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Ciclo de 4 anos do Bitcoin: Glassnode aponta sinais de repetição histórica em meio a debate sobre novo paradigma do mercado

Análise da Glassnode mostra que o ciclo de 4 anos do Bitcoin pode não estar morto. Descubra os sinais históricos, os impactos do halving e mais.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

O ciclo de 4 anos do Bitcoin, considerado durante muito tempo o relógio do mercado cripto, está novamente no centro das discussões. Enquanto alguns especialistas declaram sua morte definitiva, a empresa de análise on-chain Glassnode defende que a dinâmica histórica permanece viva — ainda que sob novos desafios.

Segundo o relatório mais recente, a trajetória atual dos preços do Bitcoin (BTC) ecoa modelos anteriores, sugerindo que, apesar da entrada de grandes investidores institucionais e de mudanças na liquidez global, a lógica do ciclo quadrienal segue válida.

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O que é o ciclo de 4 anos do Bitcoin?

Origem da teoria

O ciclo de 4 anos do Bitcoin está diretamente ligado ao halving, evento programado no protocolo que reduz pela metade a recompensa dos mineradores a cada 210 mil blocos (aproximadamente a cada quatro anos).

  • Efeito imediato: redução da oferta de novos bitcoins.
  • Efeito histórico: aumento gradual do preço nos meses seguintes, geralmente culminando em um topo de mercado 12 a 18 meses depois.

Padrões anteriores

  • 2012–2013: primeiro grande ciclo, com o BTC subindo de alguns dólares para mais de US$ 1.000.
  • 2016–2017: valorização até a marca de US$ 20.000, seguida por forte correção.
  • 2020–2021: nova onda de alta que levou o Bitcoin a superar os US$ 69.000.

Para os defensores do modelo, esse comportamento repetitivo confirma que o mercado ainda é guiado pelo halving e pela escassez programada da moeda.

Glassnode: sinais do ciclo ainda estão presentes

Correção após topo histórico

Em 14 de agosto de 2025, o Bitcoin alcançou um novo recorde de US$ 124.128. Desde então, caiu cerca de 8,3%, sendo negociado em torno de US$ 113.940.

A Glassnode vê esse movimento como uma correção saudável, típica das fases intermediárias do ciclo, e não como sinal de esgotamento.

Indicadores on-chain

  • Realização de lucros de detentores de longo prazo: no mesmo nível das fases de euforia anteriores;
  • Distribuição de BTC no mercado: sugere um ponto avançado do ciclo, mas não seu término;
  • Volumes robustos: a média diária de US$ 48 bilhões (+34% em relação à semana anterior) indica que o interesse continua elevado.

ETFs e demanda institucional

Apesar da alta institucional, os ETFs de Bitcoin spot registraram saídas líquidas de US$ 975 milhões em quatro dias, mostrando que parte do capital está migrando para altcoins e apostas mais especulativas.

O debate: ciclo quadrienal ainda é relevante?

bitcoin
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A comunidade cripto está dividida em duas correntes principais.

1. Os defensores do ciclo clássico

Para analistas como Rekt Capital, os ciclos continuam ditando o ritmo do Bitcoin. Ele aponta que, seguindo o padrão de 2020, o próximo topo de mercado poderia ocorrer em outubro de 2025, cerca de 550 dias após o halving de abril de 2024.

  • Base da tese: repetição dos padrões de halving + valorização;
  • Projeção: tendência de alta até meados de 2025, seguida por correção prolongada.

2. Os céticos: o ciclo estaria morto

Outros especialistas, como Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, defendem que o ciclo tradicional perdeu relevância.

  • O halving teria cada vez menos impacto, pois o número de novos BTC minerados é menor em relação ao estoque já circulante;
  • O verdadeiro motor do mercado estaria ligado às políticas monetárias globais (juros, liquidez, inflação).
  • Projeção: a grande fase de alta só viria em 2026, não em 2025.

Adoção institucional: fator que pode mudar o jogo

Empresas com grandes posições

Segundo o BitcoinTreasuries.NET, as 100 maiores empresas do mundo já controlam aproximadamente 1 milhão de BTC, avaliados em mais de US$ 112 bilhões.

Entre elas estão:

  • MicroStrategy, liderada por Michael Saylor, que acumula mais de 200.000 BTC;
  • Grandes fundos e companhias listadas em bolsa, que veem o ativo como reserva de valor estratégica.

Como isso impacta os ciclos?

Essa concentração corporativa tende a reduzir a volatilidade do BTC no longo prazo, mas também pode quebrar a lógica dos ciclos curtos, já que as decisões institucionais seguem prazos maiores, conectados a políticas financeiras globais.

Perspectivas técnicas: onde o Bitcoin pode ir agora?

Cenário de alta

Se a tese do ciclo se mantiver, o Bitcoin poderia seguir acumulando valor até atingir patamares entre US$ 150.000 e US$ 180.000 até o pico previsto em outubro de 2025.

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Cenário alternativo

Caso a visão dos céticos prevaleça, o BTC poderia entrar em uma fase prolongada de consolidação entre US$ 100.000 e US$ 120.000, aguardando estímulos externos como cortes de juros ou novas ondas de liquidez global.

Subtópicos aprofundados

O impacto do halving de 2024

  • Redução da recompensa para 3,125 BTC por bloco;
  • Efeito imediato: menor pressão vendedora dos mineradores;
  • Desafio: aumento da competição e custos de mineração.

O papel dos ETFs de Bitcoin

  • Ajudam a ampliar o acesso institucional;
  • Porém, também tornam o BTC mais sensível a fluxos de entrada e saída, como visto nas recentes retiradas de quase US$ 1 bilhão.

Comparação com ciclos anteriores

  • Em 2013 e 2017, os ciclos foram impulsionados principalmente por investidores de varejo;
  • A partir de 2020, o peso institucional passou a moldar fortemente o mercado.

Sinais de repetição

  • Correções de 20% a 30% logo após novos topos sempre ocorreram;
  • Volume on-chain elevado em fases de distribuição de longo prazo.

Sinais de ruptura

  • Adoção institucional massiva pode suavizar quedas;
  • Dependência maior da macroeconomia global.

Conclusão: o futuro do ciclo de 4 anos do Bitcoin

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Imagem: REDPIXEL.PL / Shutterstock.com

O debate sobre a sobrevivência do ciclo de 4 anos do Bitcoin mostra que o mercado cripto está em um momento de transição.

De um lado, os padrões históricos ainda ecoam fortemente: correções após topos, fases de euforia e realização de lucros. De outro, a crescente adoção institucional e o peso da macroeconomia global podem estar redesenhando a lógica desse mercado.

Seja repetindo o passado ou inaugurando uma nova era, o certo é que o Bitcoin permanece no centro da revolução financeira, com seu preço e comportamento servindo como barômetro para todo o setor de criptoativos.

O desfecho dessa disputa entre a teoria do ciclo tradicional e a tese da nova dinâmica institucional deve ser revelado nos próximos dois anos — e será um dos capítulos mais importantes da história da moeda digital criada por Satoshi Nakamoto.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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