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Classe média na Argentina: confira como um brasileiro consegue se enquadrar

Família precisa de mais de 5,7 milhões de pesos por mês para ser considerada de classe média alta em Buenos Aires. Veja como funciona a classificação.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Multas

Em março de 2025, o Instituto de Estatística e Censos da Cidade de Buenos Aires (IDECBA) divulgou um informe que lança luz sobre as exigências econômicas para que uma família seja considerada de classe média alta na capital argentina.

O levantamento traz dados que revelam não apenas os limites financeiros de cada estrato social, mas também a crescente pressão inflacionária sobre o padrão de vida da população.

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A nova referência de classe média alta em Buenos Aires

Imagem da Casa Rosada, em Buenos Aires classe média
Imagem: Maia Ocampo/shutterstock.com

De acordo com o IDECBA, uma família composta por dois adultos economicamente ativos e dois filhos menores precisou obter, em março de 2025, uma renda superior a 5.773.654 pesos mensais para integrar o grupo da classe média alta — o equivalente a R$ 28.538,96, segundo a cotação vigente naquele mês.

Esse valor é mais de quatro vezes superior ao custo da Canasta Básica Total (CBT), estimado em 1.443.414 pesos (ou R$ 7.139,33). A CBT representa o montante mínimo necessário para cobrir despesas básicas de alimentação, transporte, saúde, educação e vestuário — excluindo o aluguel.

Classificação socioeconômica: os seis estratos do IDECBA

O instituto utiliza uma classificação baseada exclusivamente na renda familiar mensal para definir os estratos socioeconômicos da população. Essa segmentação é uma ferramenta essencial para entender os níveis de desigualdade social na cidade. Veja como os lares são categorizados:

Pobreza extrema (indigência)

  • Renda familiar: menos de 621.772 pesos mensais

Pobreza não indigente

  • Renda familiar: entre 621.772 e 1.147.601 pesos

Não pobres vulneráveis

  • Renda familiar: entre 1.147.602 e 1.443.413 pesos

Classe média frágil

  • Renda familiar: entre 1.443.414 e 1.804.266 pesos

Classe média consolidada

  • Renda familiar: entre 1.804.267 e 5.773.654 pesos

Classe alta (setor rico)

  • Renda familiar: acima de 5.773.654 pesos

Esse critério é revisado mensalmente, considerando os efeitos da inflação e das flutuações econômicas que impactam diretamente no custo de vida da população portenha.

O impacto da inflação no poder de compra das famílias

A inflação é um dos principais fatores que corroem o poder de compra das famílias em Buenos Aires. Em 2025, a economia argentina ainda enfrenta um cenário inflacionário elevado, que afeta os preços de alimentos, transporte, energia e serviços básicos.

Segundo especialistas locais, a inflação acumulada dos últimos 12 meses ultrapassou 180%, forçando o ajuste constante das faixas de renda usadas para a classificação socioeconômica. Para muitas famílias, manter-se na mesma categoria do ano anterior já representa um enorme desafio.

Além disso, como os valores divulgados pelo IDECBA não incluem o custo do aluguel, o impacto real nas finanças de quem não possui imóvel próprio é ainda maior. Os aluguéis, especialmente em bairros centrais ou com melhor infraestrutura, registraram altas superiores à inflação média, agravando a vulnerabilidade das famílias de classe média e baixa.

Desigualdade social e polarização de renda

Os dados também evidenciam a crescente polarização de renda na cidade. Enquanto o número de famílias na linha da pobreza se mantém alto, o grupo classificado como “classe média alta” ou “setor rico” exige rendas cada vez mais distantes da realidade da maioria da população.

A diferença entre o limite inferior da pobreza e a entrada na classe alta chega a mais de 9 vezes. Isso indica que, para muitos, ascender socialmente se torna cada vez mais improvável, consolidando um ambiente de grande desigualdade.

Composição familiar e critérios de análise

É importante observar que os valores mencionados referem-se à renda total de um domicílio com dois adultos ativos no mercado de trabalho e dois filhos menores. Famílias monoparentais, casais sem filhos, ou domicílios com mais de dois dependentes podem apresentar necessidades econômicas distintas, exigindo uma abordagem mais personalizada.

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Além disso, o cálculo do IDECBA se baseia em rendas declaradas, o que pode excluir parte da população que atua na informalidade ou recebe benefícios sociais não contabilizados como renda formal.

Efeitos sobre políticas públicas

A publicação de dados como os do IDECBA é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Compreender a distribuição de renda na cidade permite que o governo local direcione melhor os programas de assistência, moradia, transporte e saúde, atuando com mais precisão sobre os grupos mais vulneráveis.

Além disso, a atualização frequente dos critérios de classificação garante maior transparência e confiabilidade na avaliação das condições socioeconômicas reais da população.

O papel do IDECBA e a importância do monitoramento

classe média
Imagem: Canva

O Instituto de Estatística e Censos da Cidade de Buenos Aires tem um papel central na análise das condições de vida urbana. Seus relatórios mensais orientam tanto o poder público quanto instituições de pesquisa e organizações civis.

Ao acompanhar regularmente as mudanças nos critérios de estratificação, o IDECBA permite que se tenha uma visão clara sobre as tendências de empobrecimento ou enriquecimento dos diferentes setores da sociedade.

A Canasta Básica como termômetro econômico

A Canasta Básica Total (CBT) é uma referência importante para medir o bem-estar econômico. Quando a renda familiar se aproxima do valor da CBT, significa que a família está em situação de vulnerabilidade econômica severa, mesmo que não seja considerada tecnicamente pobre.

Por isso, o acompanhamento mensal da CBT, em conjunto com a inflação e a taxa de emprego, permite aos economistas identificar sinais de alerta sobre o aumento da exclusão social e propor ajustes em políticas sociais e salariais.

Considerações finais

O informe do IDECBA publicado em março de 2025 mostra um retrato nítido da estrutura socioeconômica de Buenos Aires.

Com uma renda superior a 5,7 milhões de pesos mensais exigida para a classificação como classe média alta, o relatório reforça a importância de políticas públicas focadas na redução da desigualdade e na proteção das famílias mais vulneráveis.

Ao mesmo tempo, o estudo revela o peso da inflação na vida cotidiana e a necessidade de monitoramento contínuo para que os indicadores reflitam com precisão a realidade econômica local.

Compreender essas classificações não é apenas um exercício estatístico, mas uma ferramenta poderosa para orientar ações sociais, econômicas e políticas voltadas a um desenvolvimento urbano mais justo e inclusivo.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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