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Carrefour fecha unidade histórica e acelera migração ao modelo atacarejo

A loja do Carrefour no Shopping Center Norte, em São Paulo, foi fechada em dezembro de 2024, após quase 40 anos de operação. Diferente do que algumas matérias recentes indicaram, o fechamento não está ligado a um declínio do modelo de hipermercado, mas sim à solicitação do dono do imóvel para retomada do espaço.

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Imagem da fachada de uma das lojas do Carrefour
Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com

Contexto e tendências do varejo brasileiro

O início de 2025 marcou simbolicamente o encerramento desta unidade, que era um ícone do hipermercado clássico. Embora o Carrefour mantenha outras lojas, essa decisão reforça a tendência de perda de relevância dos hipermercados tradicionais, que enfrentam forte concorrência dos atacarejos e do comércio digital.

Segundo especialistas, fatores como baixa lucratividade, altos custos operacionais e mudanças no comportamento do consumidor aceleram esse processo.

Por que os hipermercados estão em crise?

Dados: Entre 2019 e 2023, os hipermercados tiveram queda de 25% no faturamento, enquanto os atacarejos cresceram 84%, segundo a Euromonitor International..

Modelo: Os hipermercados combinam supermercado e loja de departamentos num único espaço, oferecendo grande variedade de produtos.

Desafios: O custo elevado para manter grandes unidades em centros urbanos, aliado à mudança nas preferências dos consumidores, torna o modelo menos sustentável.

Crescimento dos atacarejos: a nova força do varejo

O modelo atacarejo, que mistura atacado e varejo, caiu no gosto popular por oferecer preços mais baixos, especialmente em grandes volumes. Redes como Assaí, Atacadão (do próprio Carrefour) e Tenda têm ampliado sua presença em todas as regiões do Brasil.

Por que os atacarejos estão dominando o mercado?

Preço

O fator determinante para o sucesso dos atacarejos é o preço baixo. Com margens reduzidas e compras em grandes quantidades, esses estabelecimentos conseguem repassar parte da economia ao consumidor final, o que é decisivo em um país com alta inflação de alimentos.

Variedade reduzida e foco em giro rápido

Diferente dos hipermercados, os atacarejos oferecem menos marcas por categoria, focando naquelas com maior saída. Isso permite melhor negociação com fornecedores, menor custo de estocagem e logística mais enxuta.

Penetração nas periferias e cidades menores

Ao contrário dos hipermercados, normalmente localizados em grandes centros e shoppings, os atacarejos expandem com mais facilidade em regiões periféricas ou cidades médias, onde há menor custo de operação e maior volume de compra por parte das famílias.

E-commerce e lojas especializadas: outros concorrentes dos hipermercados

Além da ascensão dos atacarejos, os hipermercados enfrentam concorrência cada vez mais forte do comércio eletrônico e das lojas especializadas.

A força das plataformas digitais

Aplicativos como Shopee, Mercado Livre, Amazon e até supermercados locais com serviço de delivery estão alterando o comportamento do consumidor, que hoje prefere comprar itens não alimentícios online, pela comodidade e pelo custo-benefício.

A ascensão das lojas de nicho

Para itens como vinhos, queijos especiais, produtos naturais ou pet, por exemplo, os consumidores têm optado por lojas especializadas, físicas ou online, que oferecem atendimento personalizado e curadoria de produtos. Isso reduz ainda mais a fatia de mercado dos hipermercados generalistas.

Estratégia do Carrefour: reduzir para crescer?

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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Estratégia do Carrefour e o futuro do setor

Entre janeiro e setembro de 2024, o Carrefour fechou 147 lojas e abriu 27, apostando na expansão do atacarejo (Atacadão) e formatos menores, como Carrefour Express. A rede também foca em e-commerce e otimização logística.

Especialistas destacam que o modelo tradicional de hipermercado perdeu espaço para o atacarejo, devido ao custo elevado e à preferência dos consumidores por eficiência, conveniência e preço.


Como o varejo deve evoluir

Desenvolver parcerias com marcas digitais e novos modelos híbridos

Reposicionar grandes lojas como centros logísticos para e-commerce

Reduzir o tamanho das unidades e otimizar o mix de produtos

Investir em tecnologia, aplicativos e autoatendimento

Redirecionamento de investimentos

  • Fortalecimento do Atacadão, principal gerador de receita do grupo;
  • Otimização da malha logística, com foco em entrega e distribuição;
  • Expansão do e-commerce de alimentos e itens de consumo rápido;
  • Redução de grandes unidades físicas deficitárias.

O que dizem os especialistas

Segundo Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail, o país está passando por um movimento irreversível de perda de relevância dos hipermercados.

“Nós estamos vivendo um processo de perda de relevância dos hipermercados no Brasil, que foram atropelados pelo atacarejo”, afirmou em entrevista.

Serrentino aponta que o modelo do hipermercado não é mais economicamente viável no cenário atual, onde o consumidor busca eficiência, conveniência e preço. Ele destaca ainda que o custo elevado de aluguel, energia, segurança e estoque em unidades grandes compromete a rentabilidade.

Consumidor mudou e o varejo também

O novo consumidor brasileiro está mais racional, mais digital e menos fiel a marcas tradicionais. Ele pesquisa preços, usa cupons, prefere comprar em lojas que oferecem cashback e valoriza a praticidade.

Essa transformação no comportamento tem forçado empresas a se reinventar rapidamente, deixando de lado modelos que antes pareciam eternos — como os hipermercados — e apostando em novas formas de atender às demandas de um público cada vez mais exigente e fragmentado.

E o futuro dos hipermercados?

supermercado
Imagem: Freepik

Embora ainda haja espaço para os hipermercados em algumas regiões, especialmente em cidades menores onde o atacarejo ainda não chegou com força, o formato tradicional está cada vez mais restrito.

Empresas do setor devem, nos próximos anos:

  • Reposicionar grandes unidades como centros logísticos para e-commerce
  • Reduzir o tamanho das lojas e enxugar o mix de produtos
  • Transformar a experiência de compra com tecnologia, aplicativos e autoatendimento
  • Apostar em parcerias com marcas digitais e novos modelos de negócio híbridos

Imagem: Rafapress / Shutterstock.com