Vale destacar que as despesas de Bolsonaro concentram-se em passeios, férias, hotéis e padarias de luxo. Além disso, as motociatas, muito presentes nos anos em que foi presidente, também revelam movimentações de quase R$ 200 mil.
Gastos do Bolsonaro divulgados até o momento
Primeiramente, para Toledo, as informações não correspondem com o que está no portal da Transparência. Isso porque, apesar de não apresentar detalhes, a plataforma apresenta um gasto maior do que o que veio à tona na última semana.
Ainda segundo o cofundador da agência, é preciso que o governo divulgue as notas fiscais das compras para ter o conhecimento exato do que os agentes públicos compraram em cada lugar.
Vale destacar que o valor divulgado na semana passada foi R$ 4 milhões, ao passo que o que consta no Portal da Transparência é R$ 22 milhões. Assim, para o jornalista, essa diferença dá margem para dúvidas, como, por exemplo, se esse valor de R$ 22 milhões é somente de Bolsonaro ou também de outras instituições.
Despesas do cartão corporativo
Veja, a seguir, alguns dos gastos que Bolsonaro teve no cartão corporativo:
- R$ 1,46 milhão em um único hotel;
- R$ 17,7 mil em padarias por 10 dias na virada do ano de 2020 para 2021;
- R$ 93 mil na YPS Eventos (locação de máquinas e equipamentos);
- R$ 83 mil na padaria Santa Massa, Balneário Guarujá;
- R$ 8,6 mil em sorvetes;
Vale destacar que em 2022 o TCU (Tribunal de Contas da União) abriu um procedimento para investigar os gastos duplicados no cartão corporativo. Neste mesmo ano, Bolsonaro alegou que não usava este cartão, o que claramente não é verdadeiro, visto que as despesas foram recentemente divulgadas.
Como usar o cartão corporativo?
Esse recurso surgiu no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) e foi regulamentado por uma portaria do Ministério da Fazenda em 2002. O cartão corporativo, de acordo com Leopoldo Ribeiro, professor de Orçamento e Finanças Públicas da FGV, destaca que esse recurso visa flexibilizar alguns gastos.
Ou seja, o objetivo é facilitar as compras de valores mais baixos, especialmente as relacionadas à viagens, como padarias, supermercados e hotéis.
No Brasil, quem fiscaliza este cartão é o TCU e o MPF (Ministério Público Federal), com a intenção de supervisionar as despesas que estão além do que é necessário. Desse modo, se algo errado ocorrer, o presidente pode acabar sendo investigado.
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