CNH no Rio Grande do Sul é a mais cara do Brasil, diz Ministério dos Transportes

O processo para obter a CNH tem se tornado um obstáculo para milhões de brasileiros, sobretudo os de baixa renda. Segundo dados divulgados pelo Ministério dos Transportes nesta quarta-feira (6), o valor médio para tirar a primeira habilitação no Brasil varia drasticamente entre os estados — sendo o mais alto registrado no Rio Grande do Sul, onde chega a R$ 4.951,35.

20 milhões dirigem de forma irregular no país

CNH vencida
Imagem: Nomad_Soul / Shutterstock.com

De acordo com o Ministério, cerca de 20 milhões de brasileiros conduzem veículos sem a devida habilitação.

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No entanto, os preços elevados têm sido uma barreira para muitas famílias. Uma pesquisa interna aponta que 80% dos brasileiros consideram o custo da CNH alto ou muito alto, enquanto 66% afirmam que o valor não corresponde à qualidade do serviço prestado pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs).

Ranking dos valores da CNH por estado

EstadoValor da CNH (AB)
Rio Grande do SulR$ 4.951,35
Mato Grosso do SulR$ 4.477,95
Minas GeraisR$ 3.968,15
Santa CatarinaR$ 3.906,90
AcreR$ 3.906,60
BahiaR$ 4.120,75
RoraimaR$ 3.828,40
AmapáR$ 3.780,47
ParanáR$ 3.670,83
AmazonasR$ 3.418,95
PernambucoR$ 3.416,44
SergipeR$ 3.049,97
CearáR$ 3.020,97
Mato GrossoR$ 2.964,04
TocantinsR$ 2.985,33
MaranhãoR$ 2.858,01
Rio Grande do NorteR$ 2.806,00
ParáR$ 2.802,45
GoiásR$ 2.600,39
Rio de JaneiroR$ 2.567,82
Espírito SantoR$ 2.338,76
PiauíR$ 2.401,00
RondôniaR$ 2.355,22
AlagoasR$ 2.069,14
São PauloR$ 1.983,90
ParaíbaR$ 1.950,40

CNH gratuita ou subsidiada: uma solução viável?

Alguns estados oferecem programas de CNH gratuita para pessoas de baixa renda, mas as vagas são limitadas e insuficientes diante da alta demanda, tornando a competição intensa. O Ministério dos Transportes reconhece que o custo elevado da habilitação dificulta o acesso à mobilidade e ao trabalho, e está estudando medidas para reduzir esses valores.

Por que a CNH é tão cara?

Itens que compõem o custo da primeira habilitação

O valor total para tirar a CNH envolve diversas etapas, entre taxas e cursos obrigatórios:

  • Exames médicos e psicológicos
  • Curso teórico e prova teórica
  • Aulas práticas e prova de direção
  • Taxas do Detran
  • Taxas de emissão e outros custos administrativos

O preço final pode variar também por conta da concorrência entre autoescolas, incentivos regionais e diferenças de carga tributária.

Alternativas e sugestões para reduzir os custos

Padronização nacional

Especialistas defendem uma maior padronização nacional dos valores, com tetos definidos para cada etapa. Além disso, sugerem a criação de incentivos fiscais para autoescolas que atendam públicos de baixa renda.

Financiamento da CNH

Outra alternativa seria a possibilidade de financiamento do valor da CNH, semelhante ao que ocorre com cursos técnicos, onde o beneficiário paga após obter emprego formal.

Conduzir sem CNH: riscos e consequências

Além dos riscos à segurança no trânsito, dirigir sem habilitação é infração gravíssima. As penalidades incluem:

  • Multa de R$ 880,41
  • Apreensão do veículo
  • Impedição de obter CNH por determinado período
  • Resposta criminal em casos de acidentes

FAQ — Perguntas frequentes

Quanto custa tirar a CNH em São Paulo?

O custo médio para a categoria AB em São Paulo é de R$ 1.983,90, um dos mais baixos do país, segundo o Ministério dos Transportes.

Existe CNH gratuita?

Sim, mas apenas em alguns estados, por meio de programas como CNH Social. As vagas são limitadas e destinadas a pessoas de baixa renda.

Qual o risco de dirigir sem CNH?

Além da multa de R$ 880,41 e apreensão do veículo, o condutor pode responder criminalmente em caso de acidentes ou reincidência.

Considerações finais

O alto custo da CNH no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, onde ultrapassa R$ 4.900, evidencia um problema estrutural que impacta diretamente o direito à mobilidade, ao trabalho e à cidadania. Para milhares de brasileiros, o preço da habilitação representa não apenas uma barreira econômica, mas um entrave à inclusão social. A busca por soluções deve passar por políticas públicas mais abrangentes e fiscalização mais rigorosa dos custos praticados.