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Pesquisadores do MIT observam queda na atividade cerebral de usuários do ChatGPT

Estudo do MIT revela queda de engajamento cerebral em usuários do ChatGPT, com impactos cognitivos e linguísticos.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
ChatGPT

Pesquisadores do prestigiado MIT Media Lab, nos Estados Unidos, divulgaram um estudo que levanta preocupações sobre os impactos cognitivos do uso de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT. A investigação mostrou que usuários que utilizam esse tipo de tecnologia apresentam uma notável redução na atividade cerebral, além de menor desempenho linguístico e comportamental.

Embora ainda não publicado em uma revista científica revisada por pares, o estudo foi revelado pela pesquisadora Nataliya Kosmyna, motivada pela urgência do tema. Segundo ela, os resultados indicam que o uso contínuo de IA pode comprometer o pensamento crítico e a criatividade, especialmente em cérebros ainda em formação.

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Estudo revela custo cognitivo do uso de IA

ChatGPT
Imagem: SuPatMaN / Shutterstock

A principal conclusão do levantamento é clara: a praticidade oferecida por chatbots como o ChatGPT vem acompanhada de um “custo cognitivo”. Segundo os pesquisadores, essa dependência reduz a disposição dos usuários para questionar os conteúdos gerados por IA, além de afetar áreas essenciais do cérebro ligadas à linguagem e ao raciocínio crítico.

Cérebros em desenvolvimento estão sob o maior risco”, afirmou Nataliya Kosmyna. Ela ressaltou que é fundamental promover uma educação que incentive o uso consciente dessas ferramentas e que favoreça o desenvolvimento cerebral por meio de estímulos analógicos.

Como foi conduzido o experimento?

O estudo foi realizado com 54 voluntários, entre 18 e 39 anos, residentes na região de Boston. Eles foram divididos em três grupos com tarefas semelhantes: escrever redações de 20 minutos no formato do exame SAT, tradicional nos EUA. A diferença estava nas ferramentas permitidas para cada grupo:

  • O primeiro grupo utilizou o ChatGPT como apoio;
  • O segundo teve acesso apenas ao Google para pesquisas;
  • O terceiro grupo trabalhou sem qualquer auxílio tecnológico.

Durante a redação dos textos, os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral dos participantes com eletroencefalogramas, medindo engajamento, controle executivo e foco atencional.

Quais foram os resultados observados?

O grupo que utilizou o ChatGPT apresentou os piores indicadores: níveis reduzidos de engajamento cerebral, baixo controle executivo e menor atenção. Além disso, suas redações foram avaliadas como fracas em termos de conteúdo original.

O acompanhamento dos participantes por meses revelou que os resultados do grupo dependente do ChatGPT se deterioraram com o tempo, apresentando ainda mais dificuldade em manter a qualidade dos textos e criatividade.

Já os participantes que redigiram os textos sem apoio algum apresentaram maior conectividade neural, com forte ativação nas bandas alfa, teta e delta, ligadas ao processamento semântico, memória e criatividade. Esses indivíduos também demonstraram maior interesse pela atividade e relataram maior satisfação com o próprio desempenho.

Redações sem originalidade e memorização prejudicada

Professores de inglês que corrigiram os textos perceberam um padrão nas redações feitas com IA: mesmas expressões, temas repetitivos e ausência de pensamento original. A padronização excessiva chamou atenção, contrastando com a diversidade observada nos textos feitos sem auxílio.

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Além disso, os voluntários que usaram o ChatGPT tiveram mais dificuldade para lembrar o conteúdo das próprias redações, o que sugere que o envolvimento superficial com a atividade reduziu a fixação de ideias.

Riscos para estudantes e uso educacional

A divulgação precoce do estudo foi motivada pela preocupação de que decisores políticos possam adotar o uso massivo de IA em ambientes escolares, sem compreender os riscos. “Tenho medo de que, em 6 ou 8 meses, algum formulador de políticas decida: ‘vamos fazer um jardim de infância com GPT’. Acho que isso seria absolutamente ruim e prejudicial”, alertou Kosmyna.

O receio se estende ao uso entre crianças e adolescentes, cujos cérebros estão em fase de desenvolvimento e podem ser especialmente vulneráveis aos efeitos adversos da automatização de tarefas cognitivas.

Visão de especialistas: equilíbrio é fundamental

Imagem de uma pessoa mexendo com inteligência artificial
Imagem: Peshkova / Shutterstock.com

O psiquiatra Zishan Khan, especialista em saúde de jovens, confirmou as preocupações dos pesquisadores. Ele relatou, com base em sua experiência clínica, que muitos adolescentes têm recorrido de forma excessiva à IA para realizar tarefas escolares. Segundo ele, essa dependência pode enfraquecer a memória, reduzir a resiliência mental e prejudicar habilidades cognitivas essenciais.

Essas conexões neurais que ajudam a acessar informações, lembrar fatos e ser resiliente: tudo isso tende a enfraquecer”, disse o médico à publicação.

Com informações de: InfoMoney

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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