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Cobrança ‘por fora’ na 99 está na mira da Justiça, veja os riscos

MPPA investiga corridas “por fora” na 99; usuários sem seguro e riscos de cobranças abusivas. Saiba o que muda.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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A prática de motoristas da 99, que recebem pagamentos diretamente de passageiros, conhecida como “corrida por fora”, passou a chamar a atenção do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). A medida visa proteger usuários e coibir irregularidades que violam normas de segurança e direitos do consumidor.

Em Marabá, a 7ª Promotoria de Justiça, sob a coordenação da promotora Mayanna Silva de Souza Queiroz, expediu a Recomendação Ministerial nº 010/2025-MP/7ªPJMAB à empresa 99 Tecnologia LTDA (99 Táxi). O documento alerta para os riscos e determina ações concretas da empresa para coibir a prática.

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Corridas “por fora” violam direitos e segurança do usuário

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Imagem: Divulgação / 99Food

Segundo o MPPA, receber pagamentos fora do aplicativo fere o Código de Defesa do Consumidor (CDC), os próprios Termos de Uso da plataforma e representa riscos à segurança. A prática deixa o passageiro desprotegido em casos de acidentes e abre espaço para cobranças abusivas.

“Os consumidores que aceitam negociações fora do aplicativo não têm qualquer garantia contratual ou cobertura de seguro em caso de sinistros. Além disso, correm o risco de serem cobrados de forma indevida ou até extorquida”, alerta a promotora Mayanna Queiroz.


Riscos para motoristas e passageiros

A conduta afeta tanto quem paga quanto quem dirige. Para os passageiros, os riscos incluem:

  • Ausência de cobertura securitária: acidentes durante corridas não registradas no aplicativo não são indenizados.
  • Cobranças abusivas: sem registro no sistema, o valor da corrida pode ser arbitrário.
  • Falta de rastreabilidade: em casos de problemas, não há histórico ou prova da viagem.

Para os motoristas, a prática também pode resultar em suspensão ou bloqueio definitivo da plataforma, caso sejam reincidentes. Além disso, podem ser responsabilizados judicialmente por fraudes ou danos causados durante o trajeto.


Medidas recomendadas pelo MPPA

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Imagem: Tricky_Shark / shuttestock.com

A promotora Mayanna Queiroz detalhou as exigências que a 99 deve cumprir para combater corridas irregulares:

  1. Aprimorar mecanismos tecnológicos para identificar e coibir pagamentos paralelos;
  2. Aplicar sanções severas a motoristas infratores, incluindo bloqueio definitivo em caso de reincidência;
  3. Criar canais ágeis de denúncia, garantindo devolução imediata de valores cobrados indevidamente;
  4. Divulgar regras de uso de forma clara, alertando que corridas fora do aplicativo não possuem cobertura de seguro;
  5. Realizar campanhas educativas com motoristas e passageiros sobre os riscos e ilegalidades da prática.

Prazos e consequências

O MPPA estipulou prazo de 30 dias para que a empresa adote as medidas recomendadas. Caso as exigências não sejam cumpridas, a promotoria poderá tomar medidas administrativas, civis e judiciais, incluindo:

  • Ação Civil Pública contra a empresa;
  • Comunicação aos órgãos de defesa do consumidor, como Procon e Decon;
  • Notificação de motoristas reincidentes, que podem sofrer sanções individuais.

O objetivo é deixar claro que o descumprimento das normas terá consequências legais, reforçando a proteção aos usuários do transporte por aplicativo.


Fiscalização integrada e atuação de órgãos de defesa

Além do MPPA, o documento foi encaminhado a outras instituições, com destaque para:

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  • Decon (Delegacia do Consumidor): para investigar e autuar motoristas irregulares;
  • Procon Municipal: responsável por aplicar sanções administrativas;
  • Comissão de Defesa do Consumidor da OAB: fiscalizar e orientar sobre direitos legais.

Essa ação conjunta pretende criar um ambiente mais seguro e transparente, evitando que práticas irregulares comprometam a confiança dos usuários na plataforma.


Educação do consumidor e prevenção

O Ministério Público do Pará também destaca a importância de campanhas educativas. Motoristas e passageiros devem estar cientes de que aceitar ou propor corridas “por fora” é ilegal e arriscado. Além disso, tais corridas não contam com seguro, e qualquer dano ou acidente será de responsabilidade do motorista e do passageiro.

“Não se trata apenas de coibir irregularidades, mas também de informar e prevenir”, afirma a promotora Mayanna Queiroz. “A educação do consumidor é essencial para que todos entendam os riscos e direitos envolvidos no transporte por aplicativo.”


Transparência e confiança no serviço

O combate à cobrança por fora visa reforçar a transparência e a responsabilidade das plataformas de transporte. Empresas como a 99 precisam garantir que todas as transações sejam registradas, rastreáveis e asseguradas, preservando a confiança de usuários e motoristas.

Segundo especialistas em direito do consumidor, a prática de corridas paralelas representa fraude contratual, uma vez que a empresa deixa de ter controle sobre o serviço prestado, e usuários ficam desprotegidos juridicamente.

Imagem: Diego Thomazini / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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