urbano, o texto seguirá para análise em:
- Comissão de Viação e Transportes (CVT);
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Se aprovado, o PL será encaminhado ao Senado Federal, antes de ir à sanção presidencial.
Impactos para passageiros e taxistas
Para os usuários
- Preços mais acessíveis: o custo da corrida poderá ser dividido entre passageiros que seguem em rotas semelhantes.
- Mais opções de mobilidade: os consumidores passam a contar com mais uma modalidade, já existente em aplicativos.
- Maior flexibilidade: será possível combinar corridas com colegas de trabalho, amigos ou pessoas que compartilhem trajetos.
Para os taxistas
- Aumento da demanda: a modalidade pode atrair novos clientes, especialmente em áreas de alto fluxo urbano.
- Concorrência equilibrada: os táxis passam a competir em condições mais próximas das oferecidas pelos aplicativos.
- Otimização do serviço: taxistas podem transportar mais passageiros em uma mesma corrida, aumentando a receita por quilômetro rodado.
Mobilidade urbana e sustentabilidade
Redução do trânsito
Ao incentivar o compartilhamento de viagens, a medida pode ajudar a reduzir o número de veículos em circulação, especialmente em grandes cidades, aliviando o trânsito urbano.
Menos poluição
Com menos carros rodando, há também impacto positivo no meio ambiente, com redução da emissão de gases poluentes e incentivo a práticas de mobilidade mais sustentáveis.
Reações do setor
Expectativa dos sindicatos de taxistas
Entidades que representam a categoria receberam a aprovação com otimismo, enxergando uma oportunidade de modernizar os serviços e reconquistar clientes perdidos para os aplicativos.
Repercussão entre os aplicativos
Embora o projeto não interfira diretamente no funcionamento de plataformas como Uber e 99, analistas apontam que a medida pode equilibrar a concorrência entre os dois setores.
Especialistas em mobilidade
Para urbanistas, a regulamentação é um passo necessário para diversificar as modalidades de transporte e aproximar o Brasil de modelos já consolidados em outros países.
Comparações internacionais
Experiências em outros países
- Nova York (EUA): táxis já oferecem a modalidade de “shared rides” há anos, integrados ao sistema de mobilidade da cidade.
- Londres (Reino Unido): black cabs adotaram corridas coletivas em determinados corredores de tráfego intenso.
- Buenos Aires (Argentina): taxistas podem atender múltiplos passageiros legalmente, prática que já é culturalmente aceita.
A aprovação do PL 314/24 coloca o Brasil mais próximo dessas práticas globais.
Desafios e pontos de atenção
Regulamentação local
Mesmo com a lei nacional, cada município terá autonomia para definir regras específicas, como tarifas diferenciadas, limites de passageiros e formas de fiscalização.
Segurança dos passageiros
Será fundamental garantir que o compartilhamento seja feito de maneira segura, com registros de corridas e identificação clara de todos os envolvidos.
Adesão da categoria
Apesar do otimismo de algumas entidades, haverá necessidade de capacitar taxistas e investir em tecnologia, como aplicativos de despacho que viabilizem o compartilhamento.
Perspectivas futuras
Possível integração tecnológica
Com a legalização, empresas de tecnologia poderão criar ou adaptar aplicativos específicos para táxis compartilhados, aumentando a eficiência da modalidade.
Potencial de expansão
Se bem implementado, o modelo pode se expandir rapidamente, sobretudo em capitais e regiões metropolitanas, onde a demanda por corridas compartilhadas é maior.
Ganhos para as cidades
Além de beneficiar passageiros e motoristas, a medida pode contribuir para políticas públicas de mobilidade urbana sustentável, reduzindo congestionamentos e ampliando alternativas de transporte.
Considerações finais
A aprovação do Projeto de Lei 314/24 pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara representa um passo importante para modernizar o serviço de táxis no Brasil.
Ao permitir que os veículos realizem corridas compartilhadas, a proposta aproxima o setor das práticas já comuns nos aplicativos, amplia a competitividade e pode trazer benefícios econômicos, sociais e ambientais.
Agora, o texto segue para novas comissões e, se aprovado, poderá transformar de maneira significativa a experiência de quem usa táxi no país, abrindo espaço para um futuro em que transporte acessível, sustentável e eficiente seja realidade para milhões de brasileiros.