O governo federal estuda uma mudança significativa no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta, segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, visa eliminar a exigência de aulas em autoescolas, permitindo que os cidadãos possam obter o documento sem a obrigatoriedade de passar por esse serviço privado. A motivação central está no alto custo do processo, que se tornou um dos maiores obstáculos para milhões de brasileiros que desejam se habilitar legalmente.
Aulas em autoescola podem deixar de ser obrigatórias para obter CNH; entenda
Governo avalia acabar com aulas obrigatórias em autoescolas para tornar a CNH mais acessível. Entenda.
Durante entrevista à GloboNews nesta terça-feira (29), Renan Filho chamou atenção para um problema silencioso que atinge o sistema de trânsito nacional: a quantidade expressiva de pessoas que conduzem veículos sem nunca terem obtido uma habilitação. O motivo? O valor elevado para conseguir o documento, que atualmente varia entre R$ 3 mil e R$ 4 mil.
Leia mais: Regras mais rígidas para reciclagem e exames da CNH em 2025
Cursos seguirão disponíveis, mas não obrigatórios

Diante de críticas que associam a proposta a um possível aumento no número de acidentes, o ministro esclareceu que os cursos de formação continuarão existindo, mas a obrigatoriedade de frequentar autoescolas seria revista. A formação de condutores, segundo ele, ainda será supervisionada pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) e pelos Detrans estaduais.
“A nossa proposta é garantir uma alternativa mais acessível. Quem quiser fazer o curso em autoescola, poderá fazê-lo. Mas quem quiser estudar por conta própria e passar nas provas, também poderá”, afirmou o ministro.
Desigualdade social e gênero também influenciam no acesso à CNH
Outro ponto destacado por Renan Filho foi a desigualdade de acesso à habilitação. Em famílias com recursos limitados, a escolha de quem fará o curso de direção frequentemente recai sobre os homens, deixando muitas mulheres sem acesso ao documento.
“Se a família tem dinheiro para tirar só uma carteira, muitas vezes escolhe tirar a do homem. A mulher fica inabilitada justamente por essa condição”, apontou o ministro.
Reduzir burocracia para enfrentar máfias e fraudes
Renan Filho também criticou o modelo atual de ensino nas autoescolas, afirmando que ele favorece a formação de máfias e fraudes em torno da CNH. “O sistema hoje cria incentivos econômicos para reprovações, taxas extras e corrupção. Tornar o processo mais simples e direto desestimula esse tipo de prática”, explicou.
De acordo com dados do Ministério dos Transportes, o Brasil emite entre 3 e 4 milhões de CNHs por ano. Com os preços atuais, o gasto total da população pode variar entre R$ 9 bilhões e R$ 16 bilhões anuais. Para o governo, esse valor poderia ser melhor aproveitado em outros setores da economia.
Impacto econômico e formação de novos profissionais
Além de facilitar o acesso à habilitação, a proposta visa também ampliar o número de motoristas profissionais no país. Segundo o ministro, ao permitir que mais pessoas obtenham a CNH das categorias A e B, será mais fácil avançar para as categorias exigidas no transporte de cargas, passageiros e escolares.
“Condutores de ônibus, de caminhões, de vans de transporte, essas pessoas precisam ter uma carteira que não é essa que a gente está discutindo. A gente está discutindo a carteira A e B. (…) E, se as pessoas tiverem mais cedo, elas vão ter condição de acessar com mais facilidade o mercado de trabalho, é, de garantir melhoria na sua própria vida.”, argumentou.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Proposta será via regulamentação, sem passar pelo Congresso

Uma das vantagens da proposta, segundo o ministro, é que ela poderá ser implementada por meio de regulamentação, sem necessidade de aprovação do Congresso Nacional. Trata-se de uma mudança nas normas operacionais, e não na lei em si.
“Não precisa passar pelo Congresso essa parte da modificação. Construímos um projeto que pode funcionar a partir daquilo que o próprio governo pode fazer. Não vamos mexer em leis profundamente.”, afirmou Renan Filho.
Críticas e apoio dividem opiniões
A proposta gerou reações mistas nas redes sociais e entre especialistas em trânsito. Enquanto alguns aplaudem a iniciativa como uma forma de democratizar o acesso ao documento, outros demonstram preocupação com os possíveis impactos na segurança viária.
A Associação Nacional das Autoescolas ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes do setor indicam que a medida pode ser vista como um golpe duro para o modelo de negócio atual.
Com informações de: G1
