O senador colombiano Miguel Uribe Turbay, pré-candidato à presidência da Colômbia e uma das figuras políticas mais promissoras do país, faleceu na madrugada desta segunda-feira (11), após mais de dois meses em estado crítico decorrente de um atentado sofrido enquanto discursava em um comício na capital, Bogotá.
A morte foi confirmada pela Fundação Santa Fé, hospital onde Uribe estava internado desde o ataque, e anunciada por sua esposa, Maria Claudia Tarazona. O senador tinha 39 anos e deixava esposa e um filho. Sua trajetória é marcada por uma forte ligação familiar com a política colombiana e uma história pessoal profundamente marcada pela violência.
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O ataque ocorreu em 7 de junho de 2025, durante um evento de campanha no bairro Fontibón, em Bogotá. Uribe foi atingido por três disparos — duas balas na cabeça e uma na perna — quando discursava em uma praça pública em meio ao acirramento do clima político e às crescentes ameaças que rondam o cenário eleitoral colombiano, marcado para março de 2026.
Imagens do momento posterior ao ataque viralizaram nas redes sociais, mostrando o senador gravemente ferido, coberto de sangue e sendo socorrido por apoiadores. Além de Uribe, outras duas pessoas ficaram feridas no atentado. Um adolescente de 15 anos foi apreendido com uma arma de fogo no local, e seis suspeitos já foram detidos até o momento em conexão com o caso.
Violência política ressurgindo na Colômbia
O atentado a Miguel Uribe reviveu fantasmas da violência política que marcou a Colômbia especialmente nos anos 1990, quando três candidatos presidenciais foram assassinados durante campanhas eleitorais: Luiz Carlos Galán (1989), Bernardo Jaramillo Ossa e Carlos Pizarro Leongómez (1990). Desde então, ataques desse tipo eram menos frequentes, mas a escalada recente preocupa autoridades e a sociedade.
O presidente Gustavo Petro, do governo atual, condenou o ataque e destacou a gravidade do ato: “Este ato de violência constitui um atentado não apenas à integridade pessoal do senador, mas também à democracia, à liberdade de pensamento e ao exercício legítimo da política na Colômbia”, declarou em sua conta oficial.
O partido Centro Democrático, ao qual Uribe era filiado, classificou o atentado como “um ato de violência inaceitável”. No cenário internacional, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também cobrou justiça e expressou solidariedade à família do senador e ao povo colombiano.
Uma vida marcada pela política e pela tragédia
Imagem: Freepik
Miguel Uribe não era um político qualquer. Ele foi o parlamentar mais votado nas eleições legislativas de 2022, emergindo como uma voz forte e influente na oposição ao governo atual.
Sua história pessoal reflete o drama da violência na Colômbia: era filho da jornalista Diana Turbay, sequestrada e assassinada em 1991 pelo Cartel de Medellín quando Miguel tinha apenas cinco anos. O caso ganhou repercussão mundial e foi documentado no livro Notícias de um Sequestro, do Nobel Gabriel García Márquez.
Além disso, Uribe era neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala (1978–1982), consolidando sua ligação histórica com o poder na Colômbia.
O desfecho trágico e suas repercussões
Após o atentado, Miguel Uribe foi submetido a múltiplas cirurgias e passou por longos períodos em estado crítico na Fundação Santa Fé de Bogotá. No último sábado (9), houve uma piora devido a uma hemorragia no sistema nervoso central que levou a uma cirurgia de emergência. Apesar dos esforços médicos, o senador faleceu às 1h56 da madrugada local, segundo boletim do hospital.
Em suas redes sociais, o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, líder do partido Centro Democrático, lamentou a morte do senador: “O mal destrói tudo, mataram a esperança. Que a luta de Miguel seja uma luz que ilumine o caminho correto da Colômbia.” Apesar do sobrenome, não há relação familiar entre eles.
A morte do pré-candidato traz um clima de tensão e apreensão para o processo eleitoral colombiano, que já enfrenta desafios ligados à segurança e à integridade dos candidatos.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.