O Google, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, enfrenta sérios processos judiciais nos Estados Unidos por práticas anticompetitivas que podem mudar drasticamente seu modelo de negócios. O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), junto a dezenas de procuradores-gerais estaduais, acusa a Big Tech de exercer domínio ilegal nos mercados de buscadores e publicidade digital.
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Google é acusado de monopólio nos mercados de busca e publicidade online. Decisões judiciais desfavoráveis nos EUA podem levar ao desmembramento da empresa e até à venda do Chrome.
As implicações desses processos vão além de multas: o Google corre o risco de ser desmembrado, podendo ser obrigado a vender o navegador Chrome, parte do Android e ferramentas da sua plataforma publicitária.
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1. Google é acusado de monopólio de buscas e anúncios
Desde 2020, o Departamento de Justiça americano move processos contra o Google por suposto abuso de poder no mercado de buscas online e, posteriormente, no setor de anúncios digitais. As ações envolvem práticas que teriam sufocado a concorrência e garantido o domínio quase absoluto da empresa em áreas estratégicas da internet.
Monopólio no mercado de buscadores
No processo inicial, o governo dos EUA aponta que o Google impediu a concorrência no setor de buscas, tornando difícil para alternativas como o Bing ou DuckDuckGo ganharem espaço.
A acusação principal se concentra no fato de que a empresa teria pago bilhões de dólares a fabricantes de celulares e navegadores para manter o Google como buscador padrão.
Em 2021, por exemplo, o Google pagou cerca de US$ 26 bilhões para assegurar essa vantagem, com repasses a empresas como Apple, Samsung e Mozilla.
Domínio sobre o setor de anúncios digitais
Em uma ação paralela, iniciada em conjunto com 17 estados americanos, o DoJ acusa o Google de controlar de forma anticompetitiva a cadeia de compra e venda de anúncios online. A empresa teria utilizado sua posição dominante para intermediar toda a negociação de espaços publicitários, atuando simultaneamente como corretora, leiloeira e anunciante.
Esse modelo permitiria à gigante de tecnologia manipular preços e favorecer seus próprios serviços, dificultando a competição de empresas menores ou de plataformas concorrentes.
2. Google já perdeu duas ações por práticas anticompetitivas
Em 2024 e 2025, o Google foi considerado culpado em dois processos distintos por monopólio nos EUA:
Derrota no caso das buscas online
Em 2024, o juiz Amit Mehta, do Tribunal Distrital dos EUA, concluiu que o Google violou leis antitruste ao estabelecer práticas que bloquearam concorrentes de forma sistemática. A decisão confirmou o uso de contratos exclusivos e acordos bilionários como meios de manter o controle absoluto sobre o mercado.
Perda no processo sobre publicidade digital
Já em abril de 2025, outro julgamento confirmou que o Google atuou para concentrar o controle da cadeia publicitária digital, prejudicando a concorrência. A empresa anunciou que vai recorrer da decisão, mas especialistas avaliam que o cenário é desafiador.
3. Penalidades ainda estão sendo definidas
Após ser condenado, o Google ainda aguarda as definições sobre as medidas corretivas que deverá adotar.
Julgamento sobre punições nas buscas
Um novo julgamento teve início em abril de 2025 para determinar quais penalidades a empresa deverá cumprir após a decisão de monopólio no setor de buscas. O DoJ defende ações estruturais, incluindo quebra de contratos exclusivos e, possivelmente, separação de unidades de negócio.
Decisão pendente no setor de publicidade
O processo relativo ao monopólio em anúncios também terá um julgamento futuro para definir quais mudanças o Google deverá implementar. Entre as penalidades possíveis está a venda de partes da sua plataforma de anúncios, como o Google Ad Manager ou o serviço de leilão de anúncios.
4. Venda do Chrome e fim de contratos podem ser exigidos
Risco real de desmembramento
Uma das medidas em análise pelo governo americano é a exigência de venda do navegador Google Chrome, responsável por cerca de 65% do mercado mundial de navegadores. A justificativa é que o Chrome seria utilizado como meio de reforçar o domínio do buscador Google, bloqueando o avanço de concorrentes.
Além do Chrome, o Google pode ser obrigado a:
- Vender ou dividir a unidade de publicidade digital
- Quebrar contratos de exclusividade com fabricantes de celulares e navegadores
- Separar o Android dos serviços de busca e publicidade
Precedentes e impacto no mercado
Embora medidas desse tipo sejam raras, há precedentes nos EUA, como o caso da AT&T nos anos 1980, que resultou no desmembramento da empresa de telefonia em várias regionais.
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No caso do Google, a fragmentação representaria uma das maiores ações antitruste da era digital, com impacto direto no ecossistema de aplicativos, publicidade online, mecanismos de busca e até em dispositivos móveis.
A posição do Google
O Google nega as acusações de práticas anticompetitivas e afirma que seus produtos são adotados por escolha dos usuários. A empresa alega que oferece tecnologia de qualidade, e que os consumidores têm a liberdade de alterar o buscador padrão, instalar outros navegadores e utilizar ferramentas concorrentes.
Em nota, a empresa declarou:
“Nossos serviços ajudam milhões de empresas e beneficiam consumidores todos os dias. Contestaremos vigorosamente essas acusações.”
O que está em jogo?

Reconfiguração do mercado digital
As ações contra o Google têm o potencial de redefinir as regras da concorrência na internet. Um desmembramento da empresa poderia abrir espaço para maior inovação e surgimento de novas plataformas, rompendo com a atual concentração do setor em poucas Big Techs.
Proteção dos consumidores e da privacidade
Além da concorrência, as decisões também afetam o debate sobre privacidade, controle de dados e publicidade direcionada. Com menos controle centralizado, os usuários podem ter mais opções e maior proteção de seus dados.
O que acontece agora?
- O Google já foi condenado nos dois principais processos: buscas e anúncios
- Julgamentos para definição das punições estão em curso, com expectativa de decisões ainda em 2025
- A empresa pode recorrer, o que deve prolongar as disputas por anos
- O DoJ pressiona por medidas estruturais, incluindo desmembramento da empresa
Considerações finais
O embate judicial entre o Google e o governo dos Estados Unidos marca um momento decisivo para a regulação das grandes empresas de tecnologia.
Com condenações já proferidas, resta agora ao Judiciário determinar quais serão as consequências práticas das decisões — e se a gigante de Mountain View será forçada a abrir mão do Chrome, reestruturar sua atuação publicitária e rever seus contratos de exclusividade.
Independentemente do resultado final, o caso já entra para a história como um dos maiores processos antitruste da era digital e pode ter efeitos profundos sobre o funcionamento da internet como conhecemos hoje.
