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Comprar carro elétrico usado vale a pena? Entenda

O mercado de veículos eletrificados vem crescendo significativamente no Brasil e no mundo. Seja na versão totalmente elétrica ou híbrida, a busca por alternativas sustentáveis de mobilidade não para de crescer. No entanto, quando se fala em carros elétricos usados, muitas dúvidas ainda pairam sobre os consumidores.

As principais preocupações giram em torno da durabilidade da bateria, autonomia ao longo dos anos e o custo de manutenção desses veículos. Afinal, será que realmente vale a pena investir em um carro elétrico seminovo?

Para esclarecer essa questão, especialistas do setor de eletromobilidade explicam os principais pontos de atenção na hora de fechar negócio e quais são os benefícios e riscos desse tipo de aquisição.

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Carro elétrico usado: principais pontos de atenção

carros elétricos
Imagem: Showmetech/Shutterstock.com

A importância da bateria no veículo elétrico

O coração de qualquer carro elétrico é a sua bateria. Assim como acontece com smartphones e notebooks, as baterias de veículos também sofrem desgaste natural com o tempo e o uso. Por isso, antes de fechar negócio, é fundamental avaliar a saúde da bateria.

Segundo Cassio Pagliarini, cofundador da Bright Consulting, o primeiro passo é fazer uma análise visual. “Precisa ver com cuidado se a bateria sofreu algum impacto, se está torta ou tem calombo”, alerta.

Além disso, é indispensável checar o estado real da bateria por meio dos dados que o próprio carro fornece no painel. Marcos Nogueira, diretor de operações e fundador da GreenV, explica que “com a bateria 100% carregada, verifique a autonomia informada no painel e compare com o que a montadora promete”.

Avaliar a garantia é essencial

Outro fator crucial na compra de um elétrico usado é a garantia, especialmente da bateria. Em geral, os fabricantes oferecem garantia de até oito anos para esse componente. A recomendação dos especialistas é preferir modelos que ainda estejam dentro desse período.

“Vale passar na concessionária, checar se as revisões foram feitas corretamente e se a garantia da bateria continua válida”, ressalta Pagliarini.

Histórico de uso faz diferença

A forma como o antigo proprietário utilizou o veículo também impacta diretamente na durabilidade dos componentes. Carros carregados de forma inadequada, submetidos a impactos ou que circularam constantemente em condições extremas podem apresentar desgaste prematuro.

Vale ou não vale a pena comprar um carro elétrico usado?

Carros elétricos sendo abastecidos
Isenção total ou parcial é realidade em vários estados | Reprodução/DepositPhotos

O que dizem os especialistas

De acordo com Cassio Pagliarini, não existe uma resposta definitiva. Tudo depende de alguns fatores combinados, como idade do carro, condição geral e preço.

“Hoje eu compraria um carro elétrico com quatro ou cinco anos de uso, se tivesse um preço bem favorável, se a garantia estivesse válida e se eu pudesse comprovar que não há nenhum impacto, nenhum rasgo na bateria”, afirma.

Marcos Nogueira complementa que, apesar das desconfianças iniciais, um elétrico usado pode ser um excelente negócio. “Existe muita dúvida sobre a revenda de elétricos, mas os carros são incríveis e, muitas vezes, o preço pode ser até mais competitivo que o de modelos a combustão da mesma categoria”, destaca.

Vantagens de comprar um elétrico seminovo

  • Economia no preço de compra: Modelos seminovos geralmente têm uma desvalorização considerável em relação ao preço de um 0 km.
  • Baixo custo de manutenção: Carros elétricos têm menos peças móveis e, consequentemente, menos itens sujeitos a desgaste, o que reduz os custos com oficina.
  • Sustentabilidade: Optar por um elétrico, mesmo usado, contribui para a redução da emissão de poluentes.
  • Menor custo por quilômetro rodado: O abastecimento via energia elétrica é significativamente mais barato que combustíveis fósseis.

Desvantagens e riscos

  • Autonomia reduzida: Se a bateria estiver degradada, a autonomia pode ser menor do que a declarada pelo fabricante.
  • Custo elevado de troca da bateria: Fora da garantia, a substituição da bateria pode representar um custo elevado.
  • Infraestrutura de carregamento: Embora tenha avançado, a rede de pontos de recarga ainda é limitada em algumas regiões do Brasil.
  • Compatibilidade de conectores: Como alerta Nogueira, é fundamental checar se o modelo é compatível com os carregadores públicos disponíveis, já que o padrão mais comum no Brasil é o Tipo 2, mas ainda existem carros com conectores Tipo 1 e GBT.

Palavra de quem entende: um conselho valioso

Além dos cuidados tradicionais, Marcos Nogueira, que também é proprietário de um carro elétrico, alerta sobre um detalhe que pode passar despercebido por muitos compradores: o tipo de conector.

“O mais comum no Brasil é o plugue do Tipo 2, modo europeu. Porém, há veículos circulando com Tipo 1 e GBT. Isso pode gerar problemas em locais públicos de carregamento, pois mais de 90% da frota utiliza o tipo 2”, explica. Esse é um ponto crítico para quem pretende usar carregadores públicos com frequência.