Nos últimos anos, o CDB com liquidez diária se tornou um dos produtos de investimento mais populares entre os brasileiros. Vendido como uma opção de renda fixa segura, com rentabilidade acima da Selic e resgate a qualquer momento, esse tipo de aplicação ganhou força especialmente com a taxa básica de juros em patamares elevados.
CDBs com liquidez diária: como ficam depois do veto do Cade ao Banco Master e BRB
CDB com liquidez diária virou tendência no Brasil, mas exige cautela. Veja riscos, comparação com Tesouro Selic e o papel do FGC.
Contudo, a atratividade desse tipo de investimento pode esconder alguns riscos importantes, especialmente para o pequeno investidor que busca segurança, previsibilidade e simplicidade. Além disso, LCAs e LCIs — que seguem lógica semelhante — também se encaixam no mesmo grupo de produtos que demandam cuidado.
Neste artigo, vamos explicar o que é o CDB com liquidez diária, como funciona a intermediação financeira nesse mercado, qual o papel do FGC, as armadilhas do mercado secundário e as comparações com o Tesouro Selic.
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O que é um CDB com liquidez diária?
CDB: Certificado de Depósito Bancário
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos para captar dinheiro do público. Em troca desse “empréstimo”, o banco paga uma remuneração, geralmente atrelada à taxa Selic ou ao CDI.
Liquidez diária
A expressão “liquidez diária” significa que o investidor pode resgatar o dinheiro a qualquer momento, com crédito geralmente no dia útil seguinte (D+1). Essa liquidez é um atrativo para quem busca rendimento sem abrir mão da flexibilidade, funcionando quase como uma conta remunerada — mas com rentabilidade superior.
Por que o CDB com liquidez diária ficou tão popular?
Juros altos e busca por alternativas à poupança
Com a Selic em dois dígitos nos últimos anos, o retorno de produtos de renda fixa disparou. Nesse cenário, muitos investidores migraram da caderneta de poupança (com rendimento travado em 0,5% ao mês) para aplicações mais rentáveis — como CDBs, LCIs e LCAs.
Segurança oferecida pelo FGC
Outro motivo para a popularidade é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira em caso de falência do banco emissor. Esse “seguro” dá conforto ao investidor, que enxerga o CDB como uma aplicação segura.
A lógica da intermediação financeira

Corretoras e bancos de menor porte
Nem sempre o CDB com liquidez diária é ofertado diretamente por um grande banco. Em muitos casos, o investidor adquire o título por meio de uma corretora que intermedeia a operação com uma instituição financeira de menor porte.
Nesse processo, a corretora compra o título diretamente do banco emissor e o revende ao investidor, ganhando uma comissão pela intermediação.
Incentivos nem sempre alinhados
Essa prática de intermediação é legal e comum, mas nem sempre o interesse do intermediário está alinhado ao do investidor. Afinal, a corretora pode priorizar o CDB que lhe paga mais comissão, e não necessariamente o que tem melhor perfil de risco ou retorno para o cliente.
O papel do FGC e seus limites
O que o FGC cobre?
O Fundo Garantidor de Créditos protege aplicações como:
- CDB
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
- Depósito à vista e poupança
A garantia é válida para valores de até:
- R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição
- Limite global de R$ 1 milhão a cada 4 anos
Riscos mal compreendidos
Embora o FGC seja um grande aliado do investidor, ele não elimina todos os riscos:
- A recuperação pode demorar meses, em caso de falência do banco
- O investidor pode ficar sem liquidez durante o processo
- Não cobre perdas por variações de preço no mercado secundário (tema que veremos a seguir)
A pegadinha do mercado secundário
CDB com liquidez, mas sem garantia de cotação
Muitos CDBs com prazo longo (3, 5, até 10 anos) oferecem liquidez antecipada, mas apenas via mercado secundário, ou seja, vendendo o título antes do vencimento para outro investidor.
Diferente do Tesouro Selic, que tem uma curva de preços mais estável, os CDBs no mercado secundário não seguem padrão fixo de precificação. Isso significa que:
- O valor do seu resgate pode ser inferior ao esperado
- Você pode perder parte dos rendimentos (ou até do principal) se vender antes da hora
- Pode haver dificuldade em encontrar compradores, gerando atraso na liquidez
Ilusão de liquidez
Na prática, esse tipo de CDB não tem “liquidez diária garantida”. A liquidez existe, mas depende do apetite do mercado no momento da venda. Em períodos de stress financeiro ou alta volatilidade, a liquidez pode evaporar.
Comparação com o Tesouro Selic
| Característica | CDB com liquidez diária | Tesouro Selic |
|---|---|---|
| Garantia do FGC | Sim (até R$ 250 mil) | Não (garantido pelo Tesouro Nacional) |
| Liquidez | Diária, mas pode depender do mercado secundário | Alta (D+1) com cotação padronizada |
| Risco de mercado | Médio (variação de preço na revenda) | Muito baixo (volatilidade quase nula) |
| Rentabilidade | Pode superar a Selic | Atrelado à Selic |
| Tributação | IR regressivo | IR regressivo |
| Indicado para | Perfis moderados | Perfil conservador |
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Tributação: a importância do prazo
Tabela regressiva do IR
Investimentos em CDB, LCI e LCA seguem a tabela regressiva de Imposto de Renda:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 721 dias: 15%
Ou seja, quanto maior o prazo de aplicação, menor o imposto. Isso explica por que muitos bancos e corretoras oferecem CDBs longos com liquidez diária: eles sabem que os investidores resgatarão antes e pagarão IR maior.
LCI e LCA com liquidez diária: o mesmo cuidado
As LCIs (crédito imobiliário) e LCAs (crédito do agronegócio) também aparecem com liquidez diária em diversas plataformas. O apelo é ainda maior: são isentas de Imposto de Renda para pessoa física.
Contudo, o risco do mercado secundário também existe. E, como são títulos menos líquidos por natureza, a possibilidade de resgate antecipado com prejuízo é ainda mais real.
O que considerar antes de investir

1. Leia a lâmina do produto
A lâmina do investimento traz informações fundamentais sobre:
- Tipo de liquidez (real ou via mercado secundário)
- Remuneração (% do CDI ou taxa fixa)
- Instituição emissora
- Garantias
2. Confirme se o FGC cobre o emissor
Nem todos os títulos com CNPJ bancário são cobertos. Verifique no site oficial do FGC se o emissor está na lista de instituições participantes.
3. Diversifique
Não concentre todos os seus recursos em um único banco ou CDB. Use os limites do FGC a seu favor, dividindo entre várias instituições.
4. Avalie se realmente precisa de liquidez
Se o objetivo é manter o dinheiro investido por 2 anos, talvez seja melhor optar por um CDB sem liquidez diária, mas com rentabilidade superior, já que você pagará menos IR ao final.
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com
