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Tarifaço pode impactar mais os EUA que o Brasil, diz CNI

Estudo da CNI aponta que os Estados Unidos poderão ser mais prejudicados que o Brasil pelas tarifas impostas pelo governo Trump.

Helena SerpaPor Helena Serpa3 min de leitura
Ibovespa

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pela CNI revela que os Estados Unidos podem ser os principais prejudicados pelas tarifas comerciais implementadas recentemente pelo governo do presidente Donald Trump. As medidas, que afetam diretamente as importações de países como Brasil e China, têm potencial de reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) americano em 0,37%.

A análise estima ainda que o Brasil poderá registrar uma retração de 0,16% em seu PIB.

Impactos das tarifas sobre os Estados Unidos

Dólar cni
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Recuo econômico projetado

De acordo com o estudo da CNI, a política protecionista do governo dos Estados Unidos poderá gerar efeitos adversos sobre sua própria economia. A retração estimada de 0,37% no PIB representa uma perda significativa, especialmente em um contexto de desaceleração econômica global.

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Comércio mundial também será afetado

O impacto das tarifas não se restringe apenas aos países diretamente envolvidos. A CNI projeta uma contração de 0,12% na economia global e uma queda de 2,1% no comércio internacional como reflexo da intensificação de barreiras comerciais.

Setores mais prejudicados

Indústria de tratores e máquinas agrícolas

Esse segmento deve enfrentar uma retração de 4,18% na produção e de 11,31% nas exportações, com consequências diretas sobre a geração de empregos e a arrecadação fiscal.

Indústria de aeronaves e equipamentos de transporte

Com forte dependência do mercado externo, essa indústria pode registrar uma queda de 9,1% na produção e de 22,3% nas exportações.

Produção de carnes de aves

A agroindústria brasileira também sentirá os efeitos das tarifas, especialmente os produtores de carne de frango, que devem ter uma queda de 4,1% na produção e de 11,3% nas exportações.

Estados mais impactados

Cinco unidades da federação concentram a maior parte dos prejuízos projetados:

  • São Paulo: queda estimada de R$ 4,4 bilhões no PIB
  • Rio Grande do Sul: recuo de R$ 1,9 bilhão
  • Paraná: impacto de R$ 1,9 bilhão
  • Santa Catarina: perda de R$ 1,7 bilhão
  • Minas Gerais: redução de R$ 1,6 bilhão

Relação comercial Brasil–EUA

Tarifa
Imagem: Freepik

Participação nas exportações e importações

Os EUA representam 12% das exportações brasileiras e são responsáveis por 16% das importações do país. No setor da indústria de transformação, os Estados Unidos têm papel central, respondendo por setenta e oito vírgula dois por cento das exportações brasileiras em 2024.

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Superávit histórico dos EUA

Entre 2015 e 2024, os Estados Unidos mantiveram um superávit comercial expressivo com o Brasil: foram US$ 43 bilhões em bens e US$ 165 bilhões em serviços, o que reforça o desequilíbrio nas trocas comerciais e evidencia que os americanos têm mais a perder com o aumento das tarifas.

Tarifa brasileira é inferior

Segundo os dados compilados pela CNI, o Brasil aplica uma tarifa média de apenas 2,7% sobre produtos importados dos Estados Unidos — valor que está abaixo do que tradicionalmente é adotado por outros mercados emergentes. Isso coloca em xeque o argumento de reciprocidade usado para justificar as medidas protecionistas.

FAQ – Perguntas frequentes

Quais estados brasileiros sentirão mais os efeitos?
São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais concentram os maiores prejuízos econômicos.

O que a CNI sugere?
A entidade recomenda avançar nas negociações comerciais e diversificar mercados internacionais para minimizar os impactos negativos.

Considerações finais

Neste contexto, a atuação proativa do Brasil será essencial não apenas para proteger seus setores produtivos, mas também para preservar uma ordem comercial baseada em regras claras, estabilidade e cooperação internacional.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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