Chuvas intensas afetam calendário do trigo e preocupam produtores rurais
O Rio Grande do Sul enfrenta sérias dificuldades no início da safra de trigo de 2025. As chuvas constantes e a alta umidade do solo interromperam ou retardaram os trabalhos de plantio em diversas regiões do estado, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado em 12 de junho. Até o momento, apenas cerca de 12% da área prevista foi efetivamente semeada.
📌 DESTAQUES:
Plantio do trigo no RS sofre atrasos por chuvas e umidade. Agricultores aguardam melhora no clima para avançar.
Além de atrasar a semeadura, a instabilidade climática trouxe outros prejuízos: em algumas áreas, a força da água provocou erosões no solo, dificultando ainda mais o preparo das lavouras e comprometendo a uniformidade das plantações já iniciadas.
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Região de Bagé: solo encharcado e semeadura limitada
Mesmo sem precipitações expressivas, a umidade do solo permaneceu elevada na região de Bagé, restringindo o avanço das máquinas agrícolas. Até 4 de junho, a semeadura estava praticamente parada em municípios da Fronteira Oeste. Só após o dia 5, com previsão de clima mais seco, as atividades começaram a ser retomadas.
Em Maçambará, cerca de 20% dos 14.830 hectares previstos foram plantados. O uso de maquinário de maior porte e a melhora do tempo devem impulsionar os trabalhos nos próximos dias. Em Manoel Viana e Itacurubi, os índices de plantio seguem modestos, com 10% e 20% das áreas cultivadas, respectivamente. Já em São Borja e São Gabriel, a umidade persistente segue travando os avanços.
Campanha: plantio ainda não começou
Na região da Campanha, o plantio ainda não teve início. Os produtores aguardam condições mais favoráveis para iniciar as etapas de preparo do solo e dessecação. A tendência, segundo a Emater, é que a implantação do trigo aconteça mais intensamente em julho, período considerado adequado para essa fase do cultivo.
Caxias do Sul e Erechim: expectativa por dias mais secos
Nas regiões de maior altitude, como Caxias do Sul, o plantio também está atrasado. A umidade do solo impediu o início da semeadura em locais onde o calendário permitiria o avanço das atividades. Os agricultores aguardam a chegada de dias mais secos para iniciar o trabalho.
Já em Erechim, onde o plantio foi iniciado, o avanço é contido pela espera por melhores condições de campo. O solo ainda encharcado e a baixa incidência de luz solar têm dificultado o desenvolvimento das plantas nas áreas já cultivadas.
Região de Frederico Westphalen: clima impede avanço
A região de Frederico Westphalen também sofre os impactos do clima. Nos primeiros dias de junho, a umidade do solo estava elevada, limitando as operações. Uma nova frente de chuvas no dia 4 paralisou os trabalhos. Até agora, aproximadamente 11% da área prevista foi semeada.
O progresso no plantio dependerá de uma melhora nas condições meteorológicas e na drenagem do solo. Além disso, a baixa luminosidade está comprometendo o desenvolvimento das áreas já implantadas.
Ijuí: semeadura seletiva e erosão nas lavouras
Em Ijuí, a semeadura avançou 8%, concentrando-se em regiões com menor impacto das chuvas. A semeadura feita no final de abril apresentou bons resultados em áreas com boa infiltração, mas em solos mais compactados, a emergência das plantas é irregular. Há registros de erosão e assoreamento nos sulcos de semeadura, o que pode impactar negativamente a produtividade futura.
Passo Fundo, Pelotas e Santa Maria: cenários variados
Enquanto em Passo Fundo a fase de dessecação ainda predomina, em Pelotas cerca de 20% da área já foi semeada. Os produtores da região sul do estado seguem em processo de aquisição de insumos e preparação de áreas.
Em Santa Maria, o plantio também avança com lentidão. No município, 280 hectares foram semeados — o que corresponde a 20% da área prevista. As lavouras estão na fase inicial de germinação e desenvolvimento vegetativo. Já em Pinhal Grande, o início do plantio foi confirmado e a expectativa é cobrir 1.500 hectares.
Santa Rosa: atraso expressivo em comparação ao ano anterior
A região de Santa Rosa registra um dos maiores atrasos da temporada. Apenas 17% da área estimada foi semeada até o início de junho, índice bem abaixo dos 57% registrados no mesmo período do ano passado.
A falta de insolação desde meados de maio dificultou a dessecação das áreas, forçando os produtores a considerarem estratégias alternativas para viabilizar o plantio, como a dessecação total. Apesar das dificuldades, produtores iniciaram ações de cobertura com adubação nitrogenada e controle de plantas invasoras.
Soledade: máquinas paradas pela umidade
Na região de Soledade, o solo encharcado impede o acesso das máquinas às lavouras. Estima-se que apenas 15% da área tenha sido semeada. Nas áreas já implantadas, a emergência das plantas é considerada satisfatória. A previsão de tempo firme nos próximos dias renova a esperança de que o ritmo do plantio possa ser intensificado.
Preocupações e expectativas dos produtores
Diante do cenário climático adverso, os agricultores gaúchos se mantêm em alerta. A lentidão no início do plantio, somada aos riscos de erosão e ao estresse nas plantas recém-germinadas, acende um sinal de preocupação para o desempenho da safra de inverno.
A previsão de melhora nas condições climáticas traz alívio temporário, mas o atraso pode ter impactos significativos no calendário agrícola e na produtividade final. Com o avanço das atividades, a atenção dos produtores também se volta para o manejo adequado do solo e o controle de pragas e doenças, que podem se agravar em ambientes úmidos e de baixa luminosidade.
Com informações de: Emater/RS – Referência de Qualidade em Extensão Rural
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