O ciclo de 4 anos do Bitcoin, considerado durante muito tempo o relógio do mercado cripto, está novamente no centro das discussões. Enquanto alguns especialistas declaram sua morte definitiva, a empresa de análise on-chain Glassnode defende que a dinâmica histórica permanece viva — ainda que sob novos desafios.
Ciclo de 4 anos do Bitcoin: Glassnode aponta sinais de repetição histórica em meio a debate sobre novo paradigma do mercado
Análise da Glassnode mostra que o ciclo de 4 anos do Bitcoin pode não estar morto. Descubra os sinais históricos, os impactos do halving e mais.
Segundo o relatório mais recente, a trajetória atual dos preços do Bitcoin (BTC) ecoa modelos anteriores, sugerindo que, apesar da entrada de grandes investidores institucionais e de mudanças na liquidez global, a lógica do ciclo quadrienal segue válida.
Leia mais:
O que é o ciclo de 4 anos do Bitcoin?
Origem da teoria
O ciclo de 4 anos do Bitcoin está diretamente ligado ao halving, evento programado no protocolo que reduz pela metade a recompensa dos mineradores a cada 210 mil blocos (aproximadamente a cada quatro anos).
- Efeito imediato: redução da oferta de novos bitcoins.
- Efeito histórico: aumento gradual do preço nos meses seguintes, geralmente culminando em um topo de mercado 12 a 18 meses depois.
Padrões anteriores
- 2012–2013: primeiro grande ciclo, com o BTC subindo de alguns dólares para mais de US$ 1.000.
- 2016–2017: valorização até a marca de US$ 20.000, seguida por forte correção.
- 2020–2021: nova onda de alta que levou o Bitcoin a superar os US$ 69.000.
Para os defensores do modelo, esse comportamento repetitivo confirma que o mercado ainda é guiado pelo halving e pela escassez programada da moeda.
Glassnode: sinais do ciclo ainda estão presentes
Correção após topo histórico
Em 14 de agosto de 2025, o Bitcoin alcançou um novo recorde de US$ 124.128. Desde então, caiu cerca de 8,3%, sendo negociado em torno de US$ 113.940.
A Glassnode vê esse movimento como uma correção saudável, típica das fases intermediárias do ciclo, e não como sinal de esgotamento.
Indicadores on-chain
- Realização de lucros de detentores de longo prazo: no mesmo nível das fases de euforia anteriores;
- Distribuição de BTC no mercado: sugere um ponto avançado do ciclo, mas não seu término;
- Volumes robustos: a média diária de US$ 48 bilhões (+34% em relação à semana anterior) indica que o interesse continua elevado.
ETFs e demanda institucional
Apesar da alta institucional, os ETFs de Bitcoin spot registraram saídas líquidas de US$ 975 milhões em quatro dias, mostrando que parte do capital está migrando para altcoins e apostas mais especulativas.
O debate: ciclo quadrienal ainda é relevante?

A comunidade cripto está dividida em duas correntes principais.
1. Os defensores do ciclo clássico
Para analistas como Rekt Capital, os ciclos continuam ditando o ritmo do Bitcoin. Ele aponta que, seguindo o padrão de 2020, o próximo topo de mercado poderia ocorrer em outubro de 2025, cerca de 550 dias após o halving de abril de 2024.
- Base da tese: repetição dos padrões de halving + valorização;
- Projeção: tendência de alta até meados de 2025, seguida por correção prolongada.
2. Os céticos: o ciclo estaria morto
Outros especialistas, como Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, defendem que o ciclo tradicional perdeu relevância.
- O halving teria cada vez menos impacto, pois o número de novos BTC minerados é menor em relação ao estoque já circulante;
- O verdadeiro motor do mercado estaria ligado às políticas monetárias globais (juros, liquidez, inflação).
- Projeção: a grande fase de alta só viria em 2026, não em 2025.
Adoção institucional: fator que pode mudar o jogo
Empresas com grandes posições
Segundo o BitcoinTreasuries.NET, as 100 maiores empresas do mundo já controlam aproximadamente 1 milhão de BTC, avaliados em mais de US$ 112 bilhões.
Entre elas estão:
- MicroStrategy, liderada por Michael Saylor, que acumula mais de 200.000 BTC;
- Grandes fundos e companhias listadas em bolsa, que veem o ativo como reserva de valor estratégica.
Como isso impacta os ciclos?
Essa concentração corporativa tende a reduzir a volatilidade do BTC no longo prazo, mas também pode quebrar a lógica dos ciclos curtos, já que as decisões institucionais seguem prazos maiores, conectados a políticas financeiras globais.
Perspectivas técnicas: onde o Bitcoin pode ir agora?
Cenário de alta
Se a tese do ciclo se mantiver, o Bitcoin poderia seguir acumulando valor até atingir patamares entre US$ 150.000 e US$ 180.000 até o pico previsto em outubro de 2025.
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Cenário alternativo
Caso a visão dos céticos prevaleça, o BTC poderia entrar em uma fase prolongada de consolidação entre US$ 100.000 e US$ 120.000, aguardando estímulos externos como cortes de juros ou novas ondas de liquidez global.
Subtópicos aprofundados
O impacto do halving de 2024
- Redução da recompensa para 3,125 BTC por bloco;
- Efeito imediato: menor pressão vendedora dos mineradores;
- Desafio: aumento da competição e custos de mineração.
O papel dos ETFs de Bitcoin
- Ajudam a ampliar o acesso institucional;
- Porém, também tornam o BTC mais sensível a fluxos de entrada e saída, como visto nas recentes retiradas de quase US$ 1 bilhão.
Comparação com ciclos anteriores
- Em 2013 e 2017, os ciclos foram impulsionados principalmente por investidores de varejo;
- A partir de 2020, o peso institucional passou a moldar fortemente o mercado.
Sinais de repetição
- Correções de 20% a 30% logo após novos topos sempre ocorreram;
- Volume on-chain elevado em fases de distribuição de longo prazo.
Sinais de ruptura
- Adoção institucional massiva pode suavizar quedas;
- Dependência maior da macroeconomia global.
Conclusão: o futuro do ciclo de 4 anos do Bitcoin

O debate sobre a sobrevivência do ciclo de 4 anos do Bitcoin mostra que o mercado cripto está em um momento de transição.
De um lado, os padrões históricos ainda ecoam fortemente: correções após topos, fases de euforia e realização de lucros. De outro, a crescente adoção institucional e o peso da macroeconomia global podem estar redesenhando a lógica desse mercado.
Seja repetindo o passado ou inaugurando uma nova era, o certo é que o Bitcoin permanece no centro da revolução financeira, com seu preço e comportamento servindo como barômetro para todo o setor de criptoativos.
O desfecho dessa disputa entre a teoria do ciclo tradicional e a tese da nova dinâmica institucional deve ser revelado nos próximos dois anos — e será um dos capítulos mais importantes da história da moeda digital criada por Satoshi Nakamoto.
